sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Do tédio


Quando me sinto entediada não partilho com ninguém. Sempre acreditei que esta vida é -- há que admitir -- qualquer coisa de extraordinário; e se consigo sentir-me entediada durante esta viagem é porque eu sou aborrecida, não a vida. E isso é coisa que não gosto de admitir. 

Nesses momentos dou por mim a pensar no que levou o meu cérebro a desligar-se, a querer apenas atirar-se para um sofá a ver séries umas atrás de outras -- como se vendo vidas alheias a ser vividas eu pudesse viver através delas naquele instante. E geralmente as conclusões são semelhantes. Nesses momentos estou a fugir de alguma coisa. De uma tarefa que não quero cumprir, de um sentimento que não quero sentir [e como as saudades me minam...]. 

E não há nada que me desperte mais do que recusar-me a aceitar que não posso fazer nada, e vencer por KO o que me desviou temporariamente de ser feliz.

Das coisas que eu gostava de copiar

Esta dedicatória na tese de doutoramento:


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

"Sempre a aprender e morremos sem saber"


Uma coisa que me agrada muitíssimo nas lides blogosféricas é a oportunidade de ler pessoas que têm opiniões tão diferentes da minha que me acordam para uma perspectiva da realidade que eu não conhecia até então. Hoje, ao ler um post sobre a emoção vi-me num desses momentos AhaDizia o Roger que ter mais coração do que razão significa que é genuíno e que age de acordo com as suas emoções. Mas que gostaria de ser um pouco mais racional, de tal forma que conseguisse encontrar um equilíbrio entre o coração e a cabeça. 

E nesse momento, e apenas nesse momento, eu percebi porque é que tantas pessoas se queixam da sua emotividade. Só nesse momento me apercebi que entendem a razão e emoção como dois lados distintos, desconexos, nas suas vidas. E isso não me faz sentido nenhum. Porque na minha realidade, coração e razão dão as mãos.

A razão encontra-se do lado da lógica, da atenção ao detalhe, e eu preciso dela não só nas tarefas do meu dia-a-dia como nas minhas relações pessoais. Na verdade, o meu coração só se apaixona se depois da atenção ao detalhe a conclusão for absolutamente adorável sobre a outra pessoa. O coração é sempre o reflexo da razão. E isto não me torna incompatível com a etiqueta de romântica que sempre me colam. E talvez isto seja tão novo para alguns de vocês como foi para mim perceber que não é assim para todos nós. 

Agora percebem (se não percebiam) os meus textos sobre amor romântico versus amor-próprio. Percebem porque para mim é incompreensível que alguém se apaixone por uma pessoa que lhes faz mal (física ou psicologicamente), que não é digna de admiração. E é porque coração e razão não lutam na minha vida, ajudam-se. Se a razão traçar um perfil de 'imbecil' a alguém, o meu coração age de acordo. Como se a razão fosse um computador e o coração a impressora. A minha impressora faz o que lhe compete -- traduzir em cor e forma o resultado da computação. Sem computador, a impressora não saberia sequer o que imprimir. 

Mas o facto de ter aprendido que os emotivos tendem a ver coração e razão como adversários em constante batalha, não significa que compreendi o porquê disso acontecer. E eu preciso de um bocadinho de lógica a acompanhar aquela descoberta :) Então, Emotivos, aproximem-se e contem-me tudo. Como é que o vosso coração tem autonomia para contrariar a avaliação da razão e seguir gostando quando não há razões para tal? Quando é que o coração e razão se separaram?

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

A minha definição de: estupidez



Em geral considero-me uma pessoa tolerante. A diferença não me faz confusão nenhuma, faça eu parte dela ou não. Mas uma coisa me irrita: a estupidez. 

Não é fácil achar que alguém é estúpido. Como já abordei de uma forma mais detalhada (aqui), não saber fazer determinada coisa ou não ter conhecimento de determinado evento não é, para mim, sinónimo de estupidez. Pode ser sinónimo de falta de informação, de preguiça, mas nada me garante que a pessoa não seria excepcional nesses mesmos assuntos se tivesse curiosidade em estudá-los.

Estupidez passa, na minha opinião, por avaliar os prós e contras de determinada atitude e, sem motivo de força maior, avançar numa direcção claramente perigosa/que não trará vantagem (vulgo: imbecil). Ou pior: ter um cérebro e nem sequer fazer uso dele antes de avançar em determinada direcção. Como este marmanjo, que achou que era boa ideia pegar num pedaço de carne e abaná-lo em frente a um aligátor de vários metros de comprimento, num terreno enlameado em se enterrava até aos joelhos facilmente. Até ficar sem um braço. [O vídeo do youtube não mostra o incidente, podem ver tranquilos. O facto só é mencionado no episódio completo de que esse pequeno vídeo faz parte, que assisti através do canal Nat Geo Wild]

Situações como esta tornam-me imune a sentir compaixão pelas pessoas envolvidas. E aquele rapaz em particular pode agradecer à vida por ter sido tão modesta na sua lição.