sábado, 7 de dezembro de 2013

Do Amor incondicional



Foi hoje que ouvi um amigo dizer que Ama incondicionalmente uma mulher. Disse-o ao meu lado, enquanto dividíamos uma garrafa de vinho e uma chouriça assada cortada em fatias pequeninas. Uns minutos antes, enquanto eu procurava desesperadamente palitos na minha cozinha para poder picar a chouriça, ele já me tinha dito que anda um bocado em baixo.
Andar um bocado em baixo e Amar incondicionalmente alguém são duas expressões que normalmente dão as mãos.O Amor sem condições não é Amor, é uma desistência de nós mesmos. Enfim, talvez também seja, no verdadeiro sentido do termo, uma infantilidade.
Digo-o, porque foi com a idade (talvez até tardiamente) que percebi a coisa. Agora só Amo com condições, sendo que a maior condição de todas é ser Amado também. Sem essa condição, o melhor que pode acontecer ao interesse por uma mulher é ser isso mesmo: um interesse, uma investigação, uma eventualidade.
Amar incondicionalmente já me aconteceu. Apercebi-me do erro quando dei por mim a mergulhar esse Amor em alguns copos de vinho, como estes que bebíamos hoje, mas sem chouriça, sem palitos e sobretudo sem amigo ao meu lado. O Amor incondicional é a mesma coisa que a solidão, porque quem Ama sem condições não se faz desejado por ninguém.
O vinho, tal como o Amor, deve ser sempre partilhado. E um amigo com quem dividir uma garrafa é bem mais importante que um Amor impossível.

Bagaço Amarelo 

Da (in)segurança



Recentemente esbarrei-me num casal de namorados. Viriam a sentar-se ao meu lado no avião e chamaram-me a atenção pela conjugação bonita que faziam. Ela tinha um toque especial, motivado talvez pelo cabelo longo e meio descontrolado que embonecava um rosto delicado e muito bonito. O que a fazia bonita desvaneceu-se rapidamente, quando perdeu o sorriso e lhe deu indicação com os olhos para que se sentasse ao lado da janela, deixando livre o lugar ao meu lado.

Uma mulher insegura perde metade do seu charme. Talvez ela o tenha percebido também porque me ofereceu gomas assim que ocupou o espaço vago. 

Concidentemente reencontramo-nos de novo na viagem de regresso. Pela segunda vez, e apesar de não ter reservado o lugar em que me sentaria. Ele conversou comigo dois minutos sobre a enorme coincidência, enquanto ela decidiu não mais levantar o olhar do ecrã, evitando a conversa. 

Eu achei giro ter encontrado as mesmas pessoas naquelas circunstâncias. Gostava de ter podido retribuir a amena cavaqueira sem sentir que estava a ferir o elemento feminino do casal. Talvez no final da viagem tivessemos descoberto aquilo que temos em comum, que nos levou ao mesmo país, na mesma altura, para uma viagem tão curta. Mas a atitude dela obrigou-me a proteger-lhe a insegurança. 

Não sei se as pessoas são felizes assim, a evitar conhecer pessoas novas com medo que os fantasmas da sua cabeça tomem lugar na vida real. Mas acho que não; viver com medo nunca é saudável.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Amo-te muito



Não gosto da expressão "Amo-te muito". Quanto mais a vejo menos gosto dela. Provavelmente não gosto dela porque não a percebo. O que significa? Que aquele que ama escolheu não se conter e ama muito, quando tinha como opção amar pouco? Ou significa que o amor (que agora é muito) foi um dia pouco? E se foi pouco, era amor?

O Amor que me encanta começa com letra maiúscula e é sempre grande. Tão grande que se torna imensurável e portanto dispensa adjectivos.

Um dia disseram-me que Amote fazia mais sentido. Que essa era a distância que existia entre o seu sentimento e o ser amado: nenhuma. Que o Amor quer-se assim: perto, colado, intenso. E eu sorri. Como sempre sorri o meu coração perante amorosa originalidade.

Se um dia me dissessem amo-te muito terminava tudo logo ali. :P

Gosto. Gosto muito ❤




Gosto da areia muito fina e clara. De pequenos-almoços à beira-mar.
Gosto de Rafaellos da Ferrero e de Häggen Dazs de nozes da macadâmia.
Gosto de sol e céu azul em dias de neve. Gosto de chuva no silêncio da noite.
Gosto de música; de pop a jazz, de música sertaneja ao fado. De um espectro ao outro, gosto de tudo o que me fizer sorrir.
Gosto de salsa e foxtrot. Gosto de dançar com ele.
Gosto do Natal. Das luzes, do cheirinho, da família reunida a contar histórias do passado, de pão-de-ló e de pudim caseiro.
Gosto de pinhões. Gosto de lareiras. Gosto de me sentir muito quente num dia muito frio.
Gosto da objectividade da língua Inglesa.
Gosto da forma como ele pronuncia o meu nome.
Gosto de olhos escuros e amendoados. De sorrisos contagiantes. De dentes muito brancos.
Gosto de snickers. Gosto de iogurtes de todos os sabores (mesmo dos naturais); excepto de limão.
Gosto de abraços apertados. De olhar no fundo dos olhos de quem me fala.
Gosto muito de duches. E pouco de banhos; tenho sempre frio.
Gosto de livros. Podem ser ebooks.
Gosto de tecnologia.
Gosto de dizer "OK, google" ao smartphone antes de iniciar a pesquisa e receber o resultado do comando verbal. Faz-me pensar que vivo no futuro que os filmes de ficção científica antecipavam (ainda que não estejamos tão perto assim).
Gosto de receber cartas. Podem ser emails.
Gosto de cinema, de efeitos especiais e de pipocas doces.
Gosto de mantas no sofá. E que o meu cão adormeça com a cabeça no meu colo.
Gosto de gargalhar até me doer a barriga. E de adormecer de coração cheio.
Gosto de jogos colectivos. Gosto de vencer.
Gosto de futebol. Gosto dos treinadores pretensiosos e dos jogadores demasiado confiantes. Fazem-me rir.
Gosto de aprender. De sentir que estou em constante evolução.
Gosto de experts. Daqueles que já sabem tanto que a forma como o transmitem é imensamente simples.
Gosto de itens femininos. De cabelos compridos. E de unhas pintadas em tons muito claros.
Gosto de amores intemporais. De palavras únicas e nunca antes pronunciadas naquela ordem.
Gosto de relva. E de mar, de rios e de lagos. Gosto de nadar.
Gosto de andar de bicicleta. E de caminhos de terra batida.
Gosto de me inspirar nos outros.
Gosto de pessoas que se vestem de forma colorida.
Gosto das perguntas impertinentes das crianças.
Gosto de pessoas que distinguem sinceridade de rispidez e má-educação.
Gosto de pessoas de bem consigo mesmas.
Gosto de carros. Gosto ainda mais de jipes.
Gosto de manhãs ensolaradas. E de ouvir um galo ao longe quando acordo.
Gosto de ciência. De haver uma explicação para o que parece mágico.
Gosto de meditar. Do conceito de espiritualidade e da paz que isso me traz.
Gosto daqueles que estão na minha vida. Principalmente daqueles que ma deram. E dele.
Gosto da minha história. Mudava algumas coisas mas não as suficientes para querer começar de novo.