Mostrar mensagens com a etiqueta Pensamentos soltos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pensamentos soltos. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 17 de março de 2015

Da humilhação



Agora está na moda dizerem-se humilhados. Alguém faz uma crítica estúpida e a pessoa visada sente-se humilhada. Nem é preciso ser verdade, basta que seja dito em voz alta e pronto, abate-se a humilhação. Chateados, frustrados, irritados por estarem a ser caluniados, seria compreensível aos meus olhos. Até envergonhados, se a calúnia fosse em público e díficil de provar, naquele momento, de que se tratava, efectivamente, de uma mentira. Mas humilhação é um nível totalmente diferente. Porque, para ser possível, a pessoa visada tem de se deixar humilhar. E só deixa se, ela mesma, duvidar de si naquele momento em que a calúnia acontece. Se se amedrontar, em vez de se agigantar face ao problema.

Um dia um grande amigo tentou beijar-me. Face ao inesperado do que estava a acontecer, reagi tapando os seus lábios com os meus dedos, em jeito de 'Pára'. Disse-me que eu estava a humilhá-lo com a minha rejeição. Mas que raio de interpretação maluca é esta? O que deveria eu fazer para que não se sentisse humilhado? Deixá-lo beijar, e com jeitinho, namorar com ele, talvez?!

Definitivamente, não compreendo a facilidade com que as pessoas usam esta palavra. E enerva-me que não se saibam defender. Acho que fico mais chateada com aqueles que não se sabem defender do que com os idiotas que atacam. O que não me impede de ficar do lado dos primeiros.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Os 5 piores conselhos que já ouvi sobre "como ser feliz"


Toda a gente quer ser feliz. Poucos o são. Mas todos têm conselhos para dar. Esta é a minha lista dos 5 piores conselhos que já ouvi sobre como atingir a felicidade:

1. "Evita a solteirice como a praga". Parece ser pensamento generalizado a impossibilidade de uma pessoa poder ser feliz sem constituir uma dupla. No entanto, é quando estamos sozinhos que descobrimos o que gostamos (mais) de fazer e quais são os pensamentos que nos assombram. Se se explica sem mais palavras o valor de descobrir onde/a-fazer-o-quê somos mais felizes, trabalhar para irradicar o que nos assombra merece umas palavrinhas extra. Não vale a pena esperar que alguém te conserte. Não estás estragado. Só precisas de gostar de ti. E mudar o que não gostas. Se fores feliz sozinho, vais ser ainda mais feliz acompanhado. Por outro lado, se gostares pouco de ti mesmo, namorar é a receita ideal para que te anules de forma a dar passagem passagem à personalidade tão mais interessante da outra pessoa. Esse erro pode custar-te muito caro.

2. "Copia o modelo da sociedade". "Já namoras? Já casaste? Já tens um filho? Quando vais ter o segundo?". Ou então, versão profissional: "Estuda, se quiseres ser alguém. Secundário não chega. Para ser alguém precisas ser doutor ou engenheiro. E precisas conhecer alguém influente."  
O Sr. Steve Jobs é o exemplo mais famoso de que o caminho dos outros pode não ser o mais indicado para nós. Só porque é comum, não significa que é bom.

3. "És como és e não mudes nunca". Estagnar não tem nada de positivo. Devemos se fiéis às nossas convicções e aos nossos sentimentos. Se as convicções e os sentimentos mudarem, as nossas acções devem reflectir essa mudança. A felicidade depende de quão bem nos sentimos relativamente ao que fazemos todos os dias, enquanto parceiros, empregados, patrões, pais, filhos, amigos. Se algo mudou, ajusta a forma como ages. 

4. "Quem nasceu para cão, morre a latir". Ninguém está preso a um destino se tiver intenção de o mudar. Sair da zona de conforto pode exigir espírito de sacrifício e coragem, mas vale a pena para ver a paisagem para além do ambiente do costume. Se os nossos antepassados pensassem daquela forma, ainda hoje estariamos na selva.

5. "Sê realista". É melhor do que ser pessimista. Mas para conquistar a felicidade, geralmente é necessária uma boa dose de criatividade. Porque a felicidade apresenta-se de muitas formas, e geralmente o que é bom para o vizinho do lado não o é, necessariamente, para nós. Não podemos copiar modelos. Temos de ser originais. E os optimistas batem o nível de criatividade dos realistas aos pontos.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Conflitos internos


Ser famoso deve ser muito chato. Ter constantemente conhecidos e desconhecidos a respirarem-nos para cima do pescoço. Intrometidos, curiosos, fofoqueiros, interesseiros e fanáticos em constante ronda. Não poder ter vida pessoal. Ter dificuldade em ir ao cinema ou jantar num lugar público, sem ter uma dúzia de flashes a estragar a luz ambiente.

Viver desta forma, depois de dar à sociedade o suficiente para justificar a fama, parece-me um castigo injusto. Felizmente, na minha área profissional é muito difícil despertar tal nível de interesse alheio. Digo felizmente porque a minha vontade de contribuir é muita, mas a minha capacidade de abdicar de viver de uma forma que considero mais íntima, bonita e saudável é muito pequena. E um conflito entre o que quero e o que estou disposta a abdicar para o atingir, não poderia contribuir para nada além de uma dificuldade imensa em realizar-me.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Vamos jantar?



Se pudesse escolher qualquer pessoa da actualidade para partilhar um jantar comigo, teria alguma dificuldade em escolher alguém. Tenho curiosidade relativamente a tantos assuntos, que pensar em apenas uma opção seria quase doloroso: sofreria mais por aqueles que não escolhi, do que aproveitaria a alegria oferecida pela presença do escolhido. Tolo, eu sei. Tenho de trabalhar esse aspecto de personalidade.

Gostava de ter oportunidade de conversar com o Papa sobre religião. Nunca fui religiosa, apesar de ter sido baptizada e ter feito a primeira comunhão. Precisamente pelo que me foi ensinado nas aulas de catequese, sempre tive uma curiosidade enorme em entender o porquê de alguém acreditar em Deus. Apesar de várias tentativas, nunca ninguém parecia interessado em responder-me verdadeiramente. "Porque sim" e variantes desta resposta levaram-me a compreender que muitas pessoas sentem-se ofendidas quando se questiona a sua fé. Nunca conheci ninguém que conseguisse falar sobre isto sem se sentir atacado pelas minhas perguntas (simplesmente curiosas, sem julgamento), o que sempre interpretei como uma coisa absolutamente estranha. Eu adoro falar daquilo que me apaixona. 

Acredito que o Papa Jorge Bergoglio (mais conhecido por Papa Francisco) é o tipo de pessoa que adora este tipo de conversa. A potencialidade de compreender a convicção de um religoso sem medo de perguntas, fascina-me.

Mas também gostava muito de conhecer o escritor e palestrante Anthony Robbins, que sem curso superior algum, demonstrou que somos tão fortes em determinado tópico quanto nos interessarmos por estudá-lo sem pré-concepções, de mente aberta. Especialista em evocar superação de fobias em minutos e em modelar comportamentos de sucesso conquistou reputação e respeito, até de entidades médicas que inicialmente o atacavam sem dó nem piedade. Por este trabalho de sucesso, nas últimas décadas trabalhou com inúmeras personalidades do mundo político, militar e desportivo, pelo que seria uma fonte inesgotável de conhecimento e entretenimento ao jantar. 

Claro que haveria sempre a possibilidade de me desiludir enormemente com alguém, apesar da admiração que agora lhes guardo. Que o diga Deepak Chopra, médico endocrinologista, cuja personalidade espiritual e livros de não-ficção sempre me cativaram, até ao momento em que lhe descobri o canal youtube. A forma como interrompe convidados que educadamente discordam da sua perspectiva, e a convicção com se pronuncia em jeito de iluminado espiritual acima de contestação, quebraram completamente a admiração que lhe tinha. Hoje, os seus livros estão encostados numa prateleira, porque o meu interesse e vontade de os estudar morreu.

Pensando melhor, convidar o Jamie Oliver também seria uma boa ideia. Descontraído, divertido. Chef. Com um bocadinho de jeito, enfiava-o na cozinha e preparava-nos o jantar.






terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Mente ou corpo?



Ultimamente uma questão tem consumido os meus pensamentos: se pudesse viver até aos 90 anos conservando apenas a mente ou o corpo que tinha aos 30 anos, qual escolheria?

A mente é o meu maior tesouro. É a partir dela que recordo os momentos felizes do passado, planeio o presente e, de alguma forma, construo o meu futuro. É ela que me permite integrar emoções. E, afinal, não são as emoções que nos movem, que dão sentido à vida?

Mas uma mente sã num corpo limitado, deve ser uma tortura imensa. Não poder concretizar o que a mente solicita e viver a intensidade das sensações físicas, deve ser difícil, muito difícil. Talvez a conservação do corpo me permitisse viver o tão desejado presente. Poderia concretizar actividades que me fizessem feliz, continuamente, ainda que para isso tivesse de abdicar das memórias do passado. Mas talvez isso fosse mais difícil para os outros, os que me rodeiam, do que para mim, na verdade. Porque eu estaria completamente alheia dessa realidade. 

Achei ter encontrado a resposta a esta questão, enquanto escrevia. Mas acho que não. Talvez fosse eu a maior perdedora, porque perderia (dentro da minha própria mente) as pessoas que dão um sentido imenso à minha existência. 

É um sentimento de alívio imenso não ter de responder a esta questão. Não ter de escolher. Nesta realidade em que vivo, cabe-me apenas estimular corpo e mente, para conservar ambos.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Plantar uma árvore, escrever um livro, ter um filho


A vida deu-me inúmeros motivos para ser grata. Mas o meu maior motivo de gratidão são os meus pais. Dizem algumas crenças religiosas que escolhemos os pais que vamos ter e o ambiente que nos vai envolver. Pelo visto, eu escolhi um cenário daqueles bem fáceis. A vida de casal dos meus pais não teve um começo facilitado, mas Amor nunca faltou e com empenho cresceram muito profissionalmente, de tal forma que eu tenho recordações muito vagas de uma vida diferente da de hoje. 

Os meus pais são as pessoas mais equilibradas que conheço. São admiráveis. Apesar das contrariedades, transformaram a minha infância num conjunto de dia felizes. Tão felizes que eu tenho dificuldade em crer que alguém tenha crescido de forma mais feliz do que eu (costumo vaidosamente pensar que possam ter sido tão felizes quanto eu, mas não mais). No entanto, se eu pudesse, mudaria uma coisa na forma como me criaram. Mudaria a protecção excessiva, que me tornou menos preparada para lidar com problemas. Quando os primeiros desafios se atravessaram no meu caminho, eu chorava, revoltava-me e sentia-me impotente. Só depois dessa reacção inicial (que podia durar dias), os genes deles, fazendo-se valer em mim, se 'ligavam' como interruptores automáticos, e eu percebia que podia (devia) lutar. E lutava com uma força que nem sabia de onde vinha, nem porque não se esgotava. Lutava sem considerar desistir, até vencer. E vencia, consistentemente.

À medida que os anos passaram os desafios tornaram-se maiores (acho que os desafios nos parecem sempre tão maiores quanto mais próximos se encontram). Mas eu chorei cada vez menos, face ao impacto do desafio, e lutei cada vez mais cedo para vencer a revolta. E continuei a ganhar. 

Até que esta situação aconteceu. Uma situação injusta, que não se resolvia independente do quanto fiz por merecer que se resolvesse. Uma situação que colocou o meu futuro profissional em perigo eminente, pelo capricho de um poderoso alguém. Um capricho, estúpido como todos os caprichos são, que não cedia. Trabalhei com empenho e fui reconhecida por profissionais independentes de um júri internacional. Mas o capricho daquele alguém não deixava que eu colhesse em solo nacional o reconhecimento que precisava para poder obter o grau académico pelo qual trabalhei.

Entre a escrita de emails com o dedo do meio e o desejo de partir todos os dentes a essa pessoa, considerei desistir. Não me lembro da última vez que desisti de um sonho. Acho que nunca aconteceu. E sei quanto me doeu considerar essa possibilidade, e começar de novo, noutro lugar. Mas continuei a lutar, apesar de tudo. Não sei bem porquê, já que todos os meus esforços se perdiam naquela artilharia pesada de oposição que não dava sinais de ceder. Talvez tenham sido os genes, aqueles genes dos meus pais, que os fizeram lutadores e vencedores. Talvez tenham sido eles que, mais uma vez, se manifestaram em mim. 

E continuei a lutar. Lutei até àquele que era (literalmente) o último dia possível para vencer a luta. E pensei, à medida que os últimos momentos se aproximavam, que estava arrumada. Que tudo ia terminar num silêncio estranho, daqueles que se instalam no nosso coração quando nos parece que o mundo devia parar mas, sem respeito, continua apesar da nossa dor. 

E foi aí que o milagre se deu. O mauzão arrependeu-se. Naquele último momento. Naquele último instante. E pediu desculpa (!). E a luta que eu vinha travando terminou. Terminou, com risos histéricos e foguetes imaginários. E eu voltei a agarrar o meu futuro profissional, o meu sonho, com as duas mãos. Até agora não sei o que o fez sair da minha frente com a sua artilharia pesada e deixar-me seguir o caminho que mereci trilhar. Mas no momento em que o peso do mundo me saiu dos ombros, pensei nos meus pais. Neles, que me apoiaram sempre. Que me inspiraram a continuar, mesmo quando me diziam que eu não precisava continuar a lutar. Mas precisava: por eles. Para me sentir merecedora da minha história e de quem sou filha. 

Por escrito, esse pedaço da minha história foi-lhes dedicado. 
E agora, que já semeei uma árvore e acabo de publicar um livro*, parece faltar-me ter um filho.



*Tese de Doutoramento; compilação de oito artigos científicos internacionais, sete dos quais em primeira autoria.



terça-feira, 9 de setembro de 2014

Uncracked



Há uma questão que me consome os pensamentos, desde sempre: Somos responsáveis apenas pelo que dizemos ou por ajustar a nossa forma de comunicar de tal forma que possamos ser correctamente interpretados pelos outros? Já acreditei convictamente em cada uma das duas possibilidades de resposta, ao longo da minha vida. Actualmente, acredito em ambas ao mesmo tempo.

Claramente, o verdadeiro significado das palavras é aquele que lhes quisemos imprimir quando as proferimos, e mais nenhum -- independentemente do número de interpretações contraditórias que possam retirar dessas palavras. No entanto, está fora do nosso alcance o controlo sob a forma como diferentes pessoas reagem a determinas expressões verbais. E, precisamente por isso, precisamos ajustar a comunicação de tal forma que possamos ser correctamente entendidos. Por exemplo:

Algumas pessoas sentem-se ofendidas se digo "Que grande mentiroso(a)..." em resposta a um elogio. Outras, compreendendo que é a minha forma envergonhada de dizer "Obrigada, mas não mereço palavras tão exageradas", riem. Posso corrigir aqueles que me interpretam mal e esperar que decorem o "meu código", para que não existam mal-entendidos da próxima vez. Ou posso ajustar aquela expressão para uma outra com o mesmo significado, mas que transmita com mais clareza (a Gregos e Troianos) o que pretendo. Neste exemplo em concreto, permiti-me usar uma expressão sinónima, com recurso a uma palavra que nunca uso e que, exactamente por isso, mostra que estou a brincar: "Que mentideiro(a)...". Resultou; nunca mais fui mal-interpretada. Mas se não tivesse resultado, avançaria para um simples Obrigada.

Desisti de exigir àqueles que me conheciam bem que decorassem os meus códigos, quando percebi que as outras pessoas podiam, da mesma maneira, estar à espera que eu não voltasse a usar uma palavra que consideram (descodificada ou não) negativa.

A verdade é que não podemos ajustar-nos a toda a gente. Alguns não querem compreender, simplesmente. Mas podemos facilitar o trabalho aos outros (àqueles que querem compreender, mas se baralham na interpretação de tantas pessoas, com tantos estilos, diferentes). É um trabalho em constante evolução, que não nos distancia do nosso estilo pessoal, ao contrário do que parece inicialmente. Gosto de pensar que, na realidade, este processo me tem aproximado mais do meu Eu. Ou, de outra perspectiva, do meu eu descodificado.

domingo, 11 de maio de 2014

Disney, não percebes nada disto...


O candeeiro da foto faz-me lembrar contos de fadas, príncipes e princesas. Associo-os aos desenhos animados da Disney. E por isso têm um pouco de magia associada, uns pozinhos de coisas impossíveis prestes a acontecer. O efeito potencia-se se a imagem à sua frente for precisamente a de um jardim entre a neblina, como na foto.

Bom, mas tudo para dizer que a Disney não percebe nada de lições de vida. Honestamente. Uma princesa tem como animal de estimação um animal selvagem em vias de extinção, sai de casa às escondidas, namora com um ladrão que lhe mente descaradamente e ainda se torna príncipe na sequência disso (a mentira compensa!). Outra princesa come fruta oferecida por estranhos -- coisa que qualquer criança de 3 anos sabe que não deve fazer --, também foge de casa e acha perfeitamente normal viver com 7 homens desconhecidos (o que é, na verdade, nitidamente perigoso). Uma outra apaixona-se por um monstro com comportamentos agressivos, iludindo as mulheres a tolerar a violência doméstica na expectativa de que os seus monstros também se transformem em príncipes no final. E podia continuar aqui a manhã toda... 

Disney, não sabes contar histórias?


domingo, 14 de julho de 2013

Words of wisdom


As palavras amontoam-se ou organizam-se de tal forma que a mensagem sai obscura ou perfeitamente transparente. E às vezes tudo o que é necessário é organizar as palavras, e consequentemente os pensamentos, para que eu sinta um novo impulso para avançar. 

Penso que todos temos perfeita noção que caminhamos para o fim, que cada dia estamos um dia mais próximos desse final. No entanto, vivemos como se não nos lembrássemos, ou como se o facto não fosse suficientemente importante para deixarmos lamúrias de lado e passarmos a aproveitar melhor a viagem.

Neste contexto, há uma sequência de palavrinhas que me abana como nenhuma outra. Não passa pelo "Carpe diem", do inesquecível Clube dos Poetas Mortos, nem pela chamada de atenção para a beleza à nossa volta (que é muita). É tão simplesmente: "O que fazes hoje é importante porque estás a trocar um dia da tua vida por isso". 

Aquela frase coloca-me diante do que já sei mas o meu cérebro não parece estar sempre disposto a processar: assim o dia se encerrar, as estrelas contarão todas as oportunidades que estiveram em aberto para mim. E aquele dia, que continha tanto, fica fechado para sempre. Por mais intenso, mais bonito, mais extraordinário que pudesse ter sido, não poderá mais ser vivido. E não há nada que me faça querer orientar o meu dia com mais cuidado do que essa noção.


sexta-feira, 21 de junho de 2013

Words of wisdom


Um dia li que no final da vida o nosso eu vai encontrar-se com o melhor eu que poderíamos ter sido, e que se essa possibilidade nos assustar é porque não estamos a viver ao nível do nosso verdadeiro potencial.

Este exercício leva-nos a sentir, antes de racionalizar, se estamos longe ou perto daquilo que consideramos o melhor. E depois, conscientes dessa sensação, permite-nos procurar por todos os sinais que mostrem que atingímos o nosso eu mais alto. Que sinais são esses?

Nessa meditação de olhos abertos descobri algumas coisas que (conscientemente) não esperava. O nosso subconsciente guarda desejos que precisamos reconhecer, para não vivermos num suspiro ansioso em relação a coisas que nem sabemos querer.

Neste exercício percebi, pela primeira vez, a fonte da saudade de coisas que nunca vivi.


sábado, 15 de junho de 2013

From Calvin and Hobbes



Cada vez que vou a um museu de história natural e passo por ossadas não consigo evitar pensar se aquele animal seria mesmo assim, ou fizemos alguma asneira que lhe desse aquele aspecto. Já disse que podia ser irmã do Calvin...

"What if my bones were in a museum,
Where aliens paid good money to see ‘em?
And suppose that they’d put me together all wrong,
Sticking bones on to bones where they didn’t belong!

Imagine phalanges, pelvis, and spine
Welded to mandibles that once had been mine!
With each misassemblage, the error compounded,
The aliens would draw back in terror, astounded!

Their textbooks would show me in grim illustration,
The most hideous thing ever seen in creation!
The museum would commission a model in plaster
Of ME, to be called, “Evolution’s Disaster”!

And paleontologists there would debate
Dozens of theories to help postulate
How man survived for those thousands of years
With teeth-covered arms growing out of his ears!

Oh, I hope that I’m never in such manner displayed,
No matter HOW much to see me the aliens paid."


terça-feira, 11 de junho de 2013

Dos condicionamentos



Recentemente aprendi que a primeira coisa que um treinador de elefantes faz é ensiná-lo a não fugir. Quando o elefante é pequenino prende-lhe um grilhão a uma pata, e cada vez que o animal tenta afastar-se percebe que o grilhão é mais forte. A partir do momento em que o condicionamento é assimilado, basta prender a perna do animal -- com qualquer frágil material -- que o elefante não mais tentará escapar, mesmo quando atinge o auge da sua maturidade e força. O elefante torna-se prisioneiro da imagem mental de impotência do passado.

E isto assustou-me. Pelos elefantes e por nós. Quantas correntes do passado continuarão a limitar-nos, por não percebermos que agora somos mais fortes?

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Diários



Todos devíamos ter dois diários. Um onde escreveríamos tudo o que de bom nos acontece, sentímos ou sonhamos. E um outro para todas as lágrimas e momento de desespero. Um que guardamos com carinho até formarmos vários volumes e outro que queimamos sempre que as folhas disponíveis terminam. 

Misturar na escrita, como na vida, os dois estados de espírito pode atenuar as dores dos momentos maus, mas também atenua as alegrias dos momentos bons. Ou será que exacerba as alegrias? Nunca percebi muito bem essa coisa de se ser mais feliz porque já fomos mais tristes.

domingo, 9 de junho de 2013

Da riqueza




Algumas pessoas parecem ter medo de assumir que querem ser ricas. Desejar mais dinheiro é quase um pecado. Parece que as torna menos dignas de o conseguir. Só pode ter dinheiro quem não o deseja, caso contrário é porque a pessoa não tem valores e prioridades bem definidas. Afinal, o dinheiro não compra felicidade, ouvimos. Discordo, respeitosamente.

O dinheiro não transforma a boa índole [só deixa à luz uma má essência que sempre existiu, mas se encontrava camuflada pela impotência], e compra, efectivamente, inúmeros motivos de felicidade. Patrocina suspiros de alívo e sorrisos aos que amamos, patrocina novas possibilidades profissionais aos que (ainda) não conhecemos, patrocina até saúde sempre que está à venda. 

Mas em associação a tudo isso, o que me atrai na riqueza é a liberdade para fazer o que quiser com o meu tempo. Só dizer esta frase me deixa um sorriso meio parvo no rosto. Poder escolher o que fazer, quando fazer, a nível pessoal e profissional, deve ser das sensações mais fortes de realização que podemos experimentar. Digo eu que ainda não cheguei lá e não raras vezes me vejo condicionada a cumprir o que me pedem e não o que me parece mais relevante ver cumprido. 

Para já este conceito de liberdade só vive nos meus sonhos 


quarta-feira, 5 de junho de 2013

Erros


Quando era mais nova tinha muito medo de errar. Não que agora não tenha, mas parece-me que hoje em dia concebo mais facilmente uma forma de corrigir o problema/ a decisão/ as palavras mal escolhidas. Para usar a metáfora habitual: parece-me que antes acreditava que os meus erros ficariam gravados em pedra por toda a eternidade, enquanto agora me comporto como as ondas do mar nivelando a areia para que novas mensagens sejam impressas.

Já não tenho o desejo de vir a ser perfeita e imutável. 
Aceito com serenidade o facto de me encontrar em eterna evolução.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Sonhar não custa



Dou por mim a pensar que o meu blogue parece um livro de auto-ajuda. Não que me façam confusão, mas não é essa a intenção. Não sei se quem escreve aquele género de livro é sempre muito sensato e confiante, ou se apenas sabem instintivavemente o caminho e apontam-no aos outros, mesmo que não o tenham trilhado, mas sei que eu gosto de mapas. 

E gosto de partilhar o que me faz bem. Na verdade é mais do que gostar, eu preciso partilhar o que me fez bem, porque acho que toda a gente vai adorar e vou mudar o mundo.


Eu sei. Já estava na hora de crescer. 
Mas eu sou colega pessoal do Peter Pan.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Da vida





Há dias em que nos sentímos cheios de vida e de planos e de sonhos. Rodeados de mil cores e sons e texturas. E há outros em que afundámos numa espécie de planeta maquiavélico de dúvidas e medos.

E como eu desgosto das viagens àquele planeta. E como é difícil sair de lá, a menos que me disponha a  deixar a inércia que toma conta do meu corpo e me obrigue a sair. A estar entre a natureza, com amigos de verdade, dentro de água, a percorrer um trilho que nunca antes percorri, a ver uma comédia, a rir de mim mesma. A agir.

 Parar, quando a mente é ocupada por pensamentos sinistros, é deixar-se abraçar pela tristeza. 


segunda-feira, 4 de março de 2013

Quando o feitiço se vira contra o feiticeiro

No seguimento das respostas às perguntas do desafio de Sábado, Somente EU perguntou
o porquê de julgarem as pessoas todas por igual.

A resposta curta: porque não vivem no presente, mas nas recordações do passado.

Há várias razões possíveis para que alguém julgue todos os demais por igual, mas as principais provavelmente são: rigidez de pensamento e medo de voltar a sofrer disfarçados de prudência.

As pessoas que não têm interesse, paciência ou competências sociais para conhecerem aqueles que os rodeiam no presente, geralmente carregam consigo uma história sobre o que alguém lhes fez, que as marcou negativamente, e as faz ver desde então a classe [de homens/advogados/patrões/you name it] como um conjunto de indíviduos indiferenciáveis entre si. 

Estas pessoas são geralmente rígidas, emocionalmente frágeis e vivem aprisionadas no seu sistema de convicções. Experenciam constantemente o que parecem ser situações idênticas, por parte de indivíduos diferentes, porque desencadeiam tais episódios com as suas atitudes -- também elas semelhantes entre si. 

Por viverem amarradas por um sistema de convicções estanque (que naturalmente julgam o mais correcto), estas pessoas tendem a apontar fora de si a causa do problema, evitando exercícios de auto-avaliação. Mas se não fazem a sua parte -- que mais não é do que evoluir com cada nova vivência pessoal ou profissional -- e apenas aguardam que alguém prove que estão erradas na sua generalização, podem sofrer a triste consequência de se verem, elas mesmas, rotuladas.

Rotuladas como sendo parte do pouco interessante grupo de pessoas que não se questiona, não se reinventa, não evolui.


quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Da vontade de viver






Os comentários no post do surf fizeram-me sorrir. Inconscientemente acho que todos buscamos um exercício que nos melhore o equilíbrio sobre as ondas [da vida]. 

E por um momento mergulhei na ideia da escola de surf -- no Verão em Portugal, no resto do ano noutro lugar mais quentinho. Acordar entre pranchas coloridas, Sol intenso e gente alegre, que se move, que acredita na Vida, que a vive intensamente. Cabelo molhado, pele morena, as gargalhadas dos amigos, refeições leves e o mar. Gosto disso. Gosto muito...!

Tantas opções deliciosas que a vida oferece e tanta vontade de experimentar todas!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Fuga ao medo, caminho para a felicidade.


Há sempre alguém que um dia nos pergunta o que é a felicidade, ou como se chega lá. E eu fico sempre hesitante na resposta a dar. A felicidade é tantas coisas encerradas num único sentimento. Não há uma receita infalível, estanque de pessoa para pessoa, mas posso dar a minha versão da felicidade.

Acredito que algumas coisas existem em comum entre aqueles que são felizes, e que o mais importante requisito é amor-próprio. Passamos imenso tempo sozinhos, pelo que é indispensável termos prazer na nossa própria companhia. Se não nos sentímos bem na nossa pele, se fugimos dos momentos de silêncio e buscamos constantemente a presença de outras pessoas para afastar esse sentimento de solidão, será muito complicado sentirmo-nos em paz para desfrutar a vida. Em estado de fuga tornamo-nos insensíveis a estímulos subtis: já não basta que a felicidade nos toque, para que a possamos sentir, é necessário um empurrão da felicidade para que consigamos reconhecê-la. Mas a felicidade encerra-se não raras vezes em coisas aparentemente pequenas, mas mágicas... 

Acredito que essa necessidade de fugir às conversas internas se relacione com um medo que não queremos admitir, com uma conversa sobre nós mesmos que não queremos ter. Provavelmente há um desencontro entre o que somos e o que vimos fazendo, que nos afecta. Um emprego que não nos realiza, uma acção que não reflecte os nossos valores, uma relação que não nos completa. Mas, mesmo que difícil, a confrontação entre a realidade actual e os nossos sonhos é essencial para que consigamos recuperar o mapa que nos leva até onde queremos chegar. Fugir desta análise só adiará a resolução do problema, alimentando a insegurança, o desconforto, a tristeza.

A receita para a felicidade bloqueia a acção do medo sobre as nossas decisões.
Torna transparente que somos mais capazes do que julgamos e mais fortes do que pensamos.