terça-feira, 9 de setembro de 2014

Uncracked



Há uma questão que me consome os pensamentos, desde sempre: Somos responsáveis apenas pelo que dizemos ou por ajustar a nossa forma de comunicar de tal forma que possamos ser correctamente interpretados pelos outros? Já acreditei convictamente em cada uma das duas possibilidades de resposta, ao longo da minha vida. Actualmente, acredito em ambas ao mesmo tempo.

Claramente, o verdadeiro significado das palavras é aquele que lhes quisemos imprimir quando as proferimos, e mais nenhum -- independentemente do número de interpretações contraditórias que possam retirar dessas palavras. No entanto, está fora do nosso alcance o controlo sob a forma como diferentes pessoas reagem a determinas expressões verbais. E, precisamente por isso, precisamos ajustar a comunicação de tal forma que possamos ser correctamente entendidos. Por exemplo:

Algumas pessoas sentem-se ofendidas se digo "Que grande mentiroso(a)..." em resposta a um elogio. Outras, compreendendo que é a minha forma envergonhada de dizer "Obrigada, mas não mereço palavras tão exageradas", riem. Posso corrigir aqueles que me interpretam mal e esperar que decorem o "meu código", para que não existam mal-entendidos da próxima vez. Ou posso ajustar aquela expressão para uma outra com o mesmo significado, mas que transmita com mais clareza (a Gregos e Troianos) o que pretendo. Neste exemplo em concreto, permiti-me usar uma expressão sinónima, com recurso a uma palavra que nunca uso e que, exactamente por isso, mostra que estou a brincar: "Que mentideiro(a)...". Resultou; nunca mais fui mal-interpretada. Mas se não tivesse resultado, avançaria para um simples Obrigada.

Desisti de exigir àqueles que me conheciam bem que decorassem os meus códigos, quando percebi que as outras pessoas podiam, da mesma maneira, estar à espera que eu não voltasse a usar uma palavra que consideram (descodificada ou não) negativa.

A verdade é que não podemos ajustar-nos a toda a gente. Alguns não querem compreender, simplesmente. Mas podemos facilitar o trabalho aos outros (àqueles que querem compreender, mas se baralham na interpretação de tantas pessoas, com tantos estilos, diferentes). É um trabalho em constante evolução, que não nos distancia do nosso estilo pessoal, ao contrário do que parece inicialmente. Gosto de pensar que, na realidade, este processo me tem aproximado mais do meu Eu. Ou, de outra perspectiva, do meu eu descodificado.

4 comentários:

  1. Olá querida ABT, :)
    A natureza humana tem estes mistérios e sempre terá, contudo em todo o processo de comunicação há uma coisa muito bonita e de valor sagrado: "a educação"

    beijinhos e boa semana.*

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    1. Ora nem mais, Serginho!

      Beijinhos e um feliz fim-de-semana :)

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  2. Ora aí está!
    Há pessoas que têm a mania de dizer "ah e tal eu sou responsável pelo que digo, não pelo que tu entendes". Não é bem assim. Temos de nos moldar um pouco à pessoa com quem estamos a falar, temos que facilitar o processo de comunicação!

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    1. Precisamente, Roger. Somos da mesma opinião :)

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