terça-feira, 17 de março de 2015

Da humilhação



Agora está na moda dizerem-se humilhados. Alguém faz uma crítica estúpida e a pessoa visada sente-se humilhada. Nem é preciso ser verdade, basta que seja dito em voz alta e pronto, abate-se a humilhação. Chateados, frustrados, irritados por estarem a ser caluniados, seria compreensível aos meus olhos. Até envergonhados, se a calúnia fosse em público e díficil de provar, naquele momento, de que se tratava, efectivamente, de uma mentira. Mas humilhação é um nível totalmente diferente. Porque, para ser possível, a pessoa visada tem de se deixar humilhar. E só deixa se, ela mesma, duvidar de si naquele momento em que a calúnia acontece. Se se amedrontar, em vez de se agigantar face ao problema.

Um dia um grande amigo tentou beijar-me. Face ao inesperado do que estava a acontecer, reagi tapando os seus lábios com os meus dedos, em jeito de 'Pára'. Disse-me que eu estava a humilhá-lo com a minha rejeição. Mas que raio de interpretação maluca é esta? O que deveria eu fazer para que não se sentisse humilhado? Deixá-lo beijar, e com jeitinho, namorar com ele, talvez?!

Definitivamente, não compreendo a facilidade com que as pessoas usam esta palavra. E enerva-me que não se saibam defender. Acho que fico mais chateada com aqueles que não se sabem defender do que com os idiotas que atacam. O que não me impede de ficar do lado dos primeiros.

domingo, 15 de março de 2015

Design inteligente

Technorama é um centro de ciência, na Suíça, onde crianças e graúdos podem explorar e divertir-se. Por lá perdi-me num jogo de luz e água absolutamente hipnotizante. Numa sala escura podíamos controlar luzes que incidiam num fio água corrente que, independentemente de correr inalterado, parecia assumir todo o género de formas e movimentos. Ora o fio de água se "transformava" (numa ilusão de óptica) em gotas que avançavam contra-gravidade, ora numa série de ondulações divertidas e espantosas.

Desta vez sem ilusões de óptica, o designer Simin Qiu conseguiu unir beleza a funcionalidade com o objectivo de poupar água:


Eu adoptava um mecanismo destes nas torneiras cá de casa, num instantinho.

sábado, 7 de março de 2015

Pergunta do dia


Todos os anos faço algumas sessões de "acompanha a amiga na escolha da roupa da nova estação". E uma vez que a Primavera está já a acenar com algum vigor, começo a preparar-me mentalmente para mais uma destas sessões de compras. Que trazem sempre associadas a mesma conversa. Uma conversa que me faz querer cortar os pulsos: os tamanhos escolhidos.

- Como é que é possível?! Eu nunca vesti um 40, eu sou um 38! 
- Mas não assenta bem, está muito justo. Experimenta esta, acima.
- Nem pensar!
- Mas a peça é linda... experimenta só para vermos como fica.
- Recuso-me!

E acabo sempre meio enervada com as minhas amigas, porque desvirtua-se o propósito de encontrar roupa gira que as favoreça, para passar a ser uma caça ao número que elas querem vestir, o que, convenhamos, é muito mais chato. Who the f*** cares? Podiam dar-me um 48, que importava-me na mesma medida que me importo em vestir uma etiqueta 36. Levo o meu número apenas por referência, para ter por onde começar, mas se achar que a peça acima me vai cair melhor, não só a experimento como a compro, em detrimento do 36, em menos de 3 segundos. Calções são exemplos particularmente bons. Não consigo apreciar calções justos nas coxas, indepentemente da moda querer obrigar-me a tal. Não combina com o estilo que considero elegante. Pelo que sendo impossível fugir destas peças, que invadem todas as lojas, encontro nos tamanhos maiores grandes aliados. Fazer deles inimigos parece-me simplesmente absurdo. 

Meninas (e meninos) que compreendem este fenómeno: expliquem-me o que interessa o número na etiqueta, por favor. Para eu conseguir ser uma amiga mais paciente nesta estação.

quinta-feira, 5 de março de 2015

5 interpretações equivocadas sobre meditação


Meditar tornou-se parte importante da minha vida, numa altura em que precisava acalmar os pensamentos. Sempre me foi característico ter cento e trinta e sete pensamentos ao mesmo tempo e, como tal, parecia-me que se tal acontecia é porque devia conseguir lidar com todos eles ao mesmo tempo. O nosso cérebro é um processador de informação extraordinário, mas não vamos exagerar. Pensamentos múltiplos só servem para criar ansiedade e deixar-nos nervosos com a quantidade de coisas com a qual (aparentemente) precisamos lidar.

Os raros posts que escrevi sobre meditação encontram-se entre os mais lidos deste cantinho. Pelo interesse mostrado e por eu gostar tanto do tema, tentarei falar dele com mais frequência do que até aqui. Para começar, aqui vão algumas opiniões sobre o que é, e não é, a meditação, na minha experiência pessoal:

1. Meditação vai aproximar-me da religião. 
Se é esse o objectivo com que te propões a meditar, é provável que saias frustrado(a). Espiritualidade e religião são conceitos tão diferentes que nem cabem no mesmo parágrafo. A meditação vai, por certo, aproximar-te mais do melhor que vive em ti, e vai deixar a claro características que nem sabias que tinhas. Este processo pode parecer meio assustador, mas na realidade é muito libertador. 

2. Meditação só é útil para quem se sente psicologicamente mal. 
Apesar da meditação ter de facto um papel positivo no caminho para a serenidade, há inúmeras vantagens em meditar quando nos sentimos bem. A maior é, provavelmente, a facilidade com que nos sentimos bem connosco e com a nossa vida, sem que nada tenha efectivamente mudado. Para além, claro está, do novo olhar que conquistamos sobre a vida (sabe-se lá como. É o mais próximo a magia que conheço, na vida real).

3. Meditação consiste em estar quietinho de olhos fechados. 
Não é bem assim. Apesar dessa ser a imagem registada por quem observa, no interior de quem medita há muita actividade. O objectivo inicial é não pensar em coisa nenhuma, de forma a que o espaço seja preenchido (geralmente de forma surpreendente). Se for complicado afastar os pensamentos do trabalho, da casa, dos afazares, ..., o mais fácil é focar o pensamento em alguma coisa, em jeito de observação. Há quem se concentre na sua própria respiração. Eu prefiro imaginar o meu cérebro por dentro (ei... formei-me em neurofisiologia, a minha esquisitice merece um desconto). Não há regras. Eventualmente a imagem em que nos focamos vai dar lugar, sem que saibamos bem como, àquilo que nos transformará. 

4. Sou demasiado activo(a) para conseguir meditar.
Meditar não exige que gostemos de estar queitinhos, sem mexer. Pessoas activas têm tanto a beneficiar com a meditação quanto as outras. E podem fazê-lo tão facilmente quanto elas.

5. Preciso de umas férias, um mosteiro e três monges para aprender a meditar.
Como referi no ponto 3, meditar é mais fácil do que parece. É uma questão de método. Decidir ficar 10 minutos, sem interrupções, num lugar tranquilo, a tentar distrair a mente dos pensamentos mundanos. Com o treino vem a mestria. 10 minutos são suficientes para começar. Cinco. Um. Desde o momento em que se toma a decisão de treinar para conseguir, dá-se início à aventura. Sem pressas, nem expectativas. Vai valer a pena a espera. E não há nada que te prepare para o que aí vem.

Boas meditações!