O Sérgio, uma pessoa por quem nutro profundo respeito, perguntou no contexto do desafio perguntem o que quiserem o porquê de no amor existir sofrimento por anos e anos. Uma pergunta complexa que vou tentar desdobrar em pequenas respostas simples.
Amor e sofrimento crónico não coexistem. A resposta é, aos meus olhos, transparente assim.
Se o sofrimento é constante -- e não pontuado por preocupações ou pequenos mal-entendidos -- não é o amor que o abraça, mas a ilusão, a acomodação e a falta de auto-estima.
A falta de auto-estima leva as pessoas a julgarem-se menos do que são, com menos competências do que as que realmente têm, com menos potencial do que aquele que vive (adormecido) dentro delas. E nesse constante exercício do medo (de não serem capazes de se sustentar sozinhos, de não poderem ser felizes sozinhas, de ser difícil encontrarem alguém que as valorize) aceitam comportamentos inaceitáveis daqueles que deveriam ser parceiros de vida, de aprendizagens e de evolução pessoal. Acomodam-se. Aceitam a situação em que se viram envolvidos e se deixaram enredar ainda mais.
Há um motivo pelo qual o nosso corpo físico evoluiu no sentido de assinalar os pontos de dor: é um mecanismo de protecção. A dor permite-nos perceber que há algo de errado, e incita-nos a agir sobre o foco de sofrimento, evitando que a infecção se alastre aos tecidos vizinhos e, pouco a pouco, a todo o corpo.
O mecanismo da dor emocional actua da mesma forma. É necessário agir sobre o problema e corrigi-lo antes que se torne tão grande que a mente racional se encolha perante ele. O Amor encontra-se no respeito, no companheirismo, na alegria da partilha. Não na subjugação de ideias, de valores e de pessoas.
O sofrimento é a forma da vida dizer: Age!



