Ultimamente estou a reler Peter Pan e dei por mim a suspirar pela infância e adolescência, quando parecia ter todo o tempo do mundo para tudo o que me apetecesse fazer -- incluindo as leituras. Entre as folhas desta história já me apanhei a rir sozinha, a falar com o autor em pensamento, e a surpreender-me com o facto de parecer tão claro que o Peter Pan é o fantasma de um menino que morreu. Não estava à espera disso... não foi assim que guardei a história na minha mente.
Mas não é isso que me leva a escrever: dei por mim também a pensar que se tivesse começado a ler mais cedo teria sido ainda mais feliz! Em vez disso os meus pais acharam que fixe fixe era ensinarem-me a tabuada e continhas de dividir e multiplicar de vários algarismos [agora que penso, eu fui torturada...!], pelo que tive de esperar até aos 6 anos para aprender a ler. Se um dia tiver um filho vou ensiná-lo a ler o mais depressa possível.
Ele aprendeu a ler sozinho aos 3, depois de memorizar uma pequena história que os pais sempre liam. Decompondo as palavras em sílabas, associou os respectivos sons à formação de palavras diferentes e quando os progenitores se aperceberam já ele lia Jurassic Park. Uma grande amiga minha, professora primária, contou-me que esse é um método que há muito tem intenção de substituir a tradicional aprendizagem letra-a-letra.
Miúdo, aguarda-me. Nunca te hás-de queixar de aborrecimento.