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sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Do tédio


Quando me sinto entediada não partilho com ninguém. Sempre acreditei que esta vida é -- há que admitir -- qualquer coisa de extraordinário; e se consigo sentir-me entediada durante esta viagem é porque eu sou aborrecida, não a vida. E isso é coisa que não gosto de admitir. 

Nesses momentos dou por mim a pensar no que levou o meu cérebro a desligar-se, a querer apenas atirar-se para um sofá a ver séries umas atrás de outras -- como se vendo vidas alheias a ser vividas eu pudesse viver através delas naquele instante. E geralmente as conclusões são semelhantes. Nesses momentos estou a fugir de alguma coisa. De uma tarefa que não quero cumprir, de um sentimento que não quero sentir [e como as saudades me minam...]. 

E não há nada que me desperte mais do que recusar-me a aceitar que não posso fazer nada, e vencer por KO o que me desviou temporariamente de ser feliz.

sexta-feira, 28 de junho de 2013



Ele encontrava-se em processo de mudança de casa. Da casa onde dançávamos descalços, onde cozinhávamos juntos, onde assistímos aos clássicos cinematográficos que eu não tinha visto, a casa que eu conhecia tão bem e que acolheu tantas gargalhadas e silêncios cúmplices. 

- Vão destruir o edifício... Não vais ter saudades? -- perguntei-lhe, entre caixas de todos os tamanhos.
- Não. -- disse convictamente -- Não te vou deixar aqui.

E na sua língua nativa, e com o sorriso mais doce do mundo, esclareceu:
-  You're home to me.

E é assim que me sinto quando estou longe do abraço dele:
Longe de casa.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Das palavras que ficaram por dizer e por ouvir


Lembro-me perfeitamente de fazermos do passeio interno de casa da avó Inês a nossa tela em branco. Pintávamos a giz, tudo o que nos cruzasse o pensamento, mas depois de umas horas de exibição tínhamos de limpar, com uma vassoura e um balde de água, o que havíamos feito -- suponho que a arte não fosse espectacular, mas o argumento usado era sempre terno.

Ontem, enquanto espreitava um dos livros do Augusto Cury, de análise à inteligência emocional de Jesus, lembrei-me inúmeras vezes da minha avó. Ela foi a pessoa que eu conheci que mais se aproximou de uma natureza verdadeiramente divina, pura, condescendente -- nunca lhe conheci um defeito comum à natureza humana, em dezassete anos de convivência diária. Nem um episódio de impaciência, nem de ira, nem de inveja, nem de orgulho, nem de ego, nem de preguiça, nem de cobiça, nem vícios que não passassem por dar aos outros um ouvido e bens alimentares, na ausência do meu avô que não partilhava nenhuma das qualidades da minha avó.

Gostava de ouvir o conselho dela neste momento. Gostava que me desse a mão e me levasse por onde fosse mais apropriado. Confiaria nela de olhos fechados.


terça-feira, 21 de maio de 2013

Happy birthday, sweetheart ❤





Love is the answer,
At least for most of the questions in my heart
Like why are we here? And where do we go?
And how come it's so hard?


Mmm, it's always better when we're together
Yeah, we'll look at the stars when we're together
Well, it's always better when we're together
Yeah, it's always better when we're together




And there is no, no song I could sing
And there is no combination of words I could say
But I will still tell you one thing
We're better together♪ ♫



domingo, 28 de abril de 2013

Crónicas da viagem #1


Quase dez meses depois, vislumbrei-o entre a multidão de novo. Entre idas e vindas, chegadas e partidas de pessoas de todas as nacionalidades. Na cidade do meu coração. 

No seu rosto aquele sorriso encantador, de quem já me observava há algum tempo, e o passo apressado de quem tem uma tarefa urgente para cumprir: entre sorrisos e centenas de pessoas perdemo-nos no abraço um do outro. 

Num abraço sentido, tão saudoso, tão feliz que rodopiamos como se estivessemos a dançar, por tempo indeterminado.


sexta-feira, 12 de abril de 2013

Da amizade - tributo ❤



Como é bom perdermo-nos em momentos mágicos, daqueles que em que a vida sussurra "Ainda não viste nada...". Como é único sentirmos de novo, e mais uma vez depois dessa, que a vida está cheia de adoráveis sorrisos que tornam coloridos os nossos dias -- e que sorrisos me traz a Amizade. A amizade enche a minha vida como de Sol se faz o Verão. Amizade, daquele género que não mais se esquece, que marca, que comove, que rouba sorrisos constamente. 

Daquele género que atura as minhas variações de humor, que apoia, que mima, e me impulsiona com inesgotável energia. 

E ainda daquele tipo que me surpreende com um bilhete de avião que me levará de volta à minha cidade de sonho -- vários meses depois de ter partido -- para matar saudades, para entregar abraços que queimam, para rir e chorar de emoção, para relembrar o cheiro tão típico daquele país e redobrar o empenho, a vontade, a convicção, de que ali é o único lugar onde serei verdadeiramente feliz.

E como se este coração ainda não tivesse tido emoção suficiente, na sequência, a vida sussurra "Ainda há mais..." e chega-me um outro convite para partilhar as férias e aprender a surfar com alguém que adoro, que me surpreende sempre com a simplicidade inocente de quem não tem noção da dimensão dos seus gestos.

Eu disse-vos uma vez e o meu coração exige que eu repita em resposta às surpresa que a Vida continua a oferecer-me:
Os meus amigos são os melhores 

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Do amor


A cidade que me aquece o coração, debaixo de neve neste momento, é assim como a da foto. Com espaços comerciais absolutamente lindos à beira-lago, uma extensão relvada a perder de vista, numa zona interdita ao trânsito que incentiva a caminhadas, a passeios de bicicleta ou simplesmente à conversa. Espalhados pelo imenso verde estão grelhadores públicos que convidam ao prolongamento do dia ao sabor de um churrasco. No ar música ao vivo, e na água barcos e motas-de-água para alugar. 

Naquela cidade senti o peso das saudades dos meus, do som do nosso idioma e descobri como a alegria se pode esconder em coisas aparentemente pequenas. Conheci pessoas maravilhosas, recebi abraços indescritíveis e fui imensamente feliz.

A cidade que me aquece o coração está demasiado longe neste momento, mas continuo a sentir-lhe o aroma, a textura e a temperatura da água. E cada pedacinho de mim me pede para voltar. 

Desta vez: com os meus.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Piano



A querida Lia enviou-me uma música linda ao piano que me fez pensar em mil e uma coisas no curto período da melodia (que viria a conhecer o significado da expressão "auto-replay". Obrigada Lia*). Entre essas viagens recuei cerca de três anos no tempo. Até à residência de pós-graduados que primeiro me recebeu fora do meu país, e onde descansava imponente na sala de estar um piano cujas notas nunca ouvi. Até um dia...

O dia em que ele chegou, surpreendendo-me com os ingredientes para cozinhar para mim numa mão, e um sorriso do tamanho do mundo nos lábios. Na exploração do espaço que recebeu o nosso jantar vislumbrou o piano, perguntou-me se gosto, do que gosto. E ouvindo a resposta dirigiu-se ao banco sempre arrumado e tocou para mim. E eu permaneci ali, imóvel, por entre a surpresa e o encanto que me chegavam pelos dedos do homem com forte formação científica que enchia o ar de notas musicais. Um momento mais encantador do que qualquer cena cinematográfica.

Algumas portas ao longe entreabriram-se para deixar a música entrar nos quartos. Outros, curiosos, desceram e irromperam na sala tentando descobrir o pianista. Mas a audiência que chegava foi a deixa para que parasse...

Aquele momento era nosso e ele tocava apenas para mim 

domingo, 3 de fevereiro de 2013


A distância de minha casa à universidade mais famosa do país, em terras helvéticas, era de 10 minutos a pé. Entre a casa e o campus encontra-se uma floresta, com caminhos em terra batida e árvores centenáriasO Sol, o som incrível dos pássaros que cantavam, a civilização tão perto e tão longe e os bambis, como o da foto, que espreitavam de vez em quando entre as árvores eram autênticos pedaços de magia para mim.

Aquele percurso era o começo e o fim perfeito dos meus dias.
Aquele país é a descrição perfeita da vida que quero para mim.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Tudo em que consigo pensar...


...depois de um dia inteiro [de um mês inteiro] de análise de dados para escrita de mais dois artigos científicos:


Vai ser assim, logo que o Sol espreitar com convicção  

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Recordações


Esta banheira (com ou sem aspas permanece, para mim, uma incógnita) ao ar livre levou-me ao passado e a recordações muito bonitas em dois milissegundos. 

Desde que nasci só vivi em duas casas, em Portugal. A primeira tinha videiras de uvas americanas e um tanque alto de cimento, rectangular, num canto do terreno entre as árvores. Ainda que tivesse sido construído para pisar uvas depois das vindimas, o tanque servia apenas de piscina para mim e para os meus primos no Verão. 

A diversão durou até ter visto o primeiro sapo na vizinhança da "piscina". Coincidentemente, nunca mais lá quis entrar.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Da magia em flocos


Uma das coisas de que mais sinto falta neste Inverno, em comparação com os anteriores, é da neve.
De a ver cair, de a ver brilhar sob a luz do Sol, de me deliciar com a imensa paz de espírito que traz uma bebida quente em contraste com o frio lá fora e o imenso branco a perder de vista. 

domingo, 4 de novembro de 2012

Das saudades que nem o skype ajuda a contornar




Que saudade de caminhar na neve num belo dia de Sol. De a ver brilhar cobrindo uma paisagem sem fim. 

Tenho saudades até das escorregadelas suportadas pelos amigos que me rodeavam, cautelosos, quando o sal esgotou durante alguns dias e os passeios se tornaram um perigo para estrangeiros. Eles, os nativos que parecem à prova de queda, deslizavam nas suas sapatilhas por passeios inclinados cobertos de gelo como se estivessem em cima de skies. Enervantes. :-)

Adorava voltar a casa depois de encher o coração e alma com a paisagem branca e de, no quentinho, tomar um chocolate quente com uma daquelas amizades maravilhosas que enchem a casa de gargalhadas. 

Ainda vou voltar a morar naquele país. É uma promessa 


sábado, 3 de novembro de 2012




Cada vez tenho menos paciência. Para pessoas e para situações. Não que as pessoas e situações sejam particularmente irritantes, o problema é que mesmo em "repouso" estou a uma distância muito curta de explodir. Como um balão demasiado cheio, que rebenta com um toque que de outra forma seria perfeitamente suportável, sem mácula. Tenho noção que o problema está realmente em mim, e não em tudo aquilo que me causa nervoso miudinho, e até tenho as coordenadas GPS para sair deste lugar em direcção àquele que me fará feliz. Mas o caminho já é longo e por isso tornou-se penoso. Já não aprecio a paisagem, cada passo é mais um pedaço de madeira seca na fogueira da minha irritação. 

Há cerca de dois anos fui obrigada a colocar em quinto plano aquilo que habitualmente fazia para me encher de sorrisos, em prol do que era urgente ser feito. Descobri da pior maneira que 'urgente' e 'importante' não são sinónimos. Apesar disso fui muito feliz. Feliz porque as outras pessoas cuidaram de me fazer feliz, de me forçar às pausas que eu não me concedia, de garantir que eu aproveitava um pouco da magia que me rodeava. E aos poucos, esqueci-me de ser feliz "sozinha", sem ajuda. Não sei se a minha personalidade se modificou ou estou apenas perdida enquanto não me encontro comigo mesma de novo. Adoro o meu trabalho, mas já não sei ser ABT sem ser cientista e isso é cansativo. Quero conseguir escrever novamente, sem me aborrecer três segundos depois. Quero ler um livro sem questionar tudo o que escrevem como sendo um facto. Quero estar presente em cada conversa, sem sentir que estou metade do tempo noutro mundo enquanto falam. Quero relaxar sem me sentir culpada por não estar a fazer alguma coisa produtiva.

Quero fechar os olhos e dormir por uns meses e acordar quando tudo for diferente. A isso chama-se desistir. Não faz mal.