domingo, 3 de março de 2013

Sofrimento no Amor


O Sérgio, uma pessoa por quem nutro profundo respeito, perguntou no contexto do desafio perguntem o que quiserem o porquê de no amor existir sofrimento por anos e anos. Uma pergunta complexa que vou tentar desdobrar em pequenas respostas simples.

Amor e sofrimento crónico não coexistem. A resposta é, aos meus olhos, transparente assim. 
Se o sofrimento é constante -- e não pontuado por preocupações ou pequenos mal-entendidos -- não é o amor que o abraça, mas a ilusão, a acomodação e a falta de auto-estima.

A falta de auto-estima leva as pessoas a julgarem-se menos do que são, com menos competências do que as que realmente têm, com menos potencial do que aquele que vive (adormecido) dentro delas. E nesse constante exercício do medo (de não serem capazes de se sustentar sozinhos, de não poderem ser felizes sozinhas, de ser difícil encontrarem alguém que as valorize) aceitam comportamentos inaceitáveis daqueles que deveriam ser parceiros de vida, de aprendizagens e de evolução pessoal. Acomodam-se. Aceitam a situação em que se viram envolvidos e se deixaram enredar ainda mais.

Há um motivo pelo qual o nosso corpo físico evoluiu no sentido de assinalar os pontos de dor: é um mecanismo de protecção. A dor permite-nos perceber que há algo de errado, e incita-nos a agir sobre o foco de sofrimento, evitando que a infecção se alastre aos tecidos vizinhos e, pouco a pouco, a todo o corpo. 

O mecanismo da dor emocional actua da mesma forma. É necessário agir sobre o problema e corrigi-lo antes que se torne tão grande que a mente racional se encolha perante ele. O Amor encontra-se no respeito, no companheirismo, na alegria da partilha. Não na subjugação de ideias, de valores e de pessoas.

O sofrimento é a forma da vida dizer: Age!


sábado, 2 de março de 2013

Perguntem o que quiserem



Hoje é a vossa vez de decidir sobre o que escreverei.
O conceito é muito simples: durante o dia de hoje vocês sugerem um tema ou fazem uma pergunta e eu abordo o assunto e respondo às vossas questões, aqui mesmo no blogue.

Como se escreve zero em algarismos romanos? O que são células estaminais e porque é que a ciência delira com elas? Porque é que os homens têm mamilos se não podem amamentar? Estas ou outras dúvidas existenciais, filosóficas, românticas, reais ou deliradas terão resposta. Sejam imaginativos, sérios, divertidos, o que quiserem. Eu darei o meu melhor em todas as respostas :)

Se ninguém sugerir coisa alguma, eu apago este post e faço de conta que nunca aconteceu :P 
Let the games begin.

sexta-feira, 1 de março de 2013

"É uma borboleta. É amor."




Perdi a conta ao número de vezes que vi alguém sofrer por pessoas que na realidade não existem. Pessoas especiais que perdem horas, dias, anos, a questionar porquê em relação a alguém que descobriram ser diferente do que julgavam que era. 

E surpreendo-me. Surpreendo-me sinceramente com a capacidade do ser humano de criar uma história tão cuidada na sua imaginação, que não há realidade que lhes quebre o encanto. Espanta-me a capacidade de conscientemente privilegiarem o que foi prometido em detrimento do que foi feito. 

A realidade que não querem aceitar resulta clara. 
Ignorar a pessoa real para dar passagem à personalidade imaginada não é amar: é medo da solidão. 

Bom dia ❤




Das coisas giras de viver numa pequena vila é ainda existir um padeiro que toca à campainha todas as manhãs, com pão quentinho e variado, e nos oferece um sorriso largo e palavras simpáticas independentemente do grau de sonolência em que nos apresentamos e do cabelo desalinhado. 

Das coisas giras de viver numa pequena vila é ter o canto dos pássaros como som predominante. Dos pássaros e do meu adorável cão -- que ladra ao padeiro, aos pássaros, e ao orvalho que lhe cai em cima quando toca nos arbustos do jardim. 

Pequeno-almoço colorido, cheirinho a café, e o Sol, ao som destes senhores, complementam começos de dias perfeitos assim. 


Tão perto e tão longe do burburinho da civilização. 
Acho que não saberia viver de outra forma