Vamos recuperar a rúbrica "Pergunta à ABT"? Perguntem coisas.
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segunda-feira, 2 de março de 2015
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
Momento introspectivo do dia
O Serginho convidou-me a dar continuação a esta iniciativa, e eu aproveitei a ocasião para me dizer viva e a respirar. Ora então, desta vez o desafio consiste em responder a umas perguntinhas pertinentes e passarmos a batata-quente a [11] outros bloggers. De preferência, fazendo novas questões.
As questões são as que se seguem:
1. Qual é a música que te deixa feliz sempre que passa no rádio sem que estejas a contar?
Upside down de Jack Johnson. Não só porque gosto da tranquilidade/boa-onda que transmite, mas também por passar tão raramente. Por mais que goste de uma música, não consigo ouvi-la constantemente, como as estações de rádio parecem querer.
2. Com que celebridade (viva ou morta) gostarias de ter uma conversa?
Com o Richard Feynman.
3. O que lhe perguntavas?
Como explica o fenómeno de quantum entanglement, naquela forma factual mas inacreditavelmente envolvente, característica do discurso dele. Também gostava de saber se se arrependeu de trabalhar no projecto da bomba atómica, quando se apercebeu da dimensão dos estragos.
4. Qual foi o pior piropo que já mandas-te, sabes como é aqueles em que queremos ser engraçados mas calha muito mal...
Cabe-me dizer que piropos e comentários indecentes são coisas completamente diferentes, para mim. Não cabem sequer na mesma categoria. Defino "piropo" como um elogio simpático e corajoso de alguém que não conhecemos, num momento não-ideal, 'inventado' para o efeito. Feito o esclarecimento: Na minha visão romantizada do mundo, as meninas recebem piropos, não mandam. Portanto ajo em conformidade.
5. Qual o piropo mais piroso que te mandaram?
O piropo mais piroso que já recebi, num sentido romantico-esforçado, foi: "Só tens um defeito: não ser casada comigo". Mas rivaliza com um trecho da música "Princesa", de Boss AC, de uns trolhas no meio do expediente, que teve tanto de piroso quanto engraçado (mas eu mantive a minha straight face).
6. Qual é a pior faceta da Blogoesfera?
A pior faceta da Blogosfera é a facilidade com que se criam personagens.
7. Que blogger gostarias de conhecer pessoalmente?
Para além dos óbvios 'chegados', que se encontram em quase todas as caixinhas de comentários deste blogue, gostava de conhecer a Catarina, que é de uma doçura e simplicidade ímpares.
8. Preferias morrer como um herói ou viver como um cobarde?
Depende da situação. Se a possibilidade de morrer num acto heróico por outrem que conheço mal/não conheço colocasse em causa a estabilidade daqueles que amo, provavelmente não arriscaria. Se o acto heróico se destinasse a salvar aqueles que amo, agir seria uma necessidade (portanto, não sei se o termo "heróico" se aplicaria). Pergunta difícil esta... De qualquer forma, sou de opinião que em situações extremas agimos por impulso, o que poderia levar-me a bater as botas por um perfeito estranho.
9. Consideras que a eutanásia devia ser legal?
Sim, considero que a eutanásia deve ser legalizada. Considero um ultraje que não tenhamos direito a decidir sobre nós mesmos. Ter direito a tomar decisões sobre o nosso próprio corpo parece-me um direito básico e fundamental. Mas para já, só é legal mandarmos no corpo dos outros.
10. Achas que o mundo vai acabar, ou nós é que vamos acabar com o mundo?
Primeira opção.
11. Fui muito chato?
Claro que não.
E ainda...
1. Como surgiu a ideia de ter um blog? E o nome?
A ideia de ter um blogue surgiu da vontade de voltar a escrever fluentemente na minha língua nativa, sem recurso aos estrangeirismos que se vinham a instalar exageradamente no meu discurso, fruto da longa temporada passada no estrangeiro. O nome foi a consequência lógica da ausência de tópico específico do blogue. Não seguiria nenhuma linha condutora; seria (e é) um blogue de generalidades.
2. O que fazes profissionalmente ou área de estudos?
Sou cientista, na área de medicina regenerativa.
3. Como te definirias?
Definir-me-ia como uma pessoa de sentimentos intensos mas muito racional.
4. O que farias se ganhasses o euromilhões? (que grande cliché :p)
Se ganhasse o euromilhões a principal mudança na minha vida seria o número de horas que trabalharia. Metade do dia seria dedicado à vida pessoal e a outra metade à profissional. Actualmente, parece que a vida pessoal tem de se espremer no tempo gentilmente disponibilizado [para dormir] pela vida profissional. Mas esta seria apenas a primeira de muitas mudanças (não apenas na minha vida).
5. O que adoras/não suportas que te façam/digam?
Adoro abraços. Não suporto que me peçam opiniões e fiquem chateados por a resposta ser imparcial.
6. O que mais gostas de fazer?
Gosto do que faço profissionalmente. No tempo livre gosto de desenhar, de lápis aquarelados, de ler, de nadar em lagos e rios, de acordar cedo num dia de sol, de tomar o pequeno-almoço na companhia daqueles a quem quero bem. Gosto de conversar longamente. Dou-me conta que gosto de demasiadas coisas para conseguir enunciar as preferidas.
7. Não vives sem...?
Não vivo sem internet. Aproxima-me daqueles que estão longe (e tenho sempre alguém muito importante longe). E dá-me acesso imediato a todas as respostas (e eu tenho sempre muitas perguntas).
8. Um objectivo que já tenhas alcançado e do qual te orgulhas?
Os objectivos já alcançados parecem-me sempre pequeninos em relação aos que depois se elaboraram. Mas orgulho-me dos prémios académicos e profissionais que já recebi, porque foram sempre resultado de muito esforço e investimento pessoal.
9. Objectivo/sonho por alcançar?
Trabalhar em medicina regenerativa neuronal. Na verdade, o sonho passa por transformar as paralisias num problema do passado. Nunca tive medo de sonhar em grande :-P
10. Como te imaginas daqui a 10 anos?
Verdade seja dita, quando era adolescente prestava-me a esses jogos de adivinhação com frequência. E nunca, mas nunca, acertei. No entanto, a vida presenteou-me sempre com desígnios muito mais interessantes do que aqueles que elaborava, portanto aprendi a confiar. E quando confiei apareceu-me até a pessoa mais espectacular de todos os tempos -- que eu pensava, já, nem existir.
11. Um segredinho?
Estou a tentar deixar de comer pão há, pelo menos, cinco anos.
Desafio os desafiados a escolher uma série das duas a que respondi, e ainda a responder às questões seguintes (com os respectivos porquês, se se sentirem corajosos):
1. O que mudou, da criança que foste para o adulto em que te tornaste?
2. Quem gostarias de ter conhecido mais cedo na tua vida?
3. Descreve um dia perfeito, actualmente.
4. Que coisa (uma coisa) precisas fazer para melhorar a tua vida?
5. Qual foi o presente mais especial que recebeste nos últimos 5 anos?
6. Qual foi a última vez que fizeste alguma coisa sem pedir nada em troca?
7. Se pudesses reviver um dia da tua vida (sem lhe alterar coisa alguma), qual seria?
8. Quê ou quem te drena energia actualmente?
9. Quando foi a última vez que convenceste a ti mesmo a não fazer uma coisa que, no fundo, querias fazer?
10. (Ainda na sequência da pergunta 9.) Que coisa foi essa?
11. Qual foi o ponto alto do teu dia, hoje?
Estou ansiosa por ler as vossas respostas!
Boa introspecção.
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
quinta-feira, 6 de junho de 2013
Aumento de salário
Eu mereço um aumento mas a conjuntura não permite, é das mais frequentes queixas que ouço em conversa com amigos. Como provavelmente eles são uma boa representação da sociedade, aqui fica a conversa que acabamos sempre por ter e, quem sabe, ajudará mais alguém. Objectivamente encontro sempre dois problemas nestes amigos:
1) Não sabem por que são pagos.
2) Não sabem pedir aumentos.
Vamos por pontos. Há sempre dinheiro para investir nos funcionários que valem a pena. Só nos fazem acreditar que não porque é muito mais fácil orientar na direcção pretendida um conjunto de pessoas que aceita qualquer desculpa por achar que a empresa, de facto, não tem estrutura para premiar os melhores funcionários. Bullshit. Se vocês contribuírem para o aumento de produtividade, haverá dinheiro para vos premiar sim.
OK, aceitando que existe possibilidade de premiar funcionários excepcionais, é preciso fazer o quê para sermos um deles?
Ponto 1: Saber exactamente o que esperam de nós.
Quando começamos um trabalho temos de saber por que motivo fomos contractados. Por quantas "pastas" estamos responsáveis e qual é o rendimento esperado em números -- temos de ter forma de quantificar o nosso trabalho.
Se não sabem estas informações, não só as chefias se vão aproveitar de vocês sempre que possível (adicionando mais e mais pastas de trabalho) como nunca hão-de receber um aumento a menos que o governo os obrigue.
Ponto 2: Pedir aumento:
- Quando estão a fazer mais do que aquilo para que foram contratados:
Não basta entrar no gabinete do chefe e pedir um aumento. A desculpa será a habitual e já está preparada: "Economia (blá blá blá) dificuldades (blá blá blá) mais tarde".
A estratégia passa então por visitar o chefe e relembrar que foram contratados com os objectivos A, B e C, e que as pastas C, D, e E cairam no vosso colo nos últimos [no mínimo] seis meses. Façam questão de garantir que adoraram a surpresa porque a novidade elevou a vossa criatividade e fez-vos descobrir novas áreas de interesse [a menos que tenham detestado alguma das pastas e queiram trocá-la por outra. Nesse caso refiram que pasta gostariam de ver trocada]. Levem números: que nível de produção atingiram em cada pasta de trabalho nova. Tendo em conta os números apresentados [e tendo por base os números esperados, do ponto 1] peçam um aumento. Não há chefe que se recuse a dar um aumento ao pessoal que se mostra motivado a fazer mais e melhor -- e saiba quantificar o que fez (não posso enfatizar este ponto o suficiente!). Não saiam da sala dele sem estabelecerem novas, e estimulantes, metas para os próximos seis meses (ou um ano). Sim... o processo começa de novo.
- Quando o empregador não exigiu mais do que a carga de trabalho inicialmente estipulada:
Neste caso a estratégia passa por entrar no gabinete do chefe e dizer-lhe que se sentem pouco motivados -- ninguém quer um funcionário pouco motivado. Acrescentar que gostariam de participar mais no crescimento da empresa. Perguntar o que é necessário fazer para contribuir (números, queremos números). Durante os seis meses seguintes enviam um email ao chefe a cada objectivo dessa lista que for cumprido. No final dos seis meses, voltam ao gabinete do chefe [que já estará à vossa espera, porque não anda a dormir], fazem a revisão dos objectivos que foram traçados e cumpridos (que não serão novidade, uma vez que enviavam emails), enunciem aqueles cujos valores foram ultrapassados (se foi definido um aumento de 30% na produção, aumentos acima de 35% serão números perfeitos) e terminem com o óbvio: pelo gostaria de discutir um aumento do meu salário. E podem continuar neste exercício, que os chefes terão todo o gosto de patrocinar porque lhe está a trazer lucros, até acharem o tecto do vosso rendimento laboral.
Esta estratégia não só vos dá segurança para não gaguejar enquanto pedem um aumento, como ajudará a que se sentiam realmente mais motivados no trabalho. Trabalhar com objectivos definidos e sucessivamente mais audaciosos é sempre mais estimulante. Boa sorte!
terça-feira, 4 de junho de 2013
Porque não há duas sem três :)
A alegre Suricate endereçou-me um divertido desafio, no contexto do Liebster Award. Aqui vão as regras e as respostas:

Regras do jogo:
Responder a 11 perguntas feitas pela Suricate.
Escrever 11 coisas sobre mim.
Fazer 11 perguntas.
Passar a 11 blogs.
As 11 perguntas da Suri são:
1- Se pudesses viver noutro país, qual escolherias?
A Suíça, como sabem. Aquele país exerce um efeito mágico em mim, difícil de descrever. É a serenidade deles, é a neve nas montanhas em pleno Verão quente, são os lagos, os rios, a segurança, o azul do céu e o Sol sempre presente. É tudo isto e tão mais...!❤
2- O teu maior medo.
Morrer sem vencer os meus medos. E nem sequer estou a ser filosófica...
3- Qual o teu prato favorito?
Sou um bom garfo, pelo que escolher um prato é sempre complicado. Além dos assados no forno, talvez melancia. Hum? Como assim melancia não é uma refeição...?
4- Consideras-te uma pessoa feliz?
Sim :) A vida cuida bem de mim.
5- Mudavas alguma coisa em ti?
Sim, mudava alguns traços de personalidade (até aqui) resistentes às minhas investidas de correcção. Gostava de ser menos ansiosa, por exemplo. Essa característica impede-me de aproveitar completamente tudo o que de bom vive no meu dia-a-dia: o pensamento está demasiadas vezes no futuro.
6- O teu maior sonho.
Eu tenho tantos sonhos, e vou formando tantos outros à medida que caminho, que o mais seguro será sempre dizer que o meu maior sonho é realizar-me pessoal e profissionalmente, e ver aqueles que amo nesse mesmo nível de felicidade. É vago mas verdadeiro :P
7- O que mais detestas numa pessoa?
A incapacidade de distinguir certo de errado, e por causa disso afectar a vida dos outros.
8- Qual o teu local de sonho para férias?
Não tenho um destino preferido, só pessoas preferidas para levar comigo. Neste momento, preferiria um destino quentinho, com águas calmas e tranquilas, um veleiro, paisagens encantadoras e comidinha deliciosa. Grécia seria giro :)
9- O que mais admiras no sexo oposto?
"A inteligência aliada ao bom humor entregues por um sorriso charmoso, sedutor e uns olhos leais!" A Suricate fez a descrição perfeita.
10- O que mudarias se pudesses voltar atrás no tempo?
Faço-me esta questão inúmeras vezes, e acabo sempre por aceitar as opções que fui tomando. Talvez porque a minha vida continua completamente por escrever, não sinto que alguma opção me tenha privado de experiências enriquecedoras que não mais poderei viver. E essa sensação, de que o (meu) mundo ainda gira de acordo com os meus sonhos, faz-me aceitar o presente com serenidade.
11- O que pensas de mim?
Penso que és uma mulher de armas. Que se tornou forte nas adversidades, e doce quando encontrou o amor. Penso-te guerreira mas justa, equilibrada mas explosiva, terna mas decidida. Gosto de ti. Gosto mesmo de ti*
E agora 11 coisas sobre mim:
1. Acredito em impossíveis.
2. Acredito que todos temos um talento muito especial e que só nos realizamos verdadeiramente quando o encontramos.
3. Racionalizo demasiado.
4. As coincidências da minha vida tendem a ser tão intrincadas que fica complicado aceitar que são coincidências (I do believe in magic :P).
5. Venho trabalhando alguns defeitos e a minha paciência tem saído a ganhar bastante com esse exercício.
6. Conheço pessoas maravilhosas com alguma frequência.
7. Quando era pequena e via a novela Malhação, em que os amigos se encontravam no ginásio, faziam aulas divertidíssimas, lanchavam em relvados esplendorosos e partilhavam férias juntos numa chácara encantadora onde aventuras incríveis aconteciam, achava que aquele era o real conceito de felicidade :)
8. Adoro gargalhadas. Espontâneas e altas.
9. Sou mais eficiente sob pressão. Tendo a perder-me em pormenores e a não acabar nunca, se me derem todo o tempo do mundo.
10. Ainda que goste do conforto da empatia, adoro perspectivas diferentes da minha. Gosto de redescobrir o mundo, pelos olhos de outras pessoas (desde que o estejam a partilhar e não a impingir).
11. Estou sempre em busca de alguma coisa. Como diria o Calvin, em Calvin & Hobbes: "A felicidade não me chega. Eu exijo euforia!"
As perguntas que passo aos 11 "cantinhos":
1- Qual a personagem de livro, filme ou série (real ou fictício) que te suscitou maior interesse e porquê?
2- Tens medo do escuro?
3- Há alguém a quem recorras consistentemente sempre que precisas de um conselho?
4- Que aspecto da tua vida poderia mudar para melhor?
5- Que música representa melhor a tua vida (ou parte dela)?
6- Figura pública (viva ou falecida) que gostasses de conhecer?
7- O que te arranca uma gargalhada?
8- Que convicção tinhas na infância, que só mais tarde descobriste não corresponder à verdade? (Para além dos bebés chegarem de air-cegonha)
9- Qual é o teu meio de transporte preferido? Porquê?
10- Se fosses uma árvore onde gostavas de estar plantado(a)?
11- Que música tem capacidade de te animar, infalivelmente?
Os 11 "cantinhos" a quem passo o desafio são os suspeitos do costume (até ao fim dos tempos) e interessantes descobertas blogosféricas:
Lia em (Brand new Start)
Roger em Divagações por uma mente complicada
Leitor em Elas Vistas por Ele
Canca em Partilhar é bom...
Sérginho em Somente Eu
Suricate em Suricate
e ainda:
Poppy em Apontamentos...
Little Star em Barulho das Palavrinhas
Nina em Nina...
Helena em Nove Cores
Margarida em Pedaços de Amor
Beijinho a todos*
quinta-feira, 23 de maio de 2013
O conforto do desconforto
![]() |
| Atentem no filhote de elefante que segue a progenitora, à esquerda :) |
Evitar o desconforto parece uma atitude razoável.
Na realidade, no entanto, o conforto é um inimigo camuflado. Aceitar que há mais cor para lá do círculo que definimos como confortável, dá-nos acesso a um mundo de novas experiências. E experiências diversas sempre nos enriquecem.
Um bocadinho de desconforto fez-me aceitar participar de uma aula de step fortemente ligada à dança. Não só não primo por uma boa memória coreográfica, como não tenho a fluídez inata aos dançarinos -- a aula seria uma perda de tempo e uma exposição dos meus pontos fracos em público. Mas aceitei o meu desconforto e, por associação, o convite. Falhei 90% dos passos, mas diverti-me imensamente. Ri de mim mesma e da minha falta de jeito. Recebi em troca incentivo, truques, dicas e entusiasmo. Esta experiência permitiu-me empurrar os meus limites, alargar o meu círculo de conforto e encontrar aquela que é hoje em dia a minha aula de ginásio preferida.
Não é necessário enfrentar todos os desafios de uma só vez, mas abram a porta à sensação de desconforto. Abracem-na como a um velho amigo. Comecem por uma coisa pequenina. Experimentem introduzir na vossa alimentação um vegetal que não apreciem, uma vez por semana. Não precisa ser muito: apenas uma pequena amostra. Habituem-se à presença do alimento, misturem-no com vários outros. Perceberão que em pouco tempo o sabor não é mais desagradável, é apenas familiar.
Dominar a habilidade de nos sentirmos confortáveis no desconforto dá-nos o passaporte para modificar a nossa vida em todos os aspectos. Podemos vencer a barreira que nos impede de falar em público, de iniciar uma actividade física, de aprender uma nova língua ou a timidez social.
Vitória após vitória, a coragem de empurrar os próprios limites instala-se alegremente.
Take a leap of faith ❤
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Leituras

Adoro ler. Gosto mesmo muito de me perder no tempo com um livro nas mãos. No início interessava-me aprender a escrever tão correctamente quanto possível. Lia tudo aquilo a que as minhas pequenas mãos tivessem acesso. Os meus pais eram os meus dicionários de serviço.
Lá em casa havia uma colecção linda e imponente de seis livros de capa com letras douradas em fundo azul bem escuro, com ilustrações imperiosas: As Mil e Uma Noites. As páginas são únicas ao toque e eu achava aqueles pesados livros um máximo (na verdade continuo a achar). As histórias não são infantis e descobri isso não por as perceber na íntegra, mas quando a resposta a uma das minhas dúvidas foi respondida com a convicção de que: "Não deves ler esses livros... não são para a tua idade". Eu não percebi a lógica da afirmação, já que aquela história tratava de conceitos de higiene. E a esposa daquele sultão não deixava um só centímetro de costas por lavar, ainda que para isso precisasse da ajuda de três escravos! Provavelmente tinha um problema de flexibilidade.
Mais tarde o critério alterou-se. Aprender a escrever correctamente continuava em pano de fundo, mas interessava-me especialmente a capacidade imaginativa dos autores. Histórias fantásticas, com seres que não existem, em lugares de onde a aventura parecia brotar até das pedras da calçada.
Com a chegada dos e-books e da possibilidade de fazer downloads gratuitos (de qualidade duvidosa) percebi que a única coisa que me importa actualmente é o conteúdo (mesmo com gralhas e erros ortográficos). Ainda que continue a preferir livros físicos, o preço não é apelativo e penso que se o livro for realmente bom não é um ebook de má qualidade que vai afastar um interessado de adquirir a obra. Pelo contrário, vai aumentar esse desejo.
Actualmente prefiro a categoria de não-ficção, ainda que as aventuras continuem a exercer um fascínio em mim. Três livros muito giros nestas categorias são:
1) O Dia Em Que a Minha Vida Mudou, de J. B. Taylor
Trata-se do testemunho de uma neurocientista que sobreviveu a um acidente vascular cerebral e conta a história, absolutamente inspiradora, de como o venceu. O poder da mente no processo de cura é mais uma vez exaltado, tema que me interessa de forma muito particular por dois elementos da família, de gerações diferentes, terem vencido formas incuráveis de cancro apenas porque decidiram que iam vencer.
Este livro foi bestseller do New York Times e da Publisher’s Weekly.
2) Comer, Orar e Amar, de Elizabeth Gilbert
É um livro de não-ficção, de leitura acessível, divertida mas profunda, sobre a forma como a autora encontrou paz interior depois de um casamento falhado e de um processo de divórcio complicado. Numa decisão radical decidiu viajar por um ano, sozinha, e viria a viver na Itália, Índia e Indonésia, onde se encontrou consigo mesma. A história é envolvente e leva-nos a questionar até que ponto nos conhecemos.
É um livro ideal para quem deixou de acreditar -- nas coincidências, no destino, no amor, na Vida.
3) The Once and Future King, de T.H. White
Uma clássico sobre o rei Artur e Merlin, imperdível pelo humor, pela leveza, e pela capacidade de nos fazer querer saltar para dentro da história. Infelizmente não encontro uma versão traduzida em português, mas recomendo vivamente a versão original a todos aqueles que leiam inglês.
Obrigada pelo desafio, Canca :) Eu passo o repto, de enunciar um livro de incentivo à leitura e de sugerir alguns blogues para que a iniciativa continue, aos sempre interessantes:
- Lia em (brand new start)
- HSB em homem sem blogue
- Roger em Divagações por uma mente complicada
- Leitor em Elas Vistas por Ele
- Aline Moura em Escritora de Cafeteria
- Nina em Nina...
- Suricate em Suricate
Canca e Somente EU sintam-se convidados a partilhar mais um livro :)
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