domingo, 23 de fevereiro de 2014

Laços que não se desatam






Sempre me entristeceram relações que já não admitem conversas. Relações entre pessoas que um dia foram importantes uma para a outra e que por vontade do destino se separaram, inviabilizando-lhes a capacidade de conviver, mesmo que esporadicamente. Pessoalmente tive a felicidade de não cruzar essa paisagem. Não há ninguém na minha vida pessoal que não mereça um beijo e um abraço quando nos revemos.

Hoje, enquanto falava com uma amiga do coração, dei por mim a entristecer-me com a história que me contava. Um convite de casamento que recusará para não ter de se cruzar com uma paisagem do passado. E entristecem-me as duas perspectivas: a dela, que ainda não recuperou ao ponto de poder reencontrá-lo; e a dele, que perceberá que ela não compareceu por sua causa. Porque é triste, muito triste, impedirmos de viver sem reservas alguém a quem um dia quisemos dar o mundo. 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

A explosão!





De orgulho, de sorrisos, de uma sensação tão boa que nem tem descrição!

E já está ❤ O menino que aprendeu a ler sozinho aos três anos de idade, e que saltou anos na escola, e completou duas licenciaturas na área de ciências ao mesmo tempo, e que toca divinalmente, e dança descalço comigo, acaba de se doutorar com honras aos 26 anos. É assim um pequeno génio (de 1.87 m), o meu amor.


Que aventura fabulosa passamos juntos, entre proteínas no laboratório e braçadas no lago :')  
Nem consigo parar de sorrir tal o meu estado de tolinha-feliz!

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Praxe ou "vai chatear os teus amigos"



Também tenho de deixar a minha opinião num dos assuntos quentes da época: praxe. 
E a minha opinião é muito simples: é das coisas mais estúpidas a que já assisti. Porque praxe, como a conheço, tem piada 5% do tempo e é absolutamente ridícula e humilhante o resto do tempo. Pelo que os momentos raros não compensam a estupidez do período que prevalece.

Rodeada de estudantes de saúde de vários cursos, via caloiros a correr em todas as direcções enquanto os estudantes trajados lhes atiravam ovos (crus e cozidos)  que provocam todo o género de nódoas negras e lesões musculares (por acertarem com toda a força em músculos em contracção). Outros, em pleno outono/inverno, rebolavam por encostas enlameadas e assim ficavam o resto do dia -- sujos, gelados e a espirrar desalmadamente nos dias seguintes. Havia ainda a praxe soft que consistia em insultos (mais imundos do que os que ouço em estádios de futebol) perante uma plateia de quatro e a olhar para o chão por tempo indeterminado; ou na astúcia das meninas trajadas (e invejosas) que cortavam o cabelo às caloiras mais giras. A praxe só tinha graça para pessoas sem a menor sensibilidade, sem capacidade de empatia, e claramente com neurónios em falta. Os caloiros que aceitam estas 'condições de integração' são jovens em formação que precisam ser protegidos da sua própria falta de confiança e assertividade.

Não importa se dizem que a praxe tem como objectivo integrar os recém-chegados, se na prática tem como objectivo subjugá-los. Não me interessa se a intenção é boa, porque de boas intenções está o inferno cheio. Se a praxe fosse boa não haveria necessidade de procurar caloiros como cães de caça à procura das presas; os caloiros procurá-los-iam. Oferecer-se-iam para participar nas actividades que estavam a gerar gargalhadas colectivas. É que ninguém que se vê no meio de centenas de pessoas novas que parecem ser o máximo, foge delas. Pelo contrário. Se a praxe fosse boa os caloiros não se esgueiravam por tudo quanto é esquina.

A praxe como a conheço é sinónimo de coação, não de divertimento. A "Não vou ser praxado/a" segue-se uma chuva de argumentos que visam fazer com que o caloiro se sinta condenado à exclusão social para todo o sempre a menos que aceite reconsiderar. Argumentos espectaculares como aqueles que me dirigiram: "Os outros caloiros não são autorizados a falar contigo" ou "Ninguém é autorizado a emprestar-te apontamentos". Não pude evitar sorrir perante as ameaças. Se alguém não me falasse apenas por respeitar tais ordens: far-me-ia um favor. Um favor na pré-selecção de amigos, porque não me dou bem com pessoas fracas. Felizmente não conheci nenhuma. Em relação aos apontamentos, se os caloiros só conseguiram começar a frequentar as aulas já o primeiro mês de faculdade estava a terminar, como é que era suposto tirarem apontamentos? :P Eu e meia dúzia de gatos pingados ocupamos os enormes auditórios vazios nesse primeiro mês. Mas como não eram os "doutores" -- os tais que ainda não se formaram em coisa nenhuma mas gostam da massagem ao ego -- a pagar as propinas dos meninos impedidos de frequentarem as aulas, estava tudo bem.

Eu sei que não é bonito, mas confesso que não evitei um sorriso de troça quando semanas mais tarde comecei a ver nas aulas de farmacologia (cadeira conhecida pela alta taxa de reprovação) os "doutores". Vi também o dux em mais do que uma cadeira de primeiro ano. Dono de uma dose de matrículas muito acima da média, a presença dele nos auditórios era bem diferente daquela que acompanhava os seus berros fora das aulas -- cabeça baixa, meio enterrado na cadeira. Pelo visto na sala de aula tinha vergonha de se assumir como o estudante mais incompetente aqui da malta, mas fora das aulas isso era motivo de orgulho. Nunca percebi a incoerência. Ou se calhar percebo. A incompetência no campo em que deviam ser bons (no curso!) fá-los ser particularmente maus na praxe, para aliviarem o (possível) sentimento de inferioridade em pessoas que não têm culpa nenhuma.

Bom, tudo para dizer que brincar é uma coisa e praxe é outra muito diferente. Estou certa que se a praxe fosse salutar não estariamos agora a considerar proibí-la.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014


E as coisas começam a definir-se. O doutoramento que está a terminar. O elogio dos orientadores que copia o que tantas vezes lhe fiz ["You should be a science writer"], as propostas de (novo) trabalho que se sucedem, e até a nova cidade que pode estar em cogitação. Bem perto daquela que nos aquece o coração, porque uma pessoa não se deve afastar do que lhe faz bem.

Hoje o dia fez-se de muitas vitórias. E eu, confesso, sou toda orgulho.