Enquanto adepta de futebol não me incomoda ver ex-portistas viajar para outros clubes em Portugal. Tenho bem presente que os jogadores estão a ser pagos. Não estão a jogar por amor à camisola em dias de chuva e vento porque nasceram portistas [substituir referência pela do clube da vossa preferência]. Muito menos os jogadores estrangeiros.
E o amor não se compra. Se o clube não tem o poder de despertar esse sentimento no atleta, não caberá com certeza aos adeptos revoltarem-se contra ele. No máximo poderão revoltar-se contra a entidade e eles mesmos, porque não souberam criar o ambiente necessário ao enamoramento. Gostar e respeitar um jogador não é regozijar-mo-nos por vê-lo eternamente sentado num banco, para o castigar da intenção de ser mais feliz noutro lugar. Esta mania de nos esquecermos que os jogadores não são máquinas, são humanos com aspirações, desejos, objectivos, como todos nós...
E os adeptos de futebol estão para os futebolistas como algumas pessoas estão para mim, quando conhecem a minha intenção de viver fora de Portugal. Como assim, vais sair do país e não pretendes voltar, se tens emprego em Portugal? Como se eu ofendesse o país com o meu objectivo de sair, de crescer mais noutro lugar que me oferece melhores condições para isso. O meu país só teve de me ver nascer para que tenha de dar-lhe a minha vida (pessoal e profissional) em troca? O meu país não tem de me oferecer nada, mas eu tenho de amá-lo?
Por mais que eu goste de Portugal, sou mais feliz noutro lugar.
E o meu coração pertence a quem o conquista.


