sexta-feira, 28 de março de 2014

Dos sites de encontros


A propósito do post anterior, acabou por se falar de coisas muito interessantes na caixinha de comentários. Várias pessoas têm mesmo essa ideia de que os sites de encontros são lugares onde não reina a honestidade, mas eu não tenho assim tanta certeza.

Verdade seja dita nunca entrei em um, mas conheço pessoas que têm vontade de o fazer e são óptimas pessoas. O problema que têm em comum é o mesmo: são inseguras. E por o serem inventam desculpas sobre porque não conhecem ninguém novo há imenso tempo (e estou a falar de relações de amizade também, não de amor apenas): o trabalho é muito, não têm tempos livres, as outras pessoas parecem interessadas em relações abertas (leia-se: estão em frequências diferentes), a timidez atraiçoa-os, [etc e tal]. E por isso é-lhes mais fácil irem directos ao ponto "quero encontrar um namorado/a, e é mais fácil encontrá-lo num lote de pessoas que também querem encontrar namorado/a". 

O problema disto é precisamente aquele que faz os sites parecerem pouco confiáveis aos olhos de quem não está desesperado em busca de um amor: onde há pessoas frágeis, que se expõem, há aqueles que se vão aproveitar disso. E aí, perde-se todo o sentido de usar essas ferramentas para procurar amor, não é?

Eu não pretendo chocar ninguém com o uso do termo "desesperado", mas parece-me sempre que as pessoas mais zen são as que encontram as suas metades mais depressa. Talvez porque deixam as coisas fluir, as amizades acontecer, sem avaliar neuroticamente tudo a todo o momento -- o que torna a relação esquisita aos olhos dos outros, que acabam por se afastar antes mesmo de se conhecerem convenientemente. 

Exemplo disto é um colega meu, investidor de risco num famoso banco Suíço, que um dia passou meia hora a conversar com uma menina numa festa e a convidou para um conhecimento mais profundo no seguimento da conversa. Soube nesse instante que a rapariga tinha namorado e, furioso, resolveu gritar-lhe: "Então porque raio estás a conversar comigo há meia hora?! Não me faças perder mais tempo" e saiu disparado. O amigo (em comum) que me contou esta história ficou tão boquiaberto quanto ela e desculpou-se como pôde. Hoje é uma história engraçada (no dia em questão não teve graça nenhuma :P), mas acho que diz muito da forma como diferentes pessoas encaram as relações interpessoais. Aliás, curiosamente, a amiga que me falou na sua intenção de usar um site de encontros tem a mesma profissão que o protagonista principal da história acima. Talvez seja o stress de serem imensamente lógicos o dia inteiro que os faz ter esta abordagem tão objectiva, ou a falta de tempo de que tanto se queixam, mas o facto é que não parece correr-lhes bem a procura pela cara-metade. No entanto, ninguém os pode acusar de não serem honestos.

Se confiassem mais em si e dessem tempo ao tempo, tudo seria diferente...

5 comentários:

  1. Olá querida ABT,
    A caixinha de comentários revela muita coisa, :)
    O que acrescentar mais?, saliento a tua última frase: "Se confiassem mais em si e dessem tempo ao tempo, tudo seria diferente...

    Sem os se's a vida era simplesmente maravilhosa e só depende de cada um de nós, :)***

    beijinhos grandes e bom fim-de-semana.*

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    1. Às vezes a parte mais gira dos posts está mesmo na caixinha de comentários, Serginho :)
      Vida sem ses é que me parece complicado acontecer... :P :)

      Beijinhos maiores*

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    2. Olá querida ABT, :)*
      Há pessoas muito especiais nesta caixinha e a magia estende-se por outras partes o Universo é imenso.*

      Em relação à vida sem se's nada é impossível e temos sempre o controlo da nossa vida, uma queda e uma derrota depende sempre e tem efeito ou não do modo como encararmos isso, :)*

      beijinhos ainda maiores, :)**************************************

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  2. "mas parece-me sempre que as pessoas mais zen são as que encontram as suas metades mais depressa. Talvez porque deixam as coisas fluir, as amizades acontecer, sem avaliar neuroticamente tudo a todo o momento -- o que torna a relação esquisita aos olhos dos outros, que acabam por se afastar antes mesmo de se conhecerem convenientemente. " - ora aí está a minha visão. Para já, considero que a paixão tem que surgir de uma amizade. E quando as coisas fluem naturalmente, sabe tão melhor do que indo com aqueles "paleios de engate" e afins...

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    1. Ora aí está uma grande verdade, Roger!

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