terça-feira, 27 de novembro de 2012

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Das memórias


Se duas pessoas permanecem amigas depois de terem namorado, as memórias do que foram enquanto casal podem ser uma faca de dois gumes. 

Por um lado fere-me de morte a tristeza da pessoa que não compreendeu o fim. E por outro fere-me relembrar que por mais adorável que tenha sido não me sentia realizada. Nunca pude acrescentar mais do que o essencial para que seguisse em frente com a sua vida, mas nestas situações para a outra pessoa as justificações nunca são suficientes. Especialmente se parece ser difícil justificar porque é que o relacionamento terminou se a amizade, a preocupação, a ternura por aquela pessoa ainda permancem. 

Parece. É esta a palavra chave. Não é. O motivo é claro, mas a verbalização é dura. Não encontro palavras inequívocas e doces ao mesmo tempo para lhe dizer: Não é o que sinto quando estou ao teu lado, mas o que não sinto e preciso sentir para saber que estou ao lado do homem da minha vida. E então digo apenas que Somos "apenas" amigos e isso não vai mudar.

Há memórias que não devem ser trazidas para o presente, se queremos ser felizes. 
Mesmo que sejam boas.


domingo, 25 de novembro de 2012

Da evolução




E por falar em príncipes e princesas, castelos e outros tempos, dei por mim a pensar que sorte tenho  por ser mulher agora. Ser mulher noutras épocas (ou nesta, no lugar errado) dar-me-ia um passaporte para outros mundos em menos de um 'Ai'. 
Talvez a minha salvação pudesse ser a formatação acentuada que cada uma era alvo naqueles tempos de casamentos arranjados e falta de respeito pela condição feminina. Mas se em mim vivesse um pouquinho que fosse do que sou nesta vida, não existindo para onde fugir ou como evitar o destino comum, a morte associada à rebeldia seria certa. 

É inacreditável quanto mudámos em menos de três gerações. 



As escolhas são claras na minha mente. Não me importo que este caminho não me leve ao que tradicionalmente é visto como o trajecto para a felicidade. Irrita-me a preocupação de alguém que ache que me vou arrepender por esbanjar pretendentes. A minha felicidade é construida por mim e mais ninguém tem responsabilidade nesse projecto. Sempre foi assim, o problema é que nos convencem que precisamos de outra pessoa para sermos felizes e a determinada altura acreditámos naquela mentira da sociedade. 

Chegámos mesmo a acreditar que alguma coisa está errada por não nos apaixonarmos por ninguém. Quase vacilámos quando insistem pela milésima vez que a pessoa que idealizamos não existe, por ser demasiado perfeita. Não compreendem que a perfeição aconteceria aos meus olhos, não corresponderia à ausência de defeitos desse homem-maravilha.

Acontece que cheguei a um ponto da minha vida que as opiniões, por mais carinhosas e preocupadas que sejam, não passam de opiniões. Não me fazem vacilar, não me fazem reconsiderar. Não quero e não aceito que é melhor casarmos ou mesmo namorarmos com alguém especial mas que não é perfeito aos nossos olhos, do que ficarmos sós.

Não.