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quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Medos irracionais




Ninguém merece acordar para um duche revitalizador e terminar a fazer equilibrismo nas laterais da banheira, porque uma aranha gigantesca achou por bem dar o ar da sua graça. Tentei afogá-la, sem dó nem piedade, e fazer com que se perdesse pelo ralo abaixo, mas era demasiado gorda para passar pelos furos (!), mesmo quando se transformou numa bolinha.

Felizmente percebi que tinha companhia apenas no final do duche, senão teria ido com bolinhas de sabão no cabelo para a reunião. 

Ela faleceu. Mas parece-me que vou ter de chamar os bombeiros para tirar o ser dos infernos da minha banheira de onde fugi. onde o deixei para não me atrasar.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Sobre a doação de medula óssea


O tópico é relevante e salva vidas. No entanto, custa-me ler por essa blogosfera que pessoas que, sendo compatíveis, não dão medula óssea são mal informadas, mal aconselhadas ou, mesmo, sádicas. 

Vamos lá ver, de forma muito simplificada: o processo de confirmação de compatibilidade genética não custa nada. Retiram-se cerca de 5 ml de sangue que servirão para fazer os testes entre dador e pacientes. Fácil, fácil (da perspectiva do dador). As complicações começam quando se trata do processo de dádiva de medula. A dádiva implica: 
- anestesia (não raras vezes: anestesia geral que traz riscos acrescidos);
- pequenas incisões na pele, sobre o osso pélvico, onde é introduzida uma agulha especial para recolher um litro de medula. 

Quando tudo corre bem entre os efeitos colaterais encontram-se: dor (de vários dias a alguns meses), fadiga, rigidez no andar, e sangramento no local da recolha (porque as incisões geralmente não requerem pontos). 

Ainda que a maioria dos dadores recuperem completamente em algumas semanas, cerca de duas pessoas em cada cem tem complicações sérias quer devidas a dano no osso, nos nervos ou no músculo daquela região. Há também os problemas que podem decorrer do uso da anestesia local ou geral.

Não devemos julgar uma pessoa que tendo um dia pensado ser capaz de ajudar, se recusa num momento específico da sua vida a avançar. Porque uma coisa é corrermos todos os riscos para salvar alguém que amamos, outra coisa é amar um desconhecido ao ponto de colocar a nossa saúde presente e futura em risco. O amor move-nos nas duas situações, mas se na primeira estamos completamente cegos relativamente aos riscos, na segunda situação ponderamos, a menos que sejamos completamente inconsequentes, sobre a nossa realidade profissional e pessoal (quem temos sob a nossa responsabilidade e se o nosso gesto altruísta relativamente a um desconhecido pode afectar a(s) pessoas(s) que dependem  de nós no caso de alguma coisa correr mal).

E hoje em dia, quando os salários das famílias portuguesas parecem reduzir-se todos os meses (porque o governo decide ou porque mais um membro do agregado familiar foi despedido) até as duas a três semanas de recobro são mais do que algumas famílias podem suportar. Um trabalhador que faz uso da sua força física (como um trabalhador das obras, por exemplo) pode ficar umas semanas com dores, pequenos sangramentos e rigidez corporal, sem ver o seu emprego comprometido? (E se tiver um acidente na rua durante o tempo de recuperação, tem maior probabilidade de morrer?) Pode arriscar ficar com danos permanentes, se um nervo for afectado? E nessa situação os filhos passariam fome? Ele mesmo, o seu futuro, seria afectado? Sendo a resposta "é uma possibilidade de cerca de 2% [o risco de acidente na rua não entra nesta percentagem]", é expectável que a pessoa se assuste e precise de mais tempo para decidir o que fazer  -- não dando o "sim" imediato que o doente e a sua família tanto aguardam. Atirar pedras a essa pessoa, especialmente sem conhecer os motivos que a fazem recuar, parece-me injusto.

"Com a mesma rapidez com que julgas, serás um dia condenado" li um dia algures. 
E acredito neste pensamento.

sábado, 26 de janeiro de 2013


O ambiente de casa encanta-me. O aconchego e o conforto de casa passam também pela cozinha. O espaço quer-se funcional, rico em cor e aromas vindos de comida caseira e refeições partilhadas -- com a família e com os amigos. 

Percebo que ando a trabalhar demais quando... abro a porta do frigorífico e vejo o interior esmagadoramente branco. Que visão deprimente.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Da ajuda à aprendizagem


Os pais estão cada vez mais empenhados em estimular a inteligência dos filhos. A decoração dos quartos infantis pode ser uma forma divertida de o fazer, mas no processo alguns pais tornam-se descuidados. E o resultado pode ser apenas a confusão na mente da criançada. Atentem nestes exemplos:



Que abecedário é este? Ah, é arte. Não, é só desorganizado.

E o que dizer deste tapete? 

Estes quadros simples e objectivos (e provavelmente mais baratos), não ajudariam muito mais?



"Pintei em preto todo o quarto do miúdo para que ele soubesse que existem planetas à solta no universo e que os astronautas são maiores do que eles." Somos os maiores.


Esta parede é tão espectacular que nem sei por onde começar.



Neste quarto o jogo de cores é muito giro e o tamanho relativo dos planetas (e do despromovido Plutão) parece acertado. Mas os planetas não estão identificados, a distância entre eles (e já agora a proximidade ao Sol) não é aquela e a ilusão de que estão alinhados e estáticos também não ajuda a que as crianças aprendam o básico só de olhar. 



Apesar de manter o problema das distâncias e tamanhos relativos, esta representação cumpre os requisitos mínimos para apelar aos míudos: é colorida e informativa.

Pequenas escolhas, grandes ajudas.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Deixem os miúdos brincar!


No outro dia ouvi parte de um debate sobre métodos de ensino em Portugal e a utilidade dos trabalhos para casa. Os defensores dos trabalhos para casa não se cansavam de repetir o aumento do tempo de interacção entre pais e filhos como argumento a favor. E eu só pensava na infância triste que devem ter tido.

O que eu entendo por interacção e tempo de qualidade passado entre pais e filhos é uma coisa bem diferente do que estar em frente a um caderno e um livro depois de várias horas diárias dessa mesma actividade, por parte da criança. A isso chama-se sedentarismo infantil. Interacção, para mim, tem de ser ao nível da conversa e gargalhadas, correrias, saltos e jogos das escondidas

Tive a sorte de sempre me sentir na escola como um peixe na água. Mas apesar da tranquilidade com que evoluí no percurso escolar, trabalhos para casa sempre foram para mim a única consequência (negativa) de frequentar aquele espaço. A esmagadora maioria das vezes não os fazia. E o motivo, era o seguinte:

Se eu sabia a matéria: os trabalhos de casa eram apenas uma forma de eu ter menos tempo para brincar -- brincar também estimula a inteligência, senhores. 
Se eu não compreendia a matéria: nem me cruzava o pensamento pedir a ajuda dos meus pais. Os meus pais incitavam-me a ser activa nas aulas: "Não deves sair de uma aula com dúvidas". Pelo que eu sentia que se tivesse cedido à tentação de não questionar alguma coisa por preguiça, então a responsabilidade de corrigir o erro seria minha também. Além disso, aquela ideia de escrever qualquer coisa apenas para mostrar que tentei nunca me agradou: serviria apenas para criar memórias erradas de resolução de uma questão a que eu não sabia dar resposta.

Portanto, na minha opinião os exercícios de qualquer espécie devem ser feitos na aula, na presença do professor, para que qualquer dúvida no método a aplicar seja imediatamente esclarecido pelo docente.  No caso do professor querer incentivar o gosto pela matéria, os trabalhos deveriam ser OPCIONAIS. 

Em casa, os míudos devem brincar e cumprir as actividades definidas pelos pais, pode ser?

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Mensagem aos joggers iniciantes


Por favor parem de correr no cimento dos passeios e no asfalto das estradas (ainda que o asfalto seja ligeiramente melhor do que o cimento). Doem-me as articulações só de vos ver 'saltar' em cima das vossas. 

Devem correr em terrenos que absorvam o impacto de terem o vosso peso a cair, a cada passada, em cima das articulações. As cidades estão a investir em parques públicos, dêem-lhes preferência. Corram nos pisos avermelhados ou directamente em cima da relva. A terra batida é melhor que o asfalto e o cimento, mas quando fica demasiado "apertada" também não é a melhor das ideias. 

Olhos postos nas cores da bandeira nacional: vermelho e verde para correr.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Coisas que me fazem rir


Começou o ano e com ele as resoluções de que é necessário comer melhor, mais saudavelmente. Afinal somos o que comemos. E, sendo verdade que a alimentação faz um mundo de diferença na nossa qualidade de vida, sempre que escuto aquela frase lembro-me da resposta dada no engraçado cartoon acima: 

"[Nesse caso] Tenho de comer uma pessoa magra".

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Problemas de 1º mundo



Frutas. Adoro-as. De todos os géneros, a qualquer hora do dia. 
Mas as romãs arruinam as unhas de qualquer um. E como tal passei a come-las de luvas de látex calçadas (e como eu acho este verbo mal pensado só eu sei...).

Mas a minha pessoa ainda não recuperou do desgosto. A fruta assim não tem a mesma piada. Alguém sabe um truque infalível para nos livrarmos da cor que a romã deixa nas unhas por dias e dias?