quarta-feira, 1 de maio de 2013

Crónicas da viagem #2





A feira de emprego para recém-doutorados correu imensamente bem. Apresentaram-me toda uma panóplia de oportunidades que nunca considerei antes. Apresentaram-me até oportunidades que só pensei possíveis na Academia, e foram essas que me fizeram balançar na anterior certeza de que dificilmente quereria sair do contexto universitário. Team leader, repetiam, depois de passar os olhos pelo meu CV. Uma empresa após outra repetia as duas palavrinhas mágicas. 

Coordenar uma equipa de investigadores, recolher os dados que produzem, organizá-los numa apresentação digital e apresentá-los aos clientes em reuniões frequentes? Coordenar uma equipa de investigação? Gosto tanto dessa ideia. 

Depois do período de Doutoramento em que senti que trabalhei sozinha de princípio ao fim, preciso de uma equipa para sentir com redobrada intensidade a paixão por investigação.

terça-feira, 30 de abril de 2013




A vida é sempre tão cheia de surpresas. Sempre disposta a baralhar os meus pensamentos tão perfeitamente organizados (ou libertar os meus receios tão perfeitamente atados em mil nós e atirados para uma zona escura do cérebro).

A vida é uma sucessão de caminhos e escolhas e mais caminhos e mais escolhas, e eu tenho certeza que teria material para posts diários que me pusesse em considerações sobre o que teria acontecido se tivesse escolhido aquele outro caminho em vez deste. Mas não sei: seriam só exercícios imaginativos. E eu sou feliz assim.

Mas sou capaz de pensar em mil e uma maneiras que me deixariam ainda mais feliz. Por exemplo, eu acho que estou seriamente hug deprived desde que voltei. 

E isto não faz bem à saúde.

domingo, 28 de abril de 2013

Crónicas da viagem #1


Quase dez meses depois, vislumbrei-o entre a multidão de novo. Entre idas e vindas, chegadas e partidas de pessoas de todas as nacionalidades. Na cidade do meu coração. 

No seu rosto aquele sorriso encantador, de quem já me observava há algum tempo, e o passo apressado de quem tem uma tarefa urgente para cumprir: entre sorrisos e centenas de pessoas perdemo-nos no abraço um do outro. 

Num abraço sentido, tão saudoso, tão feliz que rodopiamos como se estivessemos a dançar, por tempo indeterminado.


domingo, 21 de abril de 2013

Empatia





Há umas semanas atrás, a Lia e o Sérgio questionaram sobre o porquê de um post sobre sexo ter mais comentários do que um post com um alerta ou pedido de ajuda.

A resposta parece-me passar por um sentimento de identificação em relação ao sexo. Como animais programados para a reprodução, o tema sexo é primitivo, básico e como tal familiar a todos -- num sentido teórico ou prático fará parte do crescimento e descoberta geral, pelo que qualquer pessoa se sente qualificada para comentar.

O sentimento de empatia, por outro lado, está reservado a pessoas emocionalmente mais evoluídas. Resulta da capacidade de compreender outra pessoa, mesmo sem ter vivido a mesma situação -- e, portanto, da capacidade de sentir a dor alheia como se fosse sua. 

Para muitas pessoas, os seus problemas já são mais do que suficientes, pelo que evitam viver os dos outros. Desobrigam-se de pensar como indivíduos de uma sociedade  -- com capacidade de dar na mesma proporção que poderão vir a receber. Não sabem que ajudar os outros é a forma mais eficiente de encontrarmos realização dentro de nós. E não sabendo, e não tendo curiosidade em descobrir, não podem agir de forma diferente da que agem -- fazendo, falando, comentando apenas aquilo que conhecem.

Pássaros da mesma plumagem voam juntos. 
E o bando é menor, no que diz respeito a empatia.