A simplicidade é uma característica difícil de descrever mas aquela que provavelmente mais me encanta em alguém. A simplicidade a que me refiro não liga a títulos académicos, a posições ocupadas, trabalhos pomposos ou roupas de marca; é fiel a si mesma e trata a todos da mesma forma. Não permite que o tom de voz ou a verbalização das ideias do seu portador saia alterada, independentemente daquele com quem fala.
Este exercício pode parecer simples, mas é por vezes complicado. Se nos movimentamos em dois mundos diferentes tendemos a tentar adaptar-nos àqueles que nos ouvem, muitas vezes sem intenção de sermos quem não somos -- apenas com o objectivo de que a comunicação saia favorecida.
Mas não há nada que bata a beleza que irradia alguém que comunica com elementos de qualquer mundo com a mesma naturalidade. Não uma naturalidade aparente, contruída; refiro-me à naturalidade de quem é tão seguro de si mesmo que não pode evitar ser senão quem é, em qualquer ambiente, em qualquer circunstância, e que por isso mesmo cativa em todos os ambientes e circunstâncias como se tivesse crescido neles.
E estas pessoas brilham tanto na sua própria luz que me deixam inebriada.
Como o senhor que vende sofás que conheci ontem.