Ultimamente tenho-me dado conta da quantidade de livros que tenho em prateleiras, que não hão-de mais ser lidos. Em geral sou pouco dada a repetições: não gosto de rever filmes, reler livros e até os meus pratos favoritos passam rapidamente para segundo plano. A repetição não me estimula. É um fenómeno que tive de aceitar em mim mesma.
Então, pela primeira vez percebi o desperdício que é ter todos aqueles livros em estantes e resolvi libertar o espaço para novas aquisições. Coloquei-os no OLX para troca por outros livros ou venda por metade do valor a que foram adquiridos, apesar de serem livros novos: sem marcas, sem notas, lidos uma vez e fechados. No fundo senti necessidade que mais alguém os lesse, que não fossem fechados para sempre.
Rapidamente recebi contactos de interessados e foi aí que me apercebi que... eu não queria desfazer-me de parte dos meus livros. Mesmo daqueles nos quais não me revejo mais. Fez-me confusão pegar naqueles livros e ter noção que nunca mais os leria se quisesse. Que os meus filhos (quem sabe) não poderiam ver naquela parte da estante parte da sua adolescência, como eu agora vejo.
Tenho certeza que se tivesse tido oportunidade de trocar os livros por outros que me façam sentido agora, não teria pensado nisto. Mas como toda a gente me oferecia dinheiro, não consegui fazê-lo. E a Inês Pedrosa, a Susanna Tamaro e o Nicholas Sparks voltaram às estantes.








