Há sempre alguém que um dia nos pergunta o que é a felicidade, ou como se chega lá. E eu fico sempre hesitante na resposta a dar. A felicidade é tantas coisas encerradas num único sentimento. Não há uma receita infalível, estanque de pessoa para pessoa, mas posso dar a minha versão da felicidade.
Acredito que algumas coisas existem em comum entre aqueles que são felizes, e que o mais importante requisito é amor-próprio. Passamos imenso tempo sozinhos, pelo que é indispensável termos prazer na nossa própria companhia. Se não nos sentímos bem na nossa pele, se fugimos dos momentos de silêncio e buscamos constantemente a presença de outras pessoas para afastar esse sentimento de solidão, será muito complicado sentirmo-nos em paz para desfrutar a vida. Em estado de fuga tornamo-nos insensíveis a estímulos subtis: já não basta que a felicidade nos toque, para que a possamos sentir, é necessário um empurrão da felicidade para que consigamos reconhecê-la. Mas a felicidade encerra-se não raras vezes em coisas aparentemente pequenas, mas mágicas...
Acredito que essa necessidade de fugir às conversas internas se relacione com um medo que não queremos admitir, com uma conversa sobre nós mesmos que não queremos ter. Provavelmente há um desencontro entre o que somos e o que vimos fazendo, que nos afecta. Um emprego que não nos realiza, uma acção que não reflecte os nossos valores, uma relação que não nos completa. Mas, mesmo que difícil, a confrontação entre a realidade actual e os nossos sonhos é essencial para que consigamos recuperar o mapa que nos leva até onde queremos chegar. Fugir desta análise só adiará a resolução do problema, alimentando a insegurança, o desconforto, a tristeza.
A receita para a felicidade bloqueia a acção do medo sobre as nossas decisões.
Torna transparente que somos mais capazes do que julgamos e mais fortes do que pensamos.