Ainda não aderi ao novo acordo ortográfico. Ainda. Mas continuo a ouvir os comentários e a ler as mensagens espalhadas por todo lado "eu não vou aderir, isto é um atentado à Língua Portuguesa" e surpreendo-me. A razão pela qual ainda não aderi é outra: a preguiça de sair da minha zona de conforto.
A Língua Portuguesa não vai sair a perder só porque vamos aniquilar uns p, c e afins de algumas palavras. É apenas uma mudança que visa melhorar o nível do desempenho por escrito das gerações vindouras. É assim tão terrível? Nunca ouvi ninguém queixar-se das mudanças (entretanto ocorridas) enquanto interpretava Camões ou Gil Vicente nas aulas de Português. E nem é preciso recuar tanto para encontrar ph que já não usámos ou acentos circunflexos em verbos no infinitivo em cartas e poemas antigos, e também não vejo ninguém a insurgir-se contra tal perda.
A língua mudou. Esta não vai ser a primeira vez. Nem a última. Estancar não tem nada de positivo, além de dar menos trabalho a quem aprendeu de outra forma e agora se vê obrigado a evoluir.
A Idade da Pedra não terminou porque se nos esgotaram as pedras.
Vamos continuar a evoluir sem dramas.


