domingo, 10 de fevereiro de 2013

Da vontade de caminhar na direcção errada



Será para mim sempre uma coisa surreal perceber que algumas pessoas preferem morrer a errar do que admitir o erro que lhes foi (educadamente) apontado e sobre o qual não têm uma palavra de defesa a dizer. Parece-me surreal que, sendo alertadas, tenham um momento de incerteza e preferiram fazer uma rápida sondagem sobre se será melhor continuarem a destilar veneno gratuito ou ponderar sobre o que dizem. E os colegas, que nem sabem do que se fala, respondem "claro que és uma óptima pessoa [como se isso tornasse alguém imune a cometer erros] e deves continuar a ser como és", incentivando-as a perpetuar o comportamento errado.

Não, meus amigos, não devemos ser perfeitamente imutáveis como se a vida não estivesse a passar por nós. As experiências têm como propósito único melhorarem o nosso julgamento e, consequentemente, as nossas (re)acções. Se não evoluímos dia-a-dia, o que andamos cá a fazer?

Não suporto gente que se recusa a evoluir. 
Não suporto gente com ódios de estimação a pessoas que não conhecem, com quem nunca conversaram, de quem não sabem nada além do que lhes é possível deduzir.
A combinação das duas características é demais.


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

A vida de um aluno de doutoramento


Por mais que nos recusemos a entrar no retrato do que é ser um aluno de doutoramento, não há volta a dar: quando se começa este grau entramos numa espécie de outra dimensão que tem por único objectivo mostrar-nos aquilo em que somos maus. Pobre capacidade de organização de dados? Vai tornar-se evidente quando for necessário escrever sobre materiais e métodos. Dificuldade em falar em público? Depois das primeiras ameaças de ataque cardíaco em conferências internacionais, isso passa.  Tendência a desistir à primeira dificuldade? Depois de 135 tentativas falhadas de fazer o teu projecto funcionar (sem poder desistir porque é o tópico da tese!), isso também passa. E a lista é interminável. 

O meu problema é (apesar da minha luta permanente) ser perfeccionista. E este defeito não cabe em ciência porque a nossa investigação é parte de um todo que, apenas unido, faz sentido. Achar que podia melhorar a minha investigação, antes de publicar, até não restar nenhuma pergunta, é tão inocente que quando olho para trás até me dá vontade de rir. [Ou de chorar -- se calhar a última opção é mais acertada.] 

Tudo para dizer que seja qual for o motivo, há sempre pelo menos um, que nos abranda (no início, no meio ou no fim do percurso) e prolonga a conclusão do doutoramento. Então não é difícil perceber porque é que esta tira é a segunda mais popular da banda desenhada PHD Comics:

Numa tradução livre:
- Quero apresentar-te à Beth, uma aluna de doutoramento da antropologia. 
- Olá, como vai a tua investigação? - pergunta o aluno de licenciatura novo no mundo dos doutoramentos.
- *Smack* Qual é o teu problema?! - pergunta o rapaz que fez a introdução - Não sabes que não é elegante perguntar isso a um aluno de doutoramento?!
- Eu-eu... lamento. Hum, então... Quanto tempo até terminares a tese?
- *Smack* Meu Deus, porque é que não lhe perguntas também quanto pesa ou que idade tem?!

Ler algumas destas tiras traz-me o conforto que só a empatia oferece.
Quando esta fase terminar nem vou acreditar :P

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Dos derrotistas

Se não há altos e baixos na tua vida...significa que estás morto.



O truque não está nos problemas que temos mas na ausência de perspectivas. Quando nos deixámos envolver demasiado por um medo, um hábito, ou mesmo uma tarefa e deixámos de sonhar: é quando tudo começa a correr mal. 

Se não temos objectivos, se não criamos uma imagem mental da meta para onde nos dirigimos, o que nos move?

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013