quinta-feira, 23 de maio de 2013

Meditação: truques e dicas (e a minha experiência)



A meditação não tem muitos segredos. É complicada por ser tão simples -- acho que as nossas cabecinhas se habituaram à multitude de tarefas em pouco tempo. A rapidez com que passamos de uma actividade para outra exigiu pronta resposta do cérebro que, uma vez adaptado, tem dificuldade em abrandar.

A meditação é uma forma de nos ouvirmos. De nos encontrarmos em nós, no silêncio. Quantas pessoas descrevem o estranho fenómeno de terem ideias no duche? Mas em que outras situações se permitem estar sozinhas sem distracções -- como um telemóvel, um comando televisivo ou um computador?

Meditar é abrir espaço para escutar. O som virá de dentro. Às vezes parece que estamos a falar sozinhos mentalmente, outras vezes pensámos na lista de afazeres para o dia seguinte -- a lista de distracções é infinita. Mas tudo o que precisamos é ser pacientes em relação à capacidade de saltar de um pensamento para o outro, mesmo quando queremos abrandar. 

No começo é mais fácil prestarmos atenção a algum tópico ou imagem mental em particular. Os mais perfeccionistas chamar-lhe-iam neste caso: Contemplação, em vez de meditação. Eu chamo "caminho para meditar". Eu comecei por fechar os olhos (mas podem mantê-los abertos se preferirem), num lugar tranquilo e silencioso (mas podem ouvir ruído de fundo, se for familiar e vos tranquilizar) e sentar-me numa posição confortável (no chão ou noutro espaço é indiferente desde que mantenham uma posição ergonómica correcta). De seguida foquei num lugar que me faria sentir protegida e tranquila. Para mim foi um jardim. Imaginei todos os detalhes desse jardim. Percorri-o na minha imaginação. Senti-o vívido ao ponto do aroma da relva e o canto dos passarinhos ser bem presente. Imaginei um rio perfeito e calmo, com água curativa. Imaginei que podia respirar debaixo dessa água e explorei o fundo do rio, as cores, as plantas e os animais. Uma vez familiarizados com o ambiente... coisas vão acontecer. Seres vão aparecer. 

No começo apareceram animais. Que falavam claro. Resistam à tentação de julgarem o que é dito, de ridicularizarem a vossa imaginação. Simplesmente aproveitem a viagem e divirtam-se. Mais tarde seres, vestidos de branco, deram o ar da sua graça. Claro que assim que vi alguém com uma forma humana corri na sua direcção e fiz mil e uma perguntas. Não me respondiam. Arrisco dizer que me ignoravam. Este foi o maior teste à minha paciência: relaxar ao ponto de já não ser importante que comunicassem comigo. Habituei-me à presença daqueles seres cujo rosto não via de forma definida e continuei a explorar o meu jardim. Encontrei bibliotecas extraordinárias, onde pirilampos me apontavam o livro a desfolhar. Às vezes os livros estavam vazios, outras vezes animados como um filme onde via partes da minha vida e do que parecia ser o meu futuro. Quando eu já não esperava, os seres começaram a falar comigo. Eu escutava-os com maravilhada atenção. 

Deixa de ser relevante se o que se passa na nossa mente é real ou uma alucinação, se estamos a comunicar com alguém que existe, quem sabe noutra dimensão, ou se é produto da nossa imaginação. Porque a sensação que trazemos desse lugar é tão perfeita, que vibramos naquela frequência o resto do dia. 

Nesse lugar recebi indicações de ideias e projectos no meu campo profissional que viriam a vencer concursos internacionais. Ainda que a minha formação científica me diga que recebi a informação de mim mesma, do meu subconsciente, a sensação de magia não se perdeu e a minha ligação à espiritualidade (diferente de religião) e à unidade, acentuou-se. 

Os meus truques e dicas:

1. Vistam roupa confortável e adoptem uma posição relaxante
Quanto menores os motivos de distracção mais eficiente o relaxamento. Se optarem por se deitarem em vez de sentar, é provável que adormeçam. Mas não desmotivem, não é uma corrida contra o tempo, estão apenas a descobrir o que funciona convosco. Se for o caso, da próxima vez sentem-se.

2. Aprendam a relaxar o corpo para conseguirem relaxar a mente mais rapidamente. 
Coloquem uma músiquinha suave, em pano de fundo. Eu sugiro sons da natureza ou os suspeitos do costume, que populam no youtube. 
Se não for suficiente, podem começar com uma meditação guiada. Há imensos vídeos e áudios online que servem este propósito. Eu sugiro uma pequena busca, para encontrarem a voz ideal. O site: calm.com é delicioso para começar. Podem alterar o pano de fundo (caso pretendam fazer a meditação de olhos abertos) e os sons que acompanham a paisagem mudarão também. O áudio encontra-se em inglês no entanto. Em português (do Brasil) sugiro esta meditação guiada escrita pelo médico Brian Weiss. 

3. Não julguem
Uma quantidade infindável de coisas estranhas vão acontecer. Estranhas e adoráveis. Não importa se é imaginação ou realidade. Importa que vos faça bem. 

Vão ter a sensação que são mais protegidos, que uma série de coincidências tende a acontecer, que são mais pacientes e o mundo é um lugar mais bonito. Em última instância: vão sentir-se mais  serenos, mais confiantes e mais ...felizes! 

Aguardo as vossas novidades 

O conforto do desconforto


Atentem no filhote de elefante que segue a progenitora, à esquerda :)

Evitar o desconforto parece uma atitude razoável. 
Na realidade, no entanto, o conforto é um inimigo camuflado. Aceitar que há mais cor para lá do círculo que definimos como confortável, dá-nos acesso a um mundo de novas experiências. E experiências diversas sempre nos enriquecem.

Um bocadinho de desconforto fez-me aceitar participar de uma aula de step fortemente ligada à dança. Não só não primo por uma boa memória coreográfica, como não tenho a fluídez inata aos dançarinos -- a aula seria uma perda de tempo e uma exposição dos meus pontos fracos em público. Mas aceitei o meu desconforto e, por associação, o convite. Falhei 90% dos passos, mas diverti-me imensamente. Ri de mim mesma e da minha falta de jeito. Recebi em troca incentivo, truques, dicas e entusiasmo. Esta experiência permitiu-me empurrar os meus limites, alargar o meu círculo de conforto e encontrar aquela que é hoje em dia a minha aula de ginásio preferida.

Não é necessário enfrentar todos os desafios de uma só vez, mas abram a porta à sensação de desconforto. Abracem-na como a um velho amigo. Comecem por uma coisa pequenina. Experimentem introduzir na vossa alimentação um vegetal que não apreciem, uma vez por semana. Não precisa ser muito: apenas uma pequena amostra. Habituem-se à presença do alimento, misturem-no com vários outros. Perceberão que em pouco tempo o sabor não é mais desagradável, é apenas familiar.

Dominar a habilidade de nos sentirmos confortáveis no desconforto dá-nos o passaporte para modificar a nossa vida em todos os aspectos. Podemos vencer a barreira que nos impede de falar em público, de iniciar uma actividade física, de aprender uma nova língua ou a timidez social.  

Vitória após vitória, a coragem de empurrar os próprios limites instala-se alegremente.
Take a leap of faith 


quarta-feira, 22 de maio de 2013

Enjoy the little things


Folhas gigantes. Plantas hidrofóbicas. Paraísos tropicais. Chuva num dia quente.
A alegria infantil de quem tem noção de que o mundo é imenso nas possibilidades que oferece. Nós é que temos medo de sair da zona de conforto.