Recentemente esbarrei-me num casal de namorados. Viriam a sentar-se ao meu lado no avião e chamaram-me a atenção pela conjugação bonita que faziam. Ela tinha um toque especial, motivado talvez pelo cabelo longo e meio descontrolado que embonecava um rosto delicado e muito bonito. O que a fazia bonita desvaneceu-se rapidamente, quando perdeu o sorriso e lhe deu indicação com os olhos para que se sentasse ao lado da janela, deixando livre o lugar ao meu lado.
Uma mulher insegura perde metade do seu charme. Talvez ela o tenha percebido também porque me ofereceu gomas assim que ocupou o espaço vago.
Concidentemente reencontramo-nos de novo na viagem de regresso. Pela segunda vez, e apesar de não ter reservado o lugar em que me sentaria. Ele conversou comigo dois minutos sobre a enorme coincidência, enquanto ela decidiu não mais levantar o olhar do ecrã, evitando a conversa.
Eu achei giro ter encontrado as mesmas pessoas naquelas circunstâncias. Gostava de ter podido retribuir a amena cavaqueira sem sentir que estava a ferir o elemento feminino do casal. Talvez no final da viagem tivessemos descoberto aquilo que temos em comum, que nos levou ao mesmo país, na mesma altura, para uma viagem tão curta. Mas a atitude dela obrigou-me a proteger-lhe a insegurança.
Não sei se as pessoas são felizes assim, a evitar conhecer pessoas novas com medo que os fantasmas da sua cabeça tomem lugar na vida real. Mas acho que não; viver com medo nunca é saudável.



