Ontem passou na televisão uma entrevista/conversa com pessoas que estiveram clinicamente mortas e foram reanimadas. Pessoas em quem, de acordo com o psiquiatra convidado, a actividade cardíaca e cerebral, última fronteira entre a vida e a morte, parou. Mas que regressaram "do outro lado", com histórias coincidentes para contar: o corpo que pairou sobre o lugar onde o seu corpo físico se encontrava, uma túnel de luz e um sentimento de unidade inacreditável.
Uma das entrevistadas contou como chorou incessantemente, por dias e dias, depois de voltar por nunca ter sentido um Amor tão avassalador e uma paz tão grande. Não queria ter regressado, apesar de ter uma vida estruturada e dois filhos pequeninos. Conformou-se com o regresso, pelos filhos, mas nunca esqueceu a experiência que viveu quando estava morta de acordo com os parâmetros estabelecidos pela medicina.
O relato destas pessoas, que ficam tristes por regressar, pode chocar alguns. Eu prefiro concentrar-me na busca que uma das entrevistadoras relatou: queria aproximar-se daquela sensação em vida. E conseguiu: através da meditação.
O período mais fértil, mais bonito, mais intenso, mais profundo da minha vida coincidiu com a fase em que meditava todos os dias por cerca de uma hora. Uma hora, que às vezes se transformava em duas, e parecia sempre dez minutos. Uma hora que começou, efectivamente, por ser dez minutos.
Não deixem de tentar, de experimentar. A sensação é indescritível e imperdível.

