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sexta-feira, 20 de março de 2015

Sextas são dia de meditação: {Mantras}

E assim se arruma o tópico, de forma a chegar àqueles que o querem ler sem cair de paraquedas no meio do género de post que caracteriza este blogue (se é que há um tópico predominante). Sextas-feiras foram o dia escolhido para os posts semanais sobre meditação.


Decidi falar de mantras, sílabas cantadas como costumo chamar-lhes, porque ignorei-lhes o valor demasiado tempo. Sempre me pareceram apenas um conjunto de sons sem grande utilidade, mas a realidade pode ser diferente. 

O mais famoso desses sons é o Om ("Aum"), que representa um som elemental, uma vibração de consciência infinita universal. Mas há muitos outros, com significado concreto em língua sânscrita. Todos eles têm como intenção fazer-nos retornar ao estado de silêncio mental que se pretende atingir com a meditação, e que se torna difícil quando os pensamentos quotidianos se intrometem. 

Lokah Samastah Sukhino Bhavantu, é o meu mantra preferido. Significa: "Que todos os seres sejam felizes e livres; e que os meus pensamentos, palavras e acções contribuam, de alguma forma, para a felicidade e liberdade de todos". Uma vez assimilada a mensagem do mantra, não é necessário repetir esta frase inteira, e muito menos focarmo-nos na sua correcta pronunciação. Se a repetição exigir esforço mental perde-se o objectivo de retornar ao silêncio da mente. O mantra serve apenas para acalmar os pensamentos "invasores", fazendo com que a mente se foque, "vibre", numa frequência bonita, como é a do pensamento na felicidade e liberdade gerais. Então repetir uma das palavrinhas (com o sentimento naquilo que o conjunto significa) é poderoso o suficiente. 

Se mesmo a repetição de uma palavra única exigir demasiada atenção, vale a pena procurar um mantra verdadeiramente cantado, que possa ser usado como música de fundo à qual retomaremos quando o pensamento vaguear. Sem surpresa o mantra do buda da medicina está no meu top de preferências (a sério, ouçam*), mas há inúmeros outros que vale a pena serem explorados. O youtube é, como sempre, a fonte perfeita. 

Boas descobertas!



*May the many sentient beings who are sick, 
Quickly be freed from sickness. 
And may all the sicknesses of beings
Never arise again.


quinta-feira, 5 de março de 2015

5 interpretações equivocadas sobre meditação


Meditar tornou-se parte importante da minha vida, numa altura em que precisava acalmar os pensamentos. Sempre me foi característico ter cento e trinta e sete pensamentos ao mesmo tempo e, como tal, parecia-me que se tal acontecia é porque devia conseguir lidar com todos eles ao mesmo tempo. O nosso cérebro é um processador de informação extraordinário, mas não vamos exagerar. Pensamentos múltiplos só servem para criar ansiedade e deixar-nos nervosos com a quantidade de coisas com a qual (aparentemente) precisamos lidar.

Os raros posts que escrevi sobre meditação encontram-se entre os mais lidos deste cantinho. Pelo interesse mostrado e por eu gostar tanto do tema, tentarei falar dele com mais frequência do que até aqui. Para começar, aqui vão algumas opiniões sobre o que é, e não é, a meditação, na minha experiência pessoal:

1. Meditação vai aproximar-me da religião. 
Se é esse o objectivo com que te propões a meditar, é provável que saias frustrado(a). Espiritualidade e religião são conceitos tão diferentes que nem cabem no mesmo parágrafo. A meditação vai, por certo, aproximar-te mais do melhor que vive em ti, e vai deixar a claro características que nem sabias que tinhas. Este processo pode parecer meio assustador, mas na realidade é muito libertador. 

2. Meditação só é útil para quem se sente psicologicamente mal. 
Apesar da meditação ter de facto um papel positivo no caminho para a serenidade, há inúmeras vantagens em meditar quando nos sentimos bem. A maior é, provavelmente, a facilidade com que nos sentimos bem connosco e com a nossa vida, sem que nada tenha efectivamente mudado. Para além, claro está, do novo olhar que conquistamos sobre a vida (sabe-se lá como. É o mais próximo a magia que conheço, na vida real).

3. Meditação consiste em estar quietinho de olhos fechados. 
Não é bem assim. Apesar dessa ser a imagem registada por quem observa, no interior de quem medita há muita actividade. O objectivo inicial é não pensar em coisa nenhuma, de forma a que o espaço seja preenchido (geralmente de forma surpreendente). Se for complicado afastar os pensamentos do trabalho, da casa, dos afazares, ..., o mais fácil é focar o pensamento em alguma coisa, em jeito de observação. Há quem se concentre na sua própria respiração. Eu prefiro imaginar o meu cérebro por dentro (ei... formei-me em neurofisiologia, a minha esquisitice merece um desconto). Não há regras. Eventualmente a imagem em que nos focamos vai dar lugar, sem que saibamos bem como, àquilo que nos transformará. 

4. Sou demasiado activo(a) para conseguir meditar.
Meditar não exige que gostemos de estar queitinhos, sem mexer. Pessoas activas têm tanto a beneficiar com a meditação quanto as outras. E podem fazê-lo tão facilmente quanto elas.

5. Preciso de umas férias, um mosteiro e três monges para aprender a meditar.
Como referi no ponto 3, meditar é mais fácil do que parece. É uma questão de método. Decidir ficar 10 minutos, sem interrupções, num lugar tranquilo, a tentar distrair a mente dos pensamentos mundanos. Com o treino vem a mestria. 10 minutos são suficientes para começar. Cinco. Um. Desde o momento em que se toma a decisão de treinar para conseguir, dá-se início à aventura. Sem pressas, nem expectativas. Vai valer a pena a espera. E não há nada que te prepare para o que aí vem.

Boas meditações!