Sinto saudades daquele tempo em que tudo era tranquilidade. Daquele abraço onde o tempo parava. Sinto saudades de achar que o futuro estava traçado, que a inevitabilidade dele se faria sentir mais dia menos dia -- e enquanto esperava tudo eram sorrisos de qualquer forma.
Que pesada é a responsabilidade de poder fazer tudo o que queremos fazer com o nosso destino. Assumir que estamos onde fizemos por estar -- nem mais atrás, nem mais à frente. Não saber explicar, sem ferir, que os meus parâmetros de sucesso são isso mesmo: meus, e são diferentes dos das outras pessoas. Não importa que tentem mostrar-me que só tenho motivos pelos quais me orgulhar: eu não estou bem assim. Mas calo, para não preocupar.
Gosto de ajudar os outros mas não me ajudo. Gosto de resolver problemas dos outros, enquanto embalo o meu: esta vontade de não me mexer que às vezes me assola a alma, como tantas outras me choca a tal ponto que não me reconheço em mim mesma.
Hoje tudo sabe a saudade. Até do que não vivi.



