As palavras amontoam-se ou organizam-se de tal forma que a mensagem sai obscura ou perfeitamente transparente. E às vezes tudo o que é necessário é organizar as palavras, e consequentemente os pensamentos, para que eu sinta um novo impulso para avançar.
Penso que todos temos perfeita noção que caminhamos para o fim, que cada dia estamos um dia mais próximos desse final. No entanto, vivemos como se não nos lembrássemos, ou como se o facto não fosse suficientemente importante para deixarmos lamúrias de lado e passarmos a aproveitar melhor a viagem.
Neste contexto, há uma sequência de palavrinhas que me abana como nenhuma outra. Não passa pelo "Carpe diem", do inesquecível Clube dos Poetas Mortos, nem pela chamada de atenção para a beleza à nossa volta (que é muita). É tão simplesmente: "O que fazes hoje é importante porque estás a trocar um dia da tua vida por isso".
Aquela frase coloca-me diante do que já sei mas o meu cérebro não parece estar sempre disposto a processar: assim o dia se encerrar, as estrelas contarão todas as oportunidades que estiveram em aberto para mim. E aquele dia, que continha tanto, fica fechado para sempre. Por mais intenso, mais bonito, mais extraordinário que pudesse ter sido, não poderá mais ser vivido. E não há nada que me faça querer orientar o meu dia com mais cuidado do que essa noção.