quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Rise and shine ;)


Já é quarta-feira. A semana está dos diabos, mas nós conseguimos! 
(E um dia absolutamente fabuloso -- que se fez esperar por muitos anos -- está a chegar :-)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

sábado, 10 de janeiro de 2015

Matar e morrer pelo que se acredita


[Nota prévia: A liberdade de expressão não libera ofensas gratuitas -- que são, aliás, puníveis por lei: não se pode insultar um cidadão sem que daí nasça uma consequência judicial.]

O humor do Charlie Hebdo é, para dizer o mínimo, controverso. Como insultam entidades que vivem apenas na mente de crentes, os seus cartoonistas não podem ser punidos judicialmente. Mas continuam, mesmo assim, a insultar todos aqueles em cuja convicção tais entidades existem. A luta pela liberdade de expressão baseou-se na necessidade de contribuir para se chegar a uma solução mais equilibrada, mais justa, para todos. Queríamos ter voz para ser ouvidos na mudança do estado das coisas, queríamos que os direitos de todos nós pudessem sobrepôr-se a interesses individuais. Queríamos dizer alguma coisa que fizesse pensar, que incitasse outros a considerar determinada perspectiva, que mexesse com a sociedade, levando-a, em última análise, a evoluir num sentido mais positivo, mais equalitário. E este tipo de cartoon do Charlie Hebdo não representa nada disso:



Estes cartoons ofendem da mesma forma os religiosos que são exemplos positivos para a sociedade e aqueles que usam o seu Deus como desculpa para matar milhares. Usar o símbolo que os une, para ofender apenas os segundos, é injusto e despropositado. E quando se ofende uma pessoa que resolve conflitos matando, espera-se exactamente que essa pessoa faça o quê? Porventura que essa(s) pessoa(s) resolvam os seus desequilíbrios mentais magicamente e aclamem as engraçadíssimas capas?

Estas mortes são obviamente lamentáveis e tristes. Mas não são resultado da luta pela liberdade de expressão, e sim da inconsequência de alguns face à loucura explícita de outros. Os jornalistas decapitados na Síria enfrentaram a possibilidade de tal acontecer, quando para lá viajaram, para que valores mais altos se pudessem levantar: a liberdade e a paz de um povo, possível apenas se o resto do mundo se consciencializasse do que estava a acontecer e se unisse para ajudar. Em contraste, os cartoonistas do Charlie Hebdo encararam a possibilidade de morrer pelo direito a poder publicar capas vulgares e incompreensivelmente desrespeitosas. Se a coragem dos jornalistas que viajam para território de guerra me merece todo o respeito e admiração, a dos cartoonistas parece-me apenas mal direccionada e inconsequente. Perdas absurdas.


domingo, 28 de setembro de 2014

Pinto da Costa



​Ontem o Pinto da Costa deu uma entrevista ao Porto Canal. Não a vi desde o começo, mas vi o suficiente para me perder no que tinha a fazer para ficar, simplesmente, a ouvi-lo. O Pinto da Costa pode falar durante horas sem aborrecer. Pela sua eloquência, por ser tão directo nos seus alvos em vez de usar indirectas cansativas, por enunciar uma lista infindável de itens sobre os porquês de entrar ou não em determinada luta, por ser inteligente e bem-humorado. Agrada-me o facto de não recorrer a cábulas, de saber datas e nomes e locais de memória, e de transformar palavras comuns em histórias que nos prendem a ouvi-lo. A nós adeptos, aos entrevistadores, e a qualquer pessoa que se interesse minimamente por futebol, arriscaria eu dizer. Goste-se, ou não, dele.

Como não podia deixar de ser, falou-se de queixas sobre a arbitragem. E o presidente, que poderia simplesmente referenciar o óbvio (ou mastigá-lo por tempo infindável, porque não faltam exemplos do quanto temos sido prejudicados), optou por falar de um tópico muito mais interessante: do facto do árbitro que apitou o Gumarães-Porto ter descido de divisão no final da época passada e só ter voltado à 1ª liga por repescagem. Não dá que pensar?

Acho interessante considerar o que fará com que um árbitro que foi despromovido pela sua incompetência seja nomeado para um jogo em que se disputa o primeiro lugar isolado, em vez de um árbitro internacional. Por acaso tem lógica... não tem? Mas nós não podemos fazer filmes. Nós temos de ser superiores e ser prejudicados jogo após jogo com a classe que distingue aqueles que não falam de árbitros (a menos que lhes apertem os calos).

Tenho a certeza que seria muito mais cómodo se o FCP não falasse. Mas para já só me cabe dizer que SLB e SCP têm colhido pontos por os árbitros serem humanos, enquanto nós temos ficado sem eles. Mas quando o inverso acontecer (e valha-nos Deus tal acontecer) será por certo pelas queixinhas que fazemos e não pela mesma humanidade dos árbitros. Ser Portista é assim: estar preso por ter cão e preso por não ter. 

E com isto desviei-me do tópico ouvir o Pinto da Costa é sempre interessante. Mas podem sempre espreitar a entrevista no Porto Canal: informação e entretenimento em estado puro.


P.S.: Oh Presidente, venda lá o clube ao Russo para ver se começamos a comprar os melhores jogadores em vez de os vender ;)