Iniciou-se a contagem decrescente para fazer as malas novamente. Desta vez as saudades vão focar-se naqueles que ficam em Portugal -- especialmente nos meus pais. Mas evito pensar nessas saudades para conseguir viver em pleno esta alegria que também sinto, com a partida. Alegria por voltar, de malas e bagagens, a uma cidade que me faz bem, que tem tudo a ver comigo, que me faz sentir em casa tão longe do meu país. Alegria por rever os amigos que fiz e me ajudam a escrever aventuras memoráveis sempre que estão por perto. Alegria por reencontrar uma casa que decorei e, independentemente do número de meses que passo longe dela, continuo a sentir como minha. Alegria porque ele está dentro dela. Porque vamos voltar a cozinhar juntos, a fazer piqueniques no jardim de casa, a dançar descalços no silêncio da noite, a gargalhar juntos até doer a barriga.
Quando esqueço as saudades, agradeço a alegria por ter a sorte de ter dois lares, em dois países distintos. Agradeço a alegria por ter sempre o coração tão cheio que se torna difícil dizer Até já.



