sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Se eu pudesse



Se eu pudesse acordar amanhã tendo ganho uma qualidade ou capacidade que não tinha hoje, gostaria que fosse a capacidade de ler extremamente rápido. 

Esta é uma capacidade que se desenvolve, e eu noto que não tenho sido excepção a esta regra, mas há um limite que, parece-me, já atingi. Como a minha curiosidade não tem limites e há sempre alguma coisa que desperta o meu interesse e sobre a qual preciso saber mais urgentemente, estou sempre a tentar ler mais e mais depressa. Ter ali, nas minhas estantes, no conforto do meu lar, os melhores mentores sobre determinado tema, e não poder "ouvi-los" é um desperdício que me custa aceitar.

E por falar em ouvir, os audiobooks também se têm tornado meus grandes amigos nesta saga. Mas também já atingi o meu limite de percepção auditiva resultante do aumento da velocidade de reprodução das faixas. Além disso, com os audiobooks sinto que estou a fazer um compromisso entre o que quero (isto é, aprender no menor espaço temporal possível) e o que gosto (neste caso, gostaria de apreciar a voz e o trabalho de variação vocal, enquanto aprendo). E este compromisso não me deixa apreciar inteiramente a mensagem.

Então, venha daí o génio da lâmpada que lê este meu desejo. Vá lá, não sejas tímido.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Conflitos internos


Ser famoso deve ser muito chato. Ter constantemente conhecidos e desconhecidos a respirarem-nos para cima do pescoço. Intrometidos, curiosos, fofoqueiros, interesseiros e fanáticos em constante ronda. Não poder ter vida pessoal. Ter dificuldade em ir ao cinema ou jantar num lugar público, sem ter uma dúzia de flashes a estragar a luz ambiente.

Viver desta forma, depois de dar à sociedade o suficiente para justificar a fama, parece-me um castigo injusto. Felizmente, na minha área profissional é muito difícil despertar tal nível de interesse alheio. Digo felizmente porque a minha vontade de contribuir é muita, mas a minha capacidade de abdicar de viver de uma forma que considero mais íntima, bonita e saudável é muito pequena. E um conflito entre o que quero e o que estou disposta a abdicar para o atingir, não poderia contribuir para nada além de uma dificuldade imensa em realizar-me.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Vamos jantar?



Se pudesse escolher qualquer pessoa da actualidade para partilhar um jantar comigo, teria alguma dificuldade em escolher alguém. Tenho curiosidade relativamente a tantos assuntos, que pensar em apenas uma opção seria quase doloroso: sofreria mais por aqueles que não escolhi, do que aproveitaria a alegria oferecida pela presença do escolhido. Tolo, eu sei. Tenho de trabalhar esse aspecto de personalidade.

Gostava de ter oportunidade de conversar com o Papa sobre religião. Nunca fui religiosa, apesar de ter sido baptizada e ter feito a primeira comunhão. Precisamente pelo que me foi ensinado nas aulas de catequese, sempre tive uma curiosidade enorme em entender o porquê de alguém acreditar em Deus. Apesar de várias tentativas, nunca ninguém parecia interessado em responder-me verdadeiramente. "Porque sim" e variantes desta resposta levaram-me a compreender que muitas pessoas sentem-se ofendidas quando se questiona a sua fé. Nunca conheci ninguém que conseguisse falar sobre isto sem se sentir atacado pelas minhas perguntas (simplesmente curiosas, sem julgamento), o que sempre interpretei como uma coisa absolutamente estranha. Eu adoro falar daquilo que me apaixona. 

Acredito que o Papa Jorge Bergoglio (mais conhecido por Papa Francisco) é o tipo de pessoa que adora este tipo de conversa. A potencialidade de compreender a convicção de um religoso sem medo de perguntas, fascina-me.

Mas também gostava muito de conhecer o escritor e palestrante Anthony Robbins, que sem curso superior algum, demonstrou que somos tão fortes em determinado tópico quanto nos interessarmos por estudá-lo sem pré-concepções, de mente aberta. Especialista em evocar superação de fobias em minutos e em modelar comportamentos de sucesso conquistou reputação e respeito, até de entidades médicas que inicialmente o atacavam sem dó nem piedade. Por este trabalho de sucesso, nas últimas décadas trabalhou com inúmeras personalidades do mundo político, militar e desportivo, pelo que seria uma fonte inesgotável de conhecimento e entretenimento ao jantar. 

Claro que haveria sempre a possibilidade de me desiludir enormemente com alguém, apesar da admiração que agora lhes guardo. Que o diga Deepak Chopra, médico endocrinologista, cuja personalidade espiritual e livros de não-ficção sempre me cativaram, até ao momento em que lhe descobri o canal youtube. A forma como interrompe convidados que educadamente discordam da sua perspectiva, e a convicção com se pronuncia em jeito de iluminado espiritual acima de contestação, quebraram completamente a admiração que lhe tinha. Hoje, os seus livros estão encostados numa prateleira, porque o meu interesse e vontade de os estudar morreu.

Pensando melhor, convidar o Jamie Oliver também seria uma boa ideia. Descontraído, divertido. Chef. Com um bocadinho de jeito, enfiava-o na cozinha e preparava-nos o jantar.






terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Mente ou corpo?



Ultimamente uma questão tem consumido os meus pensamentos: se pudesse viver até aos 90 anos conservando apenas a mente ou o corpo que tinha aos 30 anos, qual escolheria?

A mente é o meu maior tesouro. É a partir dela que recordo os momentos felizes do passado, planeio o presente e, de alguma forma, construo o meu futuro. É ela que me permite integrar emoções. E, afinal, não são as emoções que nos movem, que dão sentido à vida?

Mas uma mente sã num corpo limitado, deve ser uma tortura imensa. Não poder concretizar o que a mente solicita e viver a intensidade das sensações físicas, deve ser difícil, muito difícil. Talvez a conservação do corpo me permitisse viver o tão desejado presente. Poderia concretizar actividades que me fizessem feliz, continuamente, ainda que para isso tivesse de abdicar das memórias do passado. Mas talvez isso fosse mais difícil para os outros, os que me rodeiam, do que para mim, na verdade. Porque eu estaria completamente alheia dessa realidade. 

Achei ter encontrado a resposta a esta questão, enquanto escrevia. Mas acho que não. Talvez fosse eu a maior perdedora, porque perderia (dentro da minha própria mente) as pessoas que dão um sentido imenso à minha existência. 

É um sentimento de alívio imenso não ter de responder a esta questão. Não ter de escolher. Nesta realidade em que vivo, cabe-me apenas estimular corpo e mente, para conservar ambos.