Sempre fui dada a sonhar. Talvez por ser filha única desenvolvi desde cedo a capacidade de me entreter sozinha por largos períodos. E nada mais estimulante para um corpo limitado no espaço do que viajar dentro da sua capacidade imaginativa (bom... talvez a leitura possa competir por um lugar no pódio).
Gosto, ainda hoje, de me perder em lugares inventados, com pessoas que conheço e outras cujas personalidades crio de acordo com a companhia que precisava no momento. Não faz sentido nenhum, mas faz-me sorrir. E eu escolho sempre o que me faz sorrir.
Uma imagem que me deixa imediatamente mais serena quando estou a viver um estado de ansiedade é a de uma vinha, com uma larga mesa, farta em comida, família e amigos. É um ambiente que a minha mente associa a Itália (vá lá uma pessoa perceber as associações que cria). Quase sinto o cheirinho das uvas, o pó levantado pelas crianças que correm e as gargalhadas que enchem o ar. E gosto disso.


