A meditação não tem muitos segredos. É complicada por ser tão simples -- acho que as nossas cabecinhas se habituaram à multitude de tarefas em pouco tempo. A rapidez com que passamos de uma actividade para outra exigiu pronta resposta do cérebro que, uma vez adaptado, tem dificuldade em abrandar.
A meditação é uma forma de nos ouvirmos. De nos encontrarmos em nós, no silêncio. Quantas pessoas descrevem o estranho fenómeno de terem ideias no duche? Mas em que outras situações se permitem estar sozinhas sem distracções -- como um telemóvel, um comando televisivo ou um computador?
Meditar é abrir espaço para escutar. O som virá de dentro. Às vezes parece que estamos a falar sozinhos mentalmente, outras vezes pensámos na lista de afazeres para o dia seguinte -- a lista de distracções é infinita. Mas tudo o que precisamos é ser pacientes em relação à capacidade de saltar de um pensamento para o outro, mesmo quando queremos abrandar.
No começo é mais fácil prestarmos atenção a algum tópico ou imagem mental em particular. Os mais perfeccionistas chamar-lhe-iam neste caso: Contemplação, em vez de meditação. Eu chamo "caminho para meditar". Eu comecei por fechar os olhos (mas podem mantê-los abertos se preferirem), num lugar tranquilo e silencioso (mas podem ouvir ruído de fundo, se for familiar e vos tranquilizar) e sentar-me numa posição confortável (no chão ou noutro espaço é indiferente desde que mantenham uma posição ergonómica correcta). De seguida foquei num lugar que me faria sentir protegida e tranquila. Para mim foi um jardim. Imaginei todos os detalhes desse jardim. Percorri-o na minha imaginação. Senti-o vívido ao ponto do aroma da relva e o canto dos passarinhos ser bem presente. Imaginei um rio perfeito e calmo, com água curativa. Imaginei que podia respirar debaixo dessa água e explorei o fundo do rio, as cores, as plantas e os animais. Uma vez familiarizados com o ambiente... coisas vão acontecer. Seres vão aparecer.
No começo apareceram animais. Que falavam claro. Resistam à tentação de julgarem o que é dito, de ridicularizarem a vossa imaginação. Simplesmente aproveitem a viagem e divirtam-se. Mais tarde seres, vestidos de branco, deram o ar da sua graça. Claro que assim que vi alguém com uma forma humana corri na sua direcção e fiz mil e uma perguntas. Não me respondiam. Arrisco dizer que me ignoravam. Este foi o maior teste à minha paciência: relaxar ao ponto de já não ser importante que comunicassem comigo. Habituei-me à presença daqueles seres cujo rosto não via de forma definida e continuei a explorar o meu jardim. Encontrei bibliotecas extraordinárias, onde pirilampos me apontavam o livro a desfolhar. Às vezes os livros estavam vazios, outras vezes animados como um filme onde via partes da minha vida e do que parecia ser o meu futuro. Quando eu já não esperava, os seres começaram a falar comigo. Eu escutava-os com maravilhada atenção.
Deixa de ser relevante se o que se passa na nossa mente é real ou uma alucinação, se estamos a comunicar com alguém que existe, quem sabe noutra dimensão, ou se é produto da nossa imaginação. Porque a sensação que trazemos desse lugar é tão perfeita, que vibramos naquela frequência o resto do dia.
Nesse lugar recebi indicações de ideias e projectos no meu campo profissional que viriam a vencer concursos internacionais. Ainda que a minha formação científica me diga que recebi a informação de mim mesma, do meu subconsciente, a sensação de magia não se perdeu e a minha ligação à espiritualidade (diferente de religião) e à unidade, acentuou-se.
Os meus truques e dicas:
1. Vistam roupa confortável e adoptem uma posição relaxante
Quanto menores os motivos de distracção mais eficiente o relaxamento. Se optarem por se deitarem em vez de sentar, é provável que adormeçam. Mas não desmotivem, não é uma corrida contra o tempo, estão apenas a descobrir o que funciona convosco. Se for o caso, da próxima vez sentem-se.
2. Aprendam a relaxar o corpo para conseguirem relaxar a mente mais rapidamente.
Se não for suficiente, podem começar com uma meditação guiada. Há imensos vídeos e áudios online que servem este propósito. Eu sugiro uma pequena busca, para encontrarem a voz ideal. O site:
calm.com é delicioso para começar. Podem alterar o pano de fundo (caso pretendam fazer a meditação de olhos abertos) e os sons que acompanham a paisagem mudarão também. O áudio encontra-se em inglês no entanto. Em português (do Brasil) sugiro
esta meditação guiada escrita pelo médico Brian Weiss.
3. Não julguem
Uma quantidade infindável de coisas estranhas vão acontecer. Estranhas e adoráveis. Não importa se é imaginação ou realidade. Importa que vos faça bem.
Vão ter a sensação que são mais protegidos, que uma série de coincidências tende a acontecer, que são mais pacientes e o mundo é um lugar mais bonito. Em última instância: vão sentir-se mais serenos, mais confiantes e mais ...felizes!
Aguardo as vossas novidades ❤