quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Vamos falar de nada?




Sinto saudades daquele tempo em que tudo era tranquilidade. Daquele abraço onde o tempo parava. Sinto saudades de achar que o futuro estava traçado, que a inevitabilidade dele se faria sentir mais dia menos dia -- e enquanto esperava tudo eram sorrisos de qualquer forma. 

Que pesada é a responsabilidade de poder fazer tudo o que queremos fazer com o nosso destino. Assumir que estamos onde fizemos por estar -- nem mais atrás, nem mais à frente. Não saber explicar, sem ferir, que os meus parâmetros de sucesso são isso mesmo: meus, e são diferentes dos das outras pessoas. Não importa que tentem mostrar-me que só tenho motivos pelos quais me orgulhar: eu não estou bem assim. Mas calo, para não preocupar. 

Gosto de ajudar os outros mas não me ajudo. Gosto de resolver problemas dos outros, enquanto embalo o meu: esta vontade de não me mexer que às vezes me assola a alma, como tantas outras me choca a tal ponto que não me reconheço em mim mesma.

Hoje tudo sabe a saudade. Até do que não vivi.

Coisas que me fazem rir


Este cão não brinca em serviço!

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Vamos falar de amor?




Vamos. Pode ser amor adolescente?

Um dia ligaram para o meu telemóvel. Nessa época a minha família materna tinha por hábito reunir-se para jantar às sextas-feiras e, portanto, estava toda a gente em minha casa. Primos, tios e tias.

O telefonema pedia que eu abrisse a janela do meu quarto, o que me deixou bastante hesitante. Percebi que já era tarde quando vi todos os meus familiares em divisões diferentes espreitando pelas janelas com a mesma orientação da do meu quarto, em risos descontrolados. Quando abri a janela vi quatro rapazes sentados na relva de guitarra em posição. Sem qualquer introdução começaram a serenata e por ali ficaram a tocar e a cantar em uníssono durante o que me pareceu uma pequena eternidade. 

Estava frio mas o meu rosto quente, as flores estavam lindas e os meus familiares substituíram os risos por aplausos. Que corajoso o menino que aprendeu a tocar para me fazer aquela surpresa. É que não só viu os carros estacionadados e decidiu enfrentar a plateia, como pediu autorização aos meus pais para entrar em nossa casa (tendo de explicar o motivo para tal pedido). 

Ah, o amor...!

Da vida




Seguir o ritual alheio -- este parece ser o mantra da vida actual. 

Naquela semana em que decidimos voltar ao ginásio, os amigos parecem sempre decidir-se por uma jantarada extra com direito a sobremesa partilhada e um arrastão até ao bar mais próximo. Dizer não ao doce e recusar a extensão do serão num bar, porque queremos levantar cedo no dia seguinte para ir ao ginásio, torna-nos os desmancha-prazeres que não sabem "viver um bocadinho" e leva-nos a anuir  e adiar os planos mais uns dias, certo? Errado.

Viver não é uma questão de comer bolo de chocolate e beber uma capirinha com os amigos, nem mesmo uma questão de ir ao ginásio. Viver é uma questão de fazer escolhas que nos representam, e representam a marca que queremos deixar no mundo.

O processo só é complicado se quisermos ser nós mesmos e estar perto de pessoas com quem não nos identificámos -- fenómeno mais frequente do que seria de esperar e ficará para outro post. Amigos de verdade querem tanto que os acompanhemos quanto querem que sejamos felizes. Amigos de verdade apoiam as nossas decisões e ainda aparecem no ginásio no dia seguinte, bem cedo, para compensar pelo tempo que não estivemos juntos na noite anterior e provar que é possível prolongar a noite e ir ao ginásio na manhã seguinte [mesmo que desçam muitíssimo a sua marca habitual e inventem as desculpas mais parvas (e divertidas) para justificar os novos números]. 

Os amigos de verdade não são aqueles que se confinam a ambientes e momentos restritos -- os amigos da noite, os amigos da universidade, os amigos do ginásio. São as pessoas da nossa vida que nos acompanham transversalmente, nos respeitam e impulsionam a descobrir o nosso lugar no mundo e a ser a melhor representação de nós mesmos que podemos ser.

E sem desmerecimento aos demais: os meus amigos são os melhores :-)