quarta-feira, 4 de março de 2015

Go home, blogger. You're drunk.


Atentem na data do post anterior: "5 interpretações equivocadas sobre meditação" e digam de vossa justiça.

[edit: Ahh... afinal está bêbedo mas ainda consegue reorganizar os posts de hoje antes dos de amanhã. Interessante.]

Os 5 piores conselhos que já ouvi sobre "como ser feliz"


Toda a gente quer ser feliz. Poucos o são. Mas todos têm conselhos para dar. Esta é a minha lista dos 5 piores conselhos que já ouvi sobre como atingir a felicidade:

1. "Evita a solteirice como a praga". Parece ser pensamento generalizado a impossibilidade de uma pessoa poder ser feliz sem constituir uma dupla. No entanto, é quando estamos sozinhos que descobrimos o que gostamos (mais) de fazer e quais são os pensamentos que nos assombram. Se se explica sem mais palavras o valor de descobrir onde/a-fazer-o-quê somos mais felizes, trabalhar para irradicar o que nos assombra merece umas palavrinhas extra. Não vale a pena esperar que alguém te conserte. Não estás estragado. Só precisas de gostar de ti. E mudar o que não gostas. Se fores feliz sozinho, vais ser ainda mais feliz acompanhado. Por outro lado, se gostares pouco de ti mesmo, namorar é a receita ideal para que te anules de forma a dar passagem passagem à personalidade tão mais interessante da outra pessoa. Esse erro pode custar-te muito caro.

2. "Copia o modelo da sociedade". "Já namoras? Já casaste? Já tens um filho? Quando vais ter o segundo?". Ou então, versão profissional: "Estuda, se quiseres ser alguém. Secundário não chega. Para ser alguém precisas ser doutor ou engenheiro. E precisas conhecer alguém influente."  
O Sr. Steve Jobs é o exemplo mais famoso de que o caminho dos outros pode não ser o mais indicado para nós. Só porque é comum, não significa que é bom.

3. "És como és e não mudes nunca". Estagnar não tem nada de positivo. Devemos se fiéis às nossas convicções e aos nossos sentimentos. Se as convicções e os sentimentos mudarem, as nossas acções devem reflectir essa mudança. A felicidade depende de quão bem nos sentimos relativamente ao que fazemos todos os dias, enquanto parceiros, empregados, patrões, pais, filhos, amigos. Se algo mudou, ajusta a forma como ages. 

4. "Quem nasceu para cão, morre a latir". Ninguém está preso a um destino se tiver intenção de o mudar. Sair da zona de conforto pode exigir espírito de sacrifício e coragem, mas vale a pena para ver a paisagem para além do ambiente do costume. Se os nossos antepassados pensassem daquela forma, ainda hoje estariamos na selva.

5. "Sê realista". É melhor do que ser pessimista. Mas para conquistar a felicidade, geralmente é necessária uma boa dose de criatividade. Porque a felicidade apresenta-se de muitas formas, e geralmente o que é bom para o vizinho do lado não o é, necessariamente, para nós. Não podemos copiar modelos. Temos de ser originais. E os optimistas batem o nível de criatividade dos realistas aos pontos.

Words of wisdom


terça-feira, 3 de março de 2015

A Natureza é bela. Às vezes.

Descobri que os Cucus são uns preguiçosos de grande calibre, que deixam os seus ovos nos ninhos alheios. Como se isso não fosse já mau o suficiente, os pequenos cucus nascem já pequenas sementes do diabo, e encarregam-se de se livrar da concorrência logo que saem do ovo. Reparem como são maquiavélicos estes minorcas depenados:



Também aprendi que os gansos acham que é uma excelente ideia fazer os seus ninhos a 120 m de altura, em ravinas cheia de pedregulhos, de onde os pobres gansinhos têm de se atirar antes de saberem voar. Claro que esta aventura nem sempre corre bem. Depois de 135 pancadas ravina-abaixo, este pequenote chegou inteiro (!).





Já a macacada aprende a ser mãe à custa (da cabeça) dos bebés dos outros. Dizem que as mães aceitam emprestar os filhos porque as aspirantes funcionam na comunidade dos primatas como uma espécie de babysitters. Eu não sou de intrigas, mas parece-me que isto é coisa para os fazer evoluir muiiiito devagarinho:





Uma pessoa quer aprender. Mas estes episódios são autênticos geradores de pesadelos.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Boa viagem!*


Uma das vantagens de trabalhar em investigação é a quantidade de amigos estrangeiros que faço. O meu grupo de amigos mais próximo mistura russos, franceses, suíços, alemães, suecos e espanhóis [além, claro, do americano mais adorável do universo]. Gosto de conhecer-lhes as culturas, tão diferentes da minha, os gostos culinários, o sotaque característico (em português ou inglês, frequentemente as línguas em comum), as perspectivas. Gosto de ir aprendendo a distinguir o que é único neles relativamente a amigos de outras nacionalidades, mas também o que os distingue dos seus compatriotas. 


Uma das desvantagens de trabalhar em investigação é a quantidade de amigos estrangeiros que perco de vista. De vista, literalmente. A amizade permanece via Skype, chat, email. Constante, presente. Mas faz-me confusão não poder ter as pessoas que mais me dizem ao coração à minha volta o tempo todo. Dar-lhes um abraço.

Hoje, a espanhola mais fofinha de todas viaja, no contexto do seu trabalho, para o México. Passará por lá pelo menos três meses. E eu sei exactamente como se está a sentir. A apreensão de se ver sozinha num país distante, num contexto desconhecido. O friozinho no estômago. E só lhe desejo que seja tão feliz quanto eu fui, nas mesmas circunstâncias, na Suíça. 


Boa Viagem, Espanholita! Boa Sorte*

Hoje está a ser assim


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Eu fico sensibilizada...


...pela segurança que querem que as minha subscrição no Pinterest tenha. Mas se vocês continuarem com essa %$&/(, eu mudo de ideias num instante, OK?



quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

O que é que está escrito????


Recentemente identificaram uma múmia dentro de uma estátua budista, que data do século XI ou XII. Coisa por si só espectacular, na minha mente. Mas a múmia é de um monge Budista Chinês, já identificado, cujos órgãos foram substituídos por manuscriptos!

Sinceramente, eu só vejo os manuscriptos, a partir do scan acima, com recurso à minha imaginação. Mas, acreditando em quem percebe do assunto, resta-me perguntar o que dizem os manuscriptos.

Que pedacinho de sabedoria ancestral justificará a substituição dos órgãos de um mestre budista da Escola de Meditação Chinesa, aquando da sua mumificação? 

Notícias como esta fazem-me ter vontade de voar para a Tailândia. Estranho, considerando que o senhor era Chinês e a estátua está actualmente na Holanda. Mas pronto. Fica a nota.


terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

A cidade sem wi-fi



Os hábitos são coisas esquisitas. Levam-nos a fazer coisas que não queremos mais fazer, em momentos que não dão jeito nenhum. Demoram a retirar-se ordeiramente das nossas vidas. 

Prova disso é o facto de eu ser muito mais feliz quando começo os dias sem internet, sem telefone, sem comunicação com o mundo em geral, no entanto dificilmente consigo levar este prazer a cabo. Quando dou por mim já tenho o pequeno-almoço numa mão e o rato na outra. O do computador.

Nos Estados Unidos da América, a oeste de Virgínia, existe uma cidade sem acesso à internet ou telemóveis. (Há telefones fixos, para o caso de uma nuvenzinha de preocupação se ter instalado nessa cabecinha). Tudo por causa de um telescópio de alta-tecnologia que pertence ao governo. Um rádiotelescópio, que serve para ouvir o espaço, em vez de o ver. Preciamos saber que música estão os extra-terrestres a ouvir. Para disfarçar, dizem os cientistas que querem estudar regiões do espaço em que a luz não chega. Mas eu não caio nessa desde que li Contacto, de Carl Sagan.

Pronto, de qualquer forma, é oficial que ali eu seria feliz. Todas as manhãs. 
À tarde logo se via. 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Inês


Se eu morresse esta noite, sem possibilidade de comunicar com ninguém, não teria arrependimentos pelo que não disse. Percebo que, de uma maneira ou outra, sempre fui clara sobre os meus sentimentos e intenções relativamente a todos na minha vida. Pelo menos essa é a minha convicção interna, e se alguém não sentiu da mesma forma, mas não mo disse, o que poderia eu fazer para corrigir a situação?

No entanto, há alguém a quem não disse tudo o que queria. Só percebi que tinha toneladas de coisas para lhe dizer meses depois de já não o poder fazer. E isso ainda me consome.

Pese embora o tanto que amava a minha avó, não tive perspicácia para perceber que nunca mais conheceria alguém semelhante na minha vida e que, também por isso, deveria aproveitar cada instante ao máximo. E daí o tanto que ficou por dizer. Por perguntar. 

Para dizer a verdade, toda aquela perfeição não me parecia tão perfeita assim, na altura. Chegava até a... magoar-me. Queria que se tivesse revoltado, que tivesse esbravejado, que se tivesse protegido muito mais do que fez. Ela levava a sério aquela "história" bíblica de dar a outra face. E essa capacidade inacreditável de ter (realmente) dó da estupidez alheia, em vez de se revoltar contra ela (especialmente quando essa estupidez a afectava directamente de formas inimagináveis), sempre gerou todo o tipo de sentimentos de revolta em mim. Claramente bastante menos evoluída do que ela, eu só tinha vontade de abrir a cabeça ao meio àquele que lhe fazia a vida num inferno. Como não podia, dediquei-lhe apenas a mais profunda indiferença, pese embora as inúmeras tentativas de aproximação que ele sempre levou a cabo. Fomos, por minha vontade, estranhos que conviviam diariamente.

Em vez de me revoltar com as acções dele e com a falta de reacção dela, deveria, como agora, ter ficado fascinada com a sua capacidade de perdoar. E como é possível perdoar a quem magoa tanto aqueles que amamos?

Não ter aprendido mais com a presença da minha avó é, por certo, o meu maior arrependimento. Nunca mais cometi esse erro com pessoas especiais. Nem pretendo.

Se eu pudesse



Se eu pudesse acordar amanhã tendo ganho uma qualidade ou capacidade que não tinha hoje, gostaria que fosse a capacidade de ler extremamente rápido. 

Esta é uma capacidade que se desenvolve, e eu noto que não tenho sido excepção a esta regra, mas há um limite que, parece-me, já atingi. Como a minha curiosidade não tem limites e há sempre alguma coisa que desperta o meu interesse e sobre a qual preciso saber mais urgentemente, estou sempre a tentar ler mais e mais depressa. Ter ali, nas minhas estantes, no conforto do meu lar, os melhores mentores sobre determinado tema, e não poder "ouvi-los" é um desperdício que me custa aceitar.

E por falar em ouvir, os audiobooks também se têm tornado meus grandes amigos nesta saga. Mas também já atingi o meu limite de percepção auditiva resultante do aumento da velocidade de reprodução das faixas. Além disso, com os audiobooks sinto que estou a fazer um compromisso entre o que quero (isto é, aprender no menor espaço temporal possível) e o que gosto (neste caso, gostaria de apreciar a voz e o trabalho de variação vocal, enquanto aprendo). E este compromisso não me deixa apreciar inteiramente a mensagem.

Então, venha daí o génio da lâmpada que lê este meu desejo. Vá lá, não sejas tímido.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Conflitos internos


Ser famoso deve ser muito chato. Ter constantemente conhecidos e desconhecidos a respirarem-nos para cima do pescoço. Intrometidos, curiosos, fofoqueiros, interesseiros e fanáticos em constante ronda. Não poder ter vida pessoal. Ter dificuldade em ir ao cinema ou jantar num lugar público, sem ter uma dúzia de flashes a estragar a luz ambiente.

Viver desta forma, depois de dar à sociedade o suficiente para justificar a fama, parece-me um castigo injusto. Felizmente, na minha área profissional é muito difícil despertar tal nível de interesse alheio. Digo felizmente porque a minha vontade de contribuir é muita, mas a minha capacidade de abdicar de viver de uma forma que considero mais íntima, bonita e saudável é muito pequena. E um conflito entre o que quero e o que estou disposta a abdicar para o atingir, não poderia contribuir para nada além de uma dificuldade imensa em realizar-me.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Vamos jantar?



Se pudesse escolher qualquer pessoa da actualidade para partilhar um jantar comigo, teria alguma dificuldade em escolher alguém. Tenho curiosidade relativamente a tantos assuntos, que pensar em apenas uma opção seria quase doloroso: sofreria mais por aqueles que não escolhi, do que aproveitaria a alegria oferecida pela presença do escolhido. Tolo, eu sei. Tenho de trabalhar esse aspecto de personalidade.

Gostava de ter oportunidade de conversar com o Papa sobre religião. Nunca fui religiosa, apesar de ter sido baptizada e ter feito a primeira comunhão. Precisamente pelo que me foi ensinado nas aulas de catequese, sempre tive uma curiosidade enorme em entender o porquê de alguém acreditar em Deus. Apesar de várias tentativas, nunca ninguém parecia interessado em responder-me verdadeiramente. "Porque sim" e variantes desta resposta levaram-me a compreender que muitas pessoas sentem-se ofendidas quando se questiona a sua fé. Nunca conheci ninguém que conseguisse falar sobre isto sem se sentir atacado pelas minhas perguntas (simplesmente curiosas, sem julgamento), o que sempre interpretei como uma coisa absolutamente estranha. Eu adoro falar daquilo que me apaixona. 

Acredito que o Papa Jorge Bergoglio (mais conhecido por Papa Francisco) é o tipo de pessoa que adora este tipo de conversa. A potencialidade de compreender a convicção de um religoso sem medo de perguntas, fascina-me.

Mas também gostava muito de conhecer o escritor e palestrante Anthony Robbins, que sem curso superior algum, demonstrou que somos tão fortes em determinado tópico quanto nos interessarmos por estudá-lo sem pré-concepções, de mente aberta. Especialista em evocar superação de fobias em minutos e em modelar comportamentos de sucesso conquistou reputação e respeito, até de entidades médicas que inicialmente o atacavam sem dó nem piedade. Por este trabalho de sucesso, nas últimas décadas trabalhou com inúmeras personalidades do mundo político, militar e desportivo, pelo que seria uma fonte inesgotável de conhecimento e entretenimento ao jantar. 

Claro que haveria sempre a possibilidade de me desiludir enormemente com alguém, apesar da admiração que agora lhes guardo. Que o diga Deepak Chopra, médico endocrinologista, cuja personalidade espiritual e livros de não-ficção sempre me cativaram, até ao momento em que lhe descobri o canal youtube. A forma como interrompe convidados que educadamente discordam da sua perspectiva, e a convicção com se pronuncia em jeito de iluminado espiritual acima de contestação, quebraram completamente a admiração que lhe tinha. Hoje, os seus livros estão encostados numa prateleira, porque o meu interesse e vontade de os estudar morreu.

Pensando melhor, convidar o Jamie Oliver também seria uma boa ideia. Descontraído, divertido. Chef. Com um bocadinho de jeito, enfiava-o na cozinha e preparava-nos o jantar.






terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Mente ou corpo?



Ultimamente uma questão tem consumido os meus pensamentos: se pudesse viver até aos 90 anos conservando apenas a mente ou o corpo que tinha aos 30 anos, qual escolheria?

A mente é o meu maior tesouro. É a partir dela que recordo os momentos felizes do passado, planeio o presente e, de alguma forma, construo o meu futuro. É ela que me permite integrar emoções. E, afinal, não são as emoções que nos movem, que dão sentido à vida?

Mas uma mente sã num corpo limitado, deve ser uma tortura imensa. Não poder concretizar o que a mente solicita e viver a intensidade das sensações físicas, deve ser difícil, muito difícil. Talvez a conservação do corpo me permitisse viver o tão desejado presente. Poderia concretizar actividades que me fizessem feliz, continuamente, ainda que para isso tivesse de abdicar das memórias do passado. Mas talvez isso fosse mais difícil para os outros, os que me rodeiam, do que para mim, na verdade. Porque eu estaria completamente alheia dessa realidade. 

Achei ter encontrado a resposta a esta questão, enquanto escrevia. Mas acho que não. Talvez fosse eu a maior perdedora, porque perderia (dentro da minha própria mente) as pessoas que dão um sentido imenso à minha existência. 

É um sentimento de alívio imenso não ter de responder a esta questão. Não ter de escolher. Nesta realidade em que vivo, cabe-me apenas estimular corpo e mente, para conservar ambos.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Plantar uma árvore, escrever um livro, ter um filho


A vida deu-me inúmeros motivos para ser grata. Mas o meu maior motivo de gratidão são os meus pais. Dizem algumas crenças religiosas que escolhemos os pais que vamos ter e o ambiente que nos vai envolver. Pelo visto, eu escolhi um cenário daqueles bem fáceis. A vida de casal dos meus pais não teve um começo facilitado, mas Amor nunca faltou e com empenho cresceram muito profissionalmente, de tal forma que eu tenho recordações muito vagas de uma vida diferente da de hoje. 

Os meus pais são as pessoas mais equilibradas que conheço. São admiráveis. Apesar das contrariedades, transformaram a minha infância num conjunto de dia felizes. Tão felizes que eu tenho dificuldade em crer que alguém tenha crescido de forma mais feliz do que eu (costumo vaidosamente pensar que possam ter sido tão felizes quanto eu, mas não mais). No entanto, se eu pudesse, mudaria uma coisa na forma como me criaram. Mudaria a protecção excessiva, que me tornou menos preparada para lidar com problemas. Quando os primeiros desafios se atravessaram no meu caminho, eu chorava, revoltava-me e sentia-me impotente. Só depois dessa reacção inicial (que podia durar dias), os genes deles, fazendo-se valer em mim, se 'ligavam' como interruptores automáticos, e eu percebia que podia (devia) lutar. E lutava com uma força que nem sabia de onde vinha, nem porque não se esgotava. Lutava sem considerar desistir, até vencer. E vencia, consistentemente.

À medida que os anos passaram os desafios tornaram-se maiores (acho que os desafios nos parecem sempre tão maiores quanto mais próximos se encontram). Mas eu chorei cada vez menos, face ao impacto do desafio, e lutei cada vez mais cedo para vencer a revolta. E continuei a ganhar. 

Até que esta situação aconteceu. Uma situação injusta, que não se resolvia independente do quanto fiz por merecer que se resolvesse. Uma situação que colocou o meu futuro profissional em perigo eminente, pelo capricho de um poderoso alguém. Um capricho, estúpido como todos os caprichos são, que não cedia. Trabalhei com empenho e fui reconhecida por profissionais independentes de um júri internacional. Mas o capricho daquele alguém não deixava que eu colhesse em solo nacional o reconhecimento que precisava para poder obter o grau académico pelo qual trabalhei.

Entre a escrita de emails com o dedo do meio e o desejo de partir todos os dentes a essa pessoa, considerei desistir. Não me lembro da última vez que desisti de um sonho. Acho que nunca aconteceu. E sei quanto me doeu considerar essa possibilidade, e começar de novo, noutro lugar. Mas continuei a lutar, apesar de tudo. Não sei bem porquê, já que todos os meus esforços se perdiam naquela artilharia pesada de oposição que não dava sinais de ceder. Talvez tenham sido os genes, aqueles genes dos meus pais, que os fizeram lutadores e vencedores. Talvez tenham sido eles que, mais uma vez, se manifestaram em mim. 

E continuei a lutar. Lutei até àquele que era (literalmente) o último dia possível para vencer a luta. E pensei, à medida que os últimos momentos se aproximavam, que estava arrumada. Que tudo ia terminar num silêncio estranho, daqueles que se instalam no nosso coração quando nos parece que o mundo devia parar mas, sem respeito, continua apesar da nossa dor. 

E foi aí que o milagre se deu. O mauzão arrependeu-se. Naquele último momento. Naquele último instante. E pediu desculpa (!). E a luta que eu vinha travando terminou. Terminou, com risos histéricos e foguetes imaginários. E eu voltei a agarrar o meu futuro profissional, o meu sonho, com as duas mãos. Até agora não sei o que o fez sair da minha frente com a sua artilharia pesada e deixar-me seguir o caminho que mereci trilhar. Mas no momento em que o peso do mundo me saiu dos ombros, pensei nos meus pais. Neles, que me apoiaram sempre. Que me inspiraram a continuar, mesmo quando me diziam que eu não precisava continuar a lutar. Mas precisava: por eles. Para me sentir merecedora da minha história e de quem sou filha. 

Por escrito, esse pedaço da minha história foi-lhes dedicado. 
E agora, que já semeei uma árvore e acabo de publicar um livro*, parece faltar-me ter um filho.



*Tese de Doutoramento; compilação de oito artigos científicos internacionais, sete dos quais em primeira autoria.



quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Rise and shine ;)


Já é quarta-feira. A semana está dos diabos, mas nós conseguimos! 
(E um dia absolutamente fabuloso -- que se fez esperar por muitos anos -- está a chegar :-)