sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Coisas que me fazem rir


No país onde vivi não há mar mas não falta água, dada a proximidade aos Alpes. Os habitantes adoram usar os rios, ladeados de relva perfeitamente aparada, como nós usámos a praia -- com a diferença que deixam os seus iphones abandonados nas toalhas como nós deixamos um chapéu, o que sempre me faz sorrir pela informação indirecta que tal confiança fornece sobre o país em questão. 

Dado o estado dos nossos rios, sempre achei que entrar num seria uma experiência que viveria apenas através da imaginação e das histórias de infância do meu pai. Felizmente estava enganada: 
Naquela cidade a qualidade da água dos dois rios (e lago) é tão elevada que é apropriada para beber (!); há escadas nas margens (como as das piscinas) e cordas penduradas nas árvores centenárias para os mais corajosos entrarem ao estilo Tarzan; a temperatura da água varia (no Verão) entre os 19 e os 25ºC e é actualizada no local pelo nadador-salvador de prontidão; há duches (como na praia) muito perto e balneários públicos perfeitamente limpos. E como se estas não fossem já razões suficientes para arrancarem suspiros: a velocidade da água transforma a natação ou os jogos aquáticos em pura diversão. É uma experiência imperdível! 

Certo dia de Verão os meus amigos mais próximos quiseram experimentar as delícias da água noutra zona do caudal, um pouco distante da habitual. Caminhámos na relva até um lugar entre árvores mais cerradas e quando o grupo começou a perder chinelos e t-shirts em direcção à água percebi que era ali que queriam ficar. Acontece que, dos três presentes, eu sou a única que não usa óculos ou lentes. Em contraste, os dois restantes não vêem coisa alguma sem óculos. E isso saiu bem claro quando comecei a ver rabos despidos (e a restante anatomia) passar no meu campo de visão a uma frequência estonteante. O lugar que escolheram era o ponto de paragem dos nudistas, que riam da minha expressão de surpresa e da atitude de completo alheamento dos meus amigos. Mas ninguém nos convidou a despir ou continuar a caminhar. 

Convivemos pacificamente, ainda que com um rubor indisfarçável no meu rosto. 

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