domingo, 17 de fevereiro de 2013

Do amor


A cidade que me aquece o coração, debaixo de neve neste momento, é assim como a da foto. Com espaços comerciais absolutamente lindos à beira-lago, uma extensão relvada a perder de vista, numa zona interdita ao trânsito que incentiva a caminhadas, a passeios de bicicleta ou simplesmente à conversa. Espalhados pelo imenso verde estão grelhadores públicos que convidam ao prolongamento do dia ao sabor de um churrasco. No ar música ao vivo, e na água barcos e motas-de-água para alugar. 

Naquela cidade senti o peso das saudades dos meus, do som do nosso idioma e descobri como a alegria se pode esconder em coisas aparentemente pequenas. Conheci pessoas maravilhosas, recebi abraços indescritíveis e fui imensamente feliz.

A cidade que me aquece o coração está demasiado longe neste momento, mas continuo a sentir-lhe o aroma, a textura e a temperatura da água. E cada pedacinho de mim me pede para voltar. 

Desta vez: com os meus.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Do surf



Tenho passado tanto tempo dentro de casa a escrever nos últimos meses que estou especialmente ansiosa pela chegada do Verão.

Note-se que eu sou uma apaixonada pelo frio, pela neve, pelo Outono/Inverno. Mas neste momento só me imagino a apreciar o Sol, a água, a brisa e umas férias. Mas férias de verdade: daquelas que encerram ciclos e nos fazem sentir completamente livres. Sem tarefas pendentes, sem preocupações em pano de fundo. 

Este ano para celebrar mais um ciclo que se fecha, gostava de aprender a surfar. Ou a aguentar de pé tempo suficiente para me divertir, vá. Esta fase tem sido um constante exercício de equilíbrio sobre as ondas. Muitas vezes caio, outras tantas tenho de sair da água e tentar de novo -- de preferência motivada a começar tudo de novo até vencer.

Verão, estou à tua espera. Eu e tu. Tu e eu. Temos comemoração marcada.
Vamos ser felizes juntos.

Redes sociais



Esta semana falava com um amigo finlandês, que se encontrava no comboio no final de um dia de trabalho naquele país. Queixava-se de não poder aproveitar a viagem para trabalhar, porque as "annoying facebook girls" estavam a fazer o upload das suas "duckface photos", ocupando toda a banda de internet disponível. Esta terminologia foi praticamente chinês para mim.

Há todo um burburinho à volta do facebook que me faz distanciar da rede social o mais possível. Da tendência à sobre-exposição até à perda de tempo -- já me chega o que ocupo em diversos canais no youtube -- tudo me afasta, pelo que não é de estranhar que eu não tenha percebido o que é uma miúda facebook e as suas fotos cara de pato.

Sem demoras mostrou-me a famosa categoria de memes com aquele nome e que aparentemente representa a maioria das usuárias da rede social -- incluindo as que com ele partilhavam a viagem de comboio. I don't think she's trying hard enough fez-me soltar uma gargalhada pelo humor da frase, e uma pergunta impõs-se aos que conhecem o facebook: 

Aquela é mesmo uma representação da maioria?
Se sim, onde é que aquelas pessoas têm a cabeça? :P

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Piano



A querida Lia enviou-me uma música linda ao piano que me fez pensar em mil e uma coisas no curto período da melodia (que viria a conhecer o significado da expressão "auto-replay". Obrigada Lia*). Entre essas viagens recuei cerca de três anos no tempo. Até à residência de pós-graduados que primeiro me recebeu fora do meu país, e onde descansava imponente na sala de estar um piano cujas notas nunca ouvi. Até um dia...

O dia em que ele chegou, surpreendendo-me com os ingredientes para cozinhar para mim numa mão, e um sorriso do tamanho do mundo nos lábios. Na exploração do espaço que recebeu o nosso jantar vislumbrou o piano, perguntou-me se gosto, do que gosto. E ouvindo a resposta dirigiu-se ao banco sempre arrumado e tocou para mim. E eu permaneci ali, imóvel, por entre a surpresa e o encanto que me chegavam pelos dedos do homem com forte formação científica que enchia o ar de notas musicais. Um momento mais encantador do que qualquer cena cinematográfica.

Algumas portas ao longe entreabriram-se para deixar a música entrar nos quartos. Outros, curiosos, desceram e irromperam na sala tentando descobrir o pianista. Mas a audiência que chegava foi a deixa para que parasse...

Aquele momento era nosso e ele tocava apenas para mim