Os hábitos são coisas esquisitas. Levam-nos a fazer coisas que não queremos mais fazer, em momentos que não dão jeito nenhum. Demoram a retirar-se ordeiramente das nossas vidas.
Prova disso é o facto de eu ser muito mais feliz quando começo os dias sem internet, sem telefone, sem comunicação com o mundo em geral, no entanto dificilmente consigo levar este prazer a cabo. Quando dou por mim já tenho o pequeno-almoço numa mão e o rato na outra. O do computador.
Nos Estados Unidos da América, a oeste de Virgínia, existe uma cidade sem acesso à internet ou telemóveis. (Há telefones fixos, para o caso de uma nuvenzinha de preocupação se ter instalado nessa cabecinha). Tudo por causa de um telescópio de alta-tecnologia que pertence ao governo. Um rádiotelescópio, que serve para ouvir o espaço, em vez de o ver. Preciamos saber que música estão os extra-terrestres a ouvir. Para disfarçar, dizem os cientistas que querem estudar regiões do espaço em que a luz não chega. Mas eu não caio nessa desde que li Contacto, de Carl Sagan.
Pronto, de qualquer forma, é oficial que ali eu seria feliz. Todas as manhãs.
À tarde logo se via.













