sábado, 16 de fevereiro de 2013

Redes sociais



Esta semana falava com um amigo finlandês, que se encontrava no comboio no final de um dia de trabalho naquele país. Queixava-se de não poder aproveitar a viagem para trabalhar, porque as "annoying facebook girls" estavam a fazer o upload das suas "duckface photos", ocupando toda a banda de internet disponível. Esta terminologia foi praticamente chinês para mim.

Há todo um burburinho à volta do facebook que me faz distanciar da rede social o mais possível. Da tendência à sobre-exposição até à perda de tempo -- já me chega o que ocupo em diversos canais no youtube -- tudo me afasta, pelo que não é de estranhar que eu não tenha percebido o que é uma miúda facebook e as suas fotos cara de pato.

Sem demoras mostrou-me a famosa categoria de memes com aquele nome e que aparentemente representa a maioria das usuárias da rede social -- incluindo as que com ele partilhavam a viagem de comboio. I don't think she's trying hard enough fez-me soltar uma gargalhada pelo humor da frase, e uma pergunta impõs-se aos que conhecem o facebook: 

Aquela é mesmo uma representação da maioria?
Se sim, onde é que aquelas pessoas têm a cabeça? :P

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Piano



A querida Lia enviou-me uma música linda ao piano que me fez pensar em mil e uma coisas no curto período da melodia (que viria a conhecer o significado da expressão "auto-replay". Obrigada Lia*). Entre essas viagens recuei cerca de três anos no tempo. Até à residência de pós-graduados que primeiro me recebeu fora do meu país, e onde descansava imponente na sala de estar um piano cujas notas nunca ouvi. Até um dia...

O dia em que ele chegou, surpreendendo-me com os ingredientes para cozinhar para mim numa mão, e um sorriso do tamanho do mundo nos lábios. Na exploração do espaço que recebeu o nosso jantar vislumbrou o piano, perguntou-me se gosto, do que gosto. E ouvindo a resposta dirigiu-se ao banco sempre arrumado e tocou para mim. E eu permaneci ali, imóvel, por entre a surpresa e o encanto que me chegavam pelos dedos do homem com forte formação científica que enchia o ar de notas musicais. Um momento mais encantador do que qualquer cena cinematográfica.

Algumas portas ao longe entreabriram-se para deixar a música entrar nos quartos. Outros, curiosos, desceram e irromperam na sala tentando descobrir o pianista. Mas a audiência que chegava foi a deixa para que parasse...

Aquele momento era nosso e ele tocava apenas para mim 

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Da vontade de caminhar na direcção errada



Será para mim sempre uma coisa surreal perceber que algumas pessoas preferem morrer a errar do que admitir o erro que lhes foi (educadamente) apontado e sobre o qual não têm uma palavra de defesa a dizer. Parece-me surreal que, sendo alertadas, tenham um momento de incerteza e preferiram fazer uma rápida sondagem sobre se será melhor continuarem a destilar veneno gratuito ou ponderar sobre o que dizem. E os colegas, que nem sabem do que se fala, respondem "claro que és uma óptima pessoa [como se isso tornasse alguém imune a cometer erros] e deves continuar a ser como és", incentivando-as a perpetuar o comportamento errado.

Não, meus amigos, não devemos ser perfeitamente imutáveis como se a vida não estivesse a passar por nós. As experiências têm como propósito único melhorarem o nosso julgamento e, consequentemente, as nossas (re)acções. Se não evoluímos dia-a-dia, o que andamos cá a fazer?

Não suporto gente que se recusa a evoluir. 
Não suporto gente com ódios de estimação a pessoas que não conhecem, com quem nunca conversaram, de quem não sabem nada além do que lhes é possível deduzir.
A combinação das duas características é demais.


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

A vida de um aluno de doutoramento


Por mais que nos recusemos a entrar no retrato do que é ser um aluno de doutoramento, não há volta a dar: quando se começa este grau entramos numa espécie de outra dimensão que tem por único objectivo mostrar-nos aquilo em que somos maus. Pobre capacidade de organização de dados? Vai tornar-se evidente quando for necessário escrever sobre materiais e métodos. Dificuldade em falar em público? Depois das primeiras ameaças de ataque cardíaco em conferências internacionais, isso passa.  Tendência a desistir à primeira dificuldade? Depois de 135 tentativas falhadas de fazer o teu projecto funcionar (sem poder desistir porque é o tópico da tese!), isso também passa. E a lista é interminável. 

O meu problema é (apesar da minha luta permanente) ser perfeccionista. E este defeito não cabe em ciência porque a nossa investigação é parte de um todo que, apenas unido, faz sentido. Achar que podia melhorar a minha investigação, antes de publicar, até não restar nenhuma pergunta, é tão inocente que quando olho para trás até me dá vontade de rir. [Ou de chorar -- se calhar a última opção é mais acertada.] 

Tudo para dizer que seja qual for o motivo, há sempre pelo menos um, que nos abranda (no início, no meio ou no fim do percurso) e prolonga a conclusão do doutoramento. Então não é difícil perceber porque é que esta tira é a segunda mais popular da banda desenhada PHD Comics:

Numa tradução livre:
- Quero apresentar-te à Beth, uma aluna de doutoramento da antropologia. 
- Olá, como vai a tua investigação? - pergunta o aluno de licenciatura novo no mundo dos doutoramentos.
- *Smack* Qual é o teu problema?! - pergunta o rapaz que fez a introdução - Não sabes que não é elegante perguntar isso a um aluno de doutoramento?!
- Eu-eu... lamento. Hum, então... Quanto tempo até terminares a tese?
- *Smack* Meu Deus, porque é que não lhe perguntas também quanto pesa ou que idade tem?!

Ler algumas destas tiras traz-me o conforto que só a empatia oferece.
Quando esta fase terminar nem vou acreditar :P