domingo, 2 de março de 2014

♫ ♫


Tenho uma relação muito estranha com música. Passam-se longas temporadas sem que precise ouvir uma nota sequer; outras vezes não consigo passar sem ela. Não é surpreendente, portanto, que tenha usado pela primeira vez a aplicação de telemóvel que detecta músicas no som ambiente e as converte num título, hoje.

Esta é uma daquelas músicas que me fazem vibrar e nem sei porquê (especialmente ali pelos 2:08 min). E me deixam a pensar em coisas que nunca vivi com umas saudades difíceis de explicar. Esta música chama-se, com toda a ironia do destino, "Someday we'll move to a small farm (and sit and watch the snow fall)". E nestes momentos, em que tudo se conjuga tão perfeitamente que deixa de parecer realidade, sinto-me tentada a acreditar que (deep down) tudo tem mais sentido  do que parece.

 

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Laços que não se desatam






Sempre me entristeceram relações que já não admitem conversas. Relações entre pessoas que um dia foram importantes uma para a outra e que por vontade do destino se separaram, inviabilizando-lhes a capacidade de conviver, mesmo que esporadicamente. Pessoalmente tive a felicidade de não cruzar essa paisagem. Não há ninguém na minha vida pessoal que não mereça um beijo e um abraço quando nos revemos.

Hoje, enquanto falava com uma amiga do coração, dei por mim a entristecer-me com a história que me contava. Um convite de casamento que recusará para não ter de se cruzar com uma paisagem do passado. E entristecem-me as duas perspectivas: a dela, que ainda não recuperou ao ponto de poder reencontrá-lo; e a dele, que perceberá que ela não compareceu por sua causa. Porque é triste, muito triste, impedirmos de viver sem reservas alguém a quem um dia quisemos dar o mundo. 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

A explosão!





De orgulho, de sorrisos, de uma sensação tão boa que nem tem descrição!

E já está ❤ O menino que aprendeu a ler sozinho aos três anos de idade, e que saltou anos na escola, e completou duas licenciaturas na área de ciências ao mesmo tempo, e que toca divinalmente, e dança descalço comigo, acaba de se doutorar com honras aos 26 anos. É assim um pequeno génio (de 1.87 m), o meu amor.


Que aventura fabulosa passamos juntos, entre proteínas no laboratório e braçadas no lago :')  
Nem consigo parar de sorrir tal o meu estado de tolinha-feliz!

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Praxe ou "vai chatear os teus amigos"



Também tenho de deixar a minha opinião num dos assuntos quentes da época: praxe. 
E a minha opinião é muito simples: é das coisas mais estúpidas a que já assisti. Porque praxe, como a conheço, tem piada 5% do tempo e é absolutamente ridícula e humilhante o resto do tempo. Pelo que os momentos raros não compensam a estupidez do período que prevalece.

Rodeada de estudantes de saúde de vários cursos, via caloiros a correr em todas as direcções enquanto os estudantes trajados lhes atiravam ovos (crus e cozidos)  que provocam todo o género de nódoas negras e lesões musculares (por acertarem com toda a força em músculos em contracção). Outros, em pleno outono/inverno, rebolavam por encostas enlameadas e assim ficavam o resto do dia -- sujos, gelados e a espirrar desalmadamente nos dias seguintes. Havia ainda a praxe soft que consistia em insultos (mais imundos do que os que ouço em estádios de futebol) perante uma plateia de quatro e a olhar para o chão por tempo indeterminado; ou na astúcia das meninas trajadas (e invejosas) que cortavam o cabelo às caloiras mais giras. A praxe só tinha graça para pessoas sem a menor sensibilidade, sem capacidade de empatia, e claramente com neurónios em falta. Os caloiros que aceitam estas 'condições de integração' são jovens em formação que precisam ser protegidos da sua própria falta de confiança e assertividade.

Não importa se dizem que a praxe tem como objectivo integrar os recém-chegados, se na prática tem como objectivo subjugá-los. Não me interessa se a intenção é boa, porque de boas intenções está o inferno cheio. Se a praxe fosse boa não haveria necessidade de procurar caloiros como cães de caça à procura das presas; os caloiros procurá-los-iam. Oferecer-se-iam para participar nas actividades que estavam a gerar gargalhadas colectivas. É que ninguém que se vê no meio de centenas de pessoas novas que parecem ser o máximo, foge delas. Pelo contrário. Se a praxe fosse boa os caloiros não se esgueiravam por tudo quanto é esquina.

A praxe como a conheço é sinónimo de coação, não de divertimento. A "Não vou ser praxado/a" segue-se uma chuva de argumentos que visam fazer com que o caloiro se sinta condenado à exclusão social para todo o sempre a menos que aceite reconsiderar. Argumentos espectaculares como aqueles que me dirigiram: "Os outros caloiros não são autorizados a falar contigo" ou "Ninguém é autorizado a emprestar-te apontamentos". Não pude evitar sorrir perante as ameaças. Se alguém não me falasse apenas por respeitar tais ordens: far-me-ia um favor. Um favor na pré-selecção de amigos, porque não me dou bem com pessoas fracas. Felizmente não conheci nenhuma. Em relação aos apontamentos, se os caloiros só conseguiram começar a frequentar as aulas já o primeiro mês de faculdade estava a terminar, como é que era suposto tirarem apontamentos? :P Eu e meia dúzia de gatos pingados ocupamos os enormes auditórios vazios nesse primeiro mês. Mas como não eram os "doutores" -- os tais que ainda não se formaram em coisa nenhuma mas gostam da massagem ao ego -- a pagar as propinas dos meninos impedidos de frequentarem as aulas, estava tudo bem.

Eu sei que não é bonito, mas confesso que não evitei um sorriso de troça quando semanas mais tarde comecei a ver nas aulas de farmacologia (cadeira conhecida pela alta taxa de reprovação) os "doutores". Vi também o dux em mais do que uma cadeira de primeiro ano. Dono de uma dose de matrículas muito acima da média, a presença dele nos auditórios era bem diferente daquela que acompanhava os seus berros fora das aulas -- cabeça baixa, meio enterrado na cadeira. Pelo visto na sala de aula tinha vergonha de se assumir como o estudante mais incompetente aqui da malta, mas fora das aulas isso era motivo de orgulho. Nunca percebi a incoerência. Ou se calhar percebo. A incompetência no campo em que deviam ser bons (no curso!) fá-los ser particularmente maus na praxe, para aliviarem o (possível) sentimento de inferioridade em pessoas que não têm culpa nenhuma.

Bom, tudo para dizer que brincar é uma coisa e praxe é outra muito diferente. Estou certa que se a praxe fosse salutar não estariamos agora a considerar proibí-la.