domingo, 6 de janeiro de 2013

Pressa



Questionava sim. 

Há alguma coisa de assustador no facto da nossa vida ser feita de memórias que podem varrer-se, de um momento para o outro, para um qualquer lugar indecifrável. Pior: há muito de assustador no facto de podermos recuar no tempo e viver os sentimentos que vivíamos nessa altura mas, entretanto, se tinham perdido. 

O cérebro é um órgão indecifrável. As hipnoses clínicas mostram que recordamos cenas fortes das nossas vidas, ao mais infímo pormenor, mesmo que se encontre a anos de distância. Mas então, não terá provado esta senhora (cuja história deu origem ao filme The Vow) que o Amor é um conjunto de memórias e pensamentos que guardámos da pessoa amada -- e que quando os perdemos, perdemos também a magia que nos unia a essa pessoa?

O amor e a atracção física são duas coisas bastante distintas que as pessoas tendem a confundir, julgando que são ambos passaporte para a felicidade. Não são. E não compreendo a pressa em avançar a fase de certificação de que não vamos passar a nossa vida ao lado da pessoa errada. 

Não têm medo de perder a pessoa certa, nessa pressa?


sábado, 5 de janeiro de 2013

Dálmata que chilreia como um cavalo. Eu conheço.




Quando regressava a casa vi o meu vizinho P, de 5 anos, agitar as mãos pequenitas no ar, em jeito de Olá!. Saí do carro para o cumprimentar e ouvi um som estranho que vinha algures do terreno dele.

- ABT, ABT, já conheceste a Lolita? - perguntou entusiasmado.
- Não. Quem é a Lolita? Compraram uma égua? 
- Não, é uma Dálmata. -- Respondeu em gargalhadas -- Mas chilreia como um cavalo, não é?!
- Relincha. - corrigi entre risos.
- Isso! - respondeu bem-humorado.

Adoro este miúdo 

Words fail me



Começo a achar que aquelas saídas adoráveis que associamos aos miúdos não são exclusivas das crianças: são características de todos aqueles que não se cansam de aprender.

A prová-lo está a minha mãe que, no contexto da sua aprendizagem da língua inglesa, continua a dar-me vontade de rir e cobri-la de beijos -- tudo ao mesmo tempo. 

Pediu-me que em alguns momentos do dia lhe falasse em Inglês, para que pudesse habituar-se ao som das palavras em frases completas. Achei que seria ainda demasiado cedo para este exercício, mas está a correr de forma bastante mais fluida do que eu esperava. Numa dessas ocasiões, percebendo o seu sobreolho franzido, tentei descobrir qual a palavra que estava a dificultar-lhe a vida:

- What does it mean the word "meaning"?
- Não percebo nada do que estás a dizer.
- Estava a perguntar qual o significado da palavra "meaning".
- Não sei, só conheço: cinnamon.

Ri à gargalhada.

- O que foi? Também é comprida e complicada...

Coincidências


Esta foto roubou-me um sorriso assim que a vi, porque parece que foi tirada do meu álbum de fotografias de infância: A(quela que seria) minha prima A, à esquerda: a minha melhor amiga, de longo e liso cabelo loiro, a segurar-me a mão. E (aquela que seria) eu à direita: mesmo corte e cor de cabelo, mesmo tom de pele, mesma saia folhada e patins nos pés, e até os mesmos olhos rasgados (ainda que eu não seja oriental).

Temos pequenas cópias de nós mesmos a circular por esse mundo fora.