Nunca segui
o trabalho da Carolina Patrício Patrocínio [Obrigada Lia e Minimi!*], para lá do que fazia no programa dos desenhos animados da Disney, na televisão nacional. De lá para cá só voltei a ouvir falar dela porque várias pessoas sem
cérebro acham normal ir à página oficial de uma mulher grávida para lhe dizer que tem uma barriga horrível.
Quem é que
em plena posse das suas faculdades mentais acha natural tentar deprimir uma
grávida, em plena formação de outro ser humano? Se algum desses maluquinhos da vida me lê,
aprendam: se não podem ser doces, CALEM-SE. Não precisam dizer "hm, hm,
estás linda" se acham que não está, mas com certeza não precisam atacar
alguém numa fase sensível. Ainda por cima alguém em grande forma física, que é o que se quer e se devia incentivar.
Ah, gostam mais de balões ambulantes na gravidez? Óptimo, nada contra, esteticamente eu também aprecio uma barriga de
grávida redondinha (provavelmente porque foi o que me habituaram a ver!), mas
daí a enviar uma mensagem desagradável a quem está em superior forma
física já revela algum défice de neurónios.
E
depois não lhes chega de lição perceber que o bebé é saudável e que a mãe tem
uma barriga (e restante corpinho) invejável meia dúzia de dias depois do parto. O que é que aquelas pessoas fazem em vez de pensar "Hmm, se calhar estar em
forma é boa ideia"? Vêm à praça pública dizer que a senhora se devia
tapar para não envergonhar as outras recém-mamãs que não têm uma barriga lisa depois
do parto! Esta conclusão brilhante faz-me lembrar da história da senhora que, por fazer exercício, fazia parte do "problema de vergonha corporal da América do
Norte e outras partes do mundo”. Ou seja:
Para não se ofender as pessoas com cabelo frágil, devemos cortar ou tapar o nosso; para não ofender as pessoas gordas, devemos abandalhar o exercício físico ou vestir uma burca; para não ofender as pessoas excessivamente magras, devemos promover a bulimia e a anorexia; para não ofender as pessoas bonitas devemos fazer cirurgias plásticas; e para não ofender as pessoas menos bonitas devemos insistir no uso generalizado da burca. Acontece que como várias destas conclusões são mutuamente exclusivas, se calhar só devemos aprender a valorizar quem somos, aceitando aquilo que não pode ser mudado e trabalhando para melhorar aquilo que pode ser melhorado. E isso inclui fazer exercício físico. Como a Carolina.
Pessoal sem noção que ofende grávidas em forma:
Não insultem mais a vossa inteligência. Ainda por cima em público.

