sexta-feira, 1 de março de 2013

"É uma borboleta. É amor."




Perdi a conta ao número de vezes que vi alguém sofrer por pessoas que na realidade não existem. Pessoas especiais que perdem horas, dias, anos, a questionar porquê em relação a alguém que descobriram ser diferente do que julgavam que era. 

E surpreendo-me. Surpreendo-me sinceramente com a capacidade do ser humano de criar uma história tão cuidada na sua imaginação, que não há realidade que lhes quebre o encanto. Espanta-me a capacidade de conscientemente privilegiarem o que foi prometido em detrimento do que foi feito. 

A realidade que não querem aceitar resulta clara. 
Ignorar a pessoa real para dar passagem à personalidade imaginada não é amar: é medo da solidão. 

Bom dia ❤




Das coisas giras de viver numa pequena vila é ainda existir um padeiro que toca à campainha todas as manhãs, com pão quentinho e variado, e nos oferece um sorriso largo e palavras simpáticas independentemente do grau de sonolência em que nos apresentamos e do cabelo desalinhado. 

Das coisas giras de viver numa pequena vila é ter o canto dos pássaros como som predominante. Dos pássaros e do meu adorável cão -- que ladra ao padeiro, aos pássaros, e ao orvalho que lhe cai em cima quando toca nos arbustos do jardim. 

Pequeno-almoço colorido, cheirinho a café, e o Sol, ao som destes senhores, complementam começos de dias perfeitos assim. 


Tão perto e tão longe do burburinho da civilização. 
Acho que não saberia viver de outra forma 



quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Da vontade de viver






Os comentários no post do surf fizeram-me sorrir. Inconscientemente acho que todos buscamos um exercício que nos melhore o equilíbrio sobre as ondas [da vida]. 

E por um momento mergulhei na ideia da escola de surf -- no Verão em Portugal, no resto do ano noutro lugar mais quentinho. Acordar entre pranchas coloridas, Sol intenso e gente alegre, que se move, que acredita na Vida, que a vive intensamente. Cabelo molhado, pele morena, as gargalhadas dos amigos, refeições leves e o mar. Gosto disso. Gosto muito...!

Tantas opções deliciosas que a vida oferece e tanta vontade de experimentar todas!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Fuga ao medo, caminho para a felicidade.


Há sempre alguém que um dia nos pergunta o que é a felicidade, ou como se chega lá. E eu fico sempre hesitante na resposta a dar. A felicidade é tantas coisas encerradas num único sentimento. Não há uma receita infalível, estanque de pessoa para pessoa, mas posso dar a minha versão da felicidade.

Acredito que algumas coisas existem em comum entre aqueles que são felizes, e que o mais importante requisito é amor-próprio. Passamos imenso tempo sozinhos, pelo que é indispensável termos prazer na nossa própria companhia. Se não nos sentímos bem na nossa pele, se fugimos dos momentos de silêncio e buscamos constantemente a presença de outras pessoas para afastar esse sentimento de solidão, será muito complicado sentirmo-nos em paz para desfrutar a vida. Em estado de fuga tornamo-nos insensíveis a estímulos subtis: já não basta que a felicidade nos toque, para que a possamos sentir, é necessário um empurrão da felicidade para que consigamos reconhecê-la. Mas a felicidade encerra-se não raras vezes em coisas aparentemente pequenas, mas mágicas... 

Acredito que essa necessidade de fugir às conversas internas se relacione com um medo que não queremos admitir, com uma conversa sobre nós mesmos que não queremos ter. Provavelmente há um desencontro entre o que somos e o que vimos fazendo, que nos afecta. Um emprego que não nos realiza, uma acção que não reflecte os nossos valores, uma relação que não nos completa. Mas, mesmo que difícil, a confrontação entre a realidade actual e os nossos sonhos é essencial para que consigamos recuperar o mapa que nos leva até onde queremos chegar. Fugir desta análise só adiará a resolução do problema, alimentando a insegurança, o desconforto, a tristeza.

A receita para a felicidade bloqueia a acção do medo sobre as nossas decisões.
Torna transparente que somos mais capazes do que julgamos e mais fortes do que pensamos.