Quando me sinto entediada não partilho com ninguém. Sempre acreditei que esta vida é -- há que admitir -- qualquer coisa de extraordinário; e se consigo sentir-me entediada durante esta viagem é porque eu sou aborrecida, não a vida. E isso é coisa que não gosto de admitir.
Nesses momentos dou por mim a pensar no que levou o meu cérebro a desligar-se, a querer apenas atirar-se para um sofá a ver séries umas atrás de outras -- como se vendo vidas alheias a ser vividas eu pudesse viver através delas naquele instante. E geralmente as conclusões são semelhantes. Nesses momentos estou a fugir de alguma coisa. De uma tarefa que não quero cumprir, de um sentimento que não quero sentir [e como as saudades me minam...].
E não há nada que me desperte mais do que recusar-me a aceitar que não posso fazer nada, e vencer por KO o que me desviou temporariamente de ser feliz.












