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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Inês


Se eu morresse esta noite, sem possibilidade de comunicar com ninguém, não teria arrependimentos pelo que não disse. Percebo que, de uma maneira ou outra, sempre fui clara sobre os meus sentimentos e intenções relativamente a todos na minha vida. Pelo menos essa é a minha convicção interna, e se alguém não sentiu da mesma forma, mas não mo disse, o que poderia eu fazer para corrigir a situação?

No entanto, há alguém a quem não disse tudo o que queria. Só percebi que tinha toneladas de coisas para lhe dizer meses depois de já não o poder fazer. E isso ainda me consome.

Pese embora o tanto que amava a minha avó, não tive perspicácia para perceber que nunca mais conheceria alguém semelhante na minha vida e que, também por isso, deveria aproveitar cada instante ao máximo. E daí o tanto que ficou por dizer. Por perguntar. 

Para dizer a verdade, toda aquela perfeição não me parecia tão perfeita assim, na altura. Chegava até a... magoar-me. Queria que se tivesse revoltado, que tivesse esbravejado, que se tivesse protegido muito mais do que fez. Ela levava a sério aquela "história" bíblica de dar a outra face. E essa capacidade inacreditável de ter (realmente) dó da estupidez alheia, em vez de se revoltar contra ela (especialmente quando essa estupidez a afectava directamente de formas inimagináveis), sempre gerou todo o tipo de sentimentos de revolta em mim. Claramente bastante menos evoluída do que ela, eu só tinha vontade de abrir a cabeça ao meio àquele que lhe fazia a vida num inferno. Como não podia, dediquei-lhe apenas a mais profunda indiferença, pese embora as inúmeras tentativas de aproximação que ele sempre levou a cabo. Fomos, por minha vontade, estranhos que conviviam diariamente.

Em vez de me revoltar com as acções dele e com a falta de reacção dela, deveria, como agora, ter ficado fascinada com a sua capacidade de perdoar. E como é possível perdoar a quem magoa tanto aqueles que amamos?

Não ter aprendido mais com a presença da minha avó é, por certo, o meu maior arrependimento. Nunca mais cometi esse erro com pessoas especiais. Nem pretendo.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Momento introspectivo do dia


O Serginho convidou-me a dar continuação a esta iniciativa, e eu aproveitei a ocasião para me dizer viva e a respirar. Ora então, desta vez o desafio consiste em responder a umas perguntinhas pertinentes e passarmos a batata-quente a [11] outros bloggers. De preferência, fazendo novas questões.

Uma vez que o Serginho fez suas as questões que lhe fizeram, e ainda adicionou outras tantas, eu devolvo a artimanha o prémio, por ordem alfabética, à Canca, à Helena, ao HSB, ao Leitor (numa tentativa esforçada de o fazer regressar à escrita), à Minimi, à mmm's, à Nina e ao Roger ;)

As questões são as que se seguem:
1. Qual é a música que te deixa feliz sempre que passa no rádio sem que estejas a contar?
Upside down de Jack Johnson. Não só porque gosto da tranquilidade/boa-onda que transmite, mas também por passar tão raramente. Por mais que goste de uma música, não consigo ouvi-la constantemente, como as estações de rádio parecem querer.

2. Com que celebridade (viva ou morta) gostarias de ter uma conversa?
Com o Richard Feynman.

3. O que lhe perguntavas?
Como explica o fenómeno de quantum entanglement, naquela forma factual mas inacreditavelmente envolvente, característica do discurso dele. Também gostava de saber se se arrependeu de trabalhar no projecto da bomba atómica, quando se apercebeu da dimensão dos estragos.

4.  Qual foi o pior piropo que já mandas-te, sabes como é aqueles em que queremos ser engraçados mas calha muito mal...
Cabe-me dizer que piropos e comentários indecentes são coisas completamente diferentes, para mim. Não cabem sequer na mesma categoria. Defino "piropo" como um elogio simpático e corajoso de alguém que não conhecemos, num momento não-ideal, 'inventado' para o efeito. Feito o esclarecimento: Na minha visão romantizada do mundo, as meninas recebem piropos, não mandam. Portanto ajo em conformidade.

5. Qual o piropo mais piroso que te mandaram?
O piropo mais piroso que já recebi, num sentido romantico-esforçado, foi: "Só tens um defeito: não ser casada comigo". Mas rivaliza com um trecho da música "Princesa", de Boss AC, de uns trolhas no meio do expediente, que teve tanto de piroso quanto engraçado (mas eu mantive a minha straight face).

6. Qual é a pior faceta da Blogoesfera?
A pior faceta da Blogosfera é a facilidade com que se criam personagens.

7. Que blogger gostarias de conhecer pessoalmente?
Para além dos óbvios 'chegados', que se encontram em quase todas as caixinhas de comentários deste blogue, gostava de conhecer a Catarina, que é de uma doçura e simplicidade ímpares.

8. Preferias morrer como um herói ou viver como um cobarde?
Depende da situação. Se a possibilidade de morrer num acto heróico por outrem que conheço mal/não conheço colocasse em causa a estabilidade daqueles que amo, provavelmente não arriscaria. Se o acto heróico se destinasse a salvar aqueles que amo, agir seria uma necessidade (portanto, não sei se o termo "heróico" se aplicaria). Pergunta difícil esta... De qualquer forma, sou de opinião que em situações extremas agimos por impulso, o que poderia levar-me a bater as botas por um perfeito estranho.

9. Consideras que a eutanásia devia ser legal?
Sim, considero que a eutanásia deve ser legalizada. Considero um ultraje que não tenhamos direito a decidir sobre nós mesmos. Ter direito a tomar decisões sobre o nosso próprio corpo parece-me um direito básico e fundamental. Mas para já, só é legal mandarmos no corpo dos outros.

10. Achas que o mundo vai acabar, ou nós é que vamos acabar com o mundo?
Primeira opção.

11. Fui muito chato?
Claro que não.

E ainda... 

1. Como surgiu a ideia de ter um blog? E o nome?
A ideia de ter um blogue surgiu da vontade de voltar a escrever fluentemente na minha língua nativa, sem recurso aos estrangeirismos que se vinham a instalar exageradamente no meu discurso, fruto da longa temporada passada no estrangeiro. O nome foi a consequência lógica da ausência de tópico específico do blogue. Não seguiria nenhuma linha condutora; seria (e é) um blogue de generalidades. 

2. O que fazes profissionalmente ou área de estudos?
Sou cientista, na área de medicina regenerativa. 

3. Como te definirias?
Definir-me-ia como uma pessoa de sentimentos intensos mas muito racional. 

4. O que farias se ganhasses o euromilhões? (que grande cliché :p)
Se ganhasse o euromilhões a principal mudança na minha vida seria o número de horas que trabalharia. Metade do dia seria dedicado à vida pessoal e a outra metade à profissional. Actualmente, parece que a vida pessoal tem de se espremer no tempo gentilmente disponibilizado [para dormir] pela vida profissional. Mas esta seria apenas a primeira de muitas mudanças (não apenas na minha vida).

5. O que adoras/não suportas que te façam/digam?
Adoro abraços. Não suporto que me peçam opiniões e fiquem chateados por a resposta ser imparcial.

6. O que mais gostas de fazer?
Gosto do que faço profissionalmente. No tempo livre gosto de desenhar, de lápis aquarelados, de ler, de nadar em lagos e rios, de acordar cedo num dia de sol, de tomar o pequeno-almoço na companhia daqueles a quem quero bem. Gosto de conversar longamente. Dou-me conta que gosto de demasiadas coisas para conseguir enunciar as preferidas.

7. Não vives sem...?
Não vivo sem internet. Aproxima-me daqueles que estão longe (e tenho sempre alguém muito importante longe). E dá-me acesso imediato a todas as respostas (e eu tenho sempre muitas perguntas). 

8. Um objectivo que já tenhas alcançado e do qual te orgulhas?
Os objectivos já alcançados parecem-me sempre pequeninos em relação aos que depois se elaboraram. Mas orgulho-me dos prémios académicos e profissionais que já recebi, porque foram sempre resultado de muito esforço e investimento pessoal. 

9. Objectivo/sonho por alcançar?
Trabalhar em medicina regenerativa neuronal. Na verdade, o sonho passa por transformar as paralisias num problema do passado. Nunca tive medo de sonhar em grande :-P

10. Como te imaginas daqui a 10 anos?
Verdade seja dita, quando era adolescente prestava-me a esses jogos de adivinhação com frequência. E nunca, mas nunca, acertei. No entanto, a vida presenteou-me sempre com desígnios muito mais interessantes do que aqueles que elaborava, portanto aprendi a confiar. E quando confiei apareceu-me até a pessoa mais espectacular de todos os tempos -- que eu pensava, já, nem existir. 

11. Um segredinho? 
Estou a tentar deixar de comer pão há, pelo menos, cinco anos.

Desafio os desafiados a escolher uma série das duas a que respondi, e ainda a responder às questões seguintes (com os respectivos porquês, se se sentirem corajosos):
1. O que mudou, da criança que foste para o adulto em que te tornaste?
2. Quem gostarias de ter conhecido mais cedo na tua vida? 
3. Descreve um dia perfeito, actualmente.
4. Que coisa (uma coisa) precisas fazer para melhorar a tua vida?
5. Qual foi o presente mais especial que recebeste nos últimos 5 anos? 
6. Qual foi a última vez que fizeste alguma coisa sem pedir nada em troca?
7. Se pudesses reviver um dia da tua vida (sem lhe alterar coisa alguma), qual seria?
8. Quê ou quem te drena energia actualmente?
9. Quando foi a última vez que convenceste a ti mesmo a não fazer uma coisa que, no fundo, querias fazer? 
10. (Ainda na sequência da pergunta 9.) Que coisa foi essa?   
11. Qual foi o ponto alto do teu dia, hoje?

Estou ansiosa por ler as vossas respostas! 
Boa introspecção.


sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Amo-te muito



Não gosto da expressão "Amo-te muito". Quanto mais a vejo menos gosto dela. Provavelmente não gosto dela porque não a percebo. O que significa? Que aquele que ama escolheu não se conter e ama muito, quando tinha como opção amar pouco? Ou significa que o amor (que agora é muito) foi um dia pouco? E se foi pouco, era amor?

O Amor que me encanta começa com letra maiúscula e é sempre grande. Tão grande que se torna imensurável e portanto dispensa adjectivos.

Um dia disseram-me que Amote fazia mais sentido. Que essa era a distância que existia entre o seu sentimento e o ser amado: nenhuma. Que o Amor quer-se assim: perto, colado, intenso. E eu sorri. Como sempre sorri o meu coração perante amorosa originalidade.

Se um dia me dissessem amo-te muito terminava tudo logo ali. :P

Gosto. Gosto muito ❤




Gosto da areia muito fina e clara. De pequenos-almoços à beira-mar.
Gosto de Rafaellos da Ferrero e de Häggen Dazs de nozes da macadâmia.
Gosto de sol e céu azul em dias de neve. Gosto de chuva no silêncio da noite.
Gosto de música; de pop a jazz, de música sertaneja ao fado. De um espectro ao outro, gosto de tudo o que me fizer sorrir.
Gosto de salsa e foxtrot. Gosto de dançar com ele.
Gosto do Natal. Das luzes, do cheirinho, da família reunida a contar histórias do passado, de pão-de-ló e de pudim caseiro.
Gosto de pinhões. Gosto de lareiras. Gosto de me sentir muito quente num dia muito frio.
Gosto da objectividade da língua Inglesa.
Gosto da forma como ele pronuncia o meu nome.
Gosto de olhos escuros e amendoados. De sorrisos contagiantes. De dentes muito brancos.
Gosto de snickers. Gosto de iogurtes de todos os sabores (mesmo dos naturais); excepto de limão.
Gosto de abraços apertados. De olhar no fundo dos olhos de quem me fala.
Gosto muito de duches. E pouco de banhos; tenho sempre frio.
Gosto de livros. Podem ser ebooks.
Gosto de tecnologia.
Gosto de dizer "OK, google" ao smartphone antes de iniciar a pesquisa e receber o resultado do comando verbal. Faz-me pensar que vivo no futuro que os filmes de ficção científica antecipavam (ainda que não estejamos tão perto assim).
Gosto de receber cartas. Podem ser emails.
Gosto de cinema, de efeitos especiais e de pipocas doces.
Gosto de mantas no sofá. E que o meu cão adormeça com a cabeça no meu colo.
Gosto de gargalhar até me doer a barriga. E de adormecer de coração cheio.
Gosto de jogos colectivos. Gosto de vencer.
Gosto de futebol. Gosto dos treinadores pretensiosos e dos jogadores demasiado confiantes. Fazem-me rir.
Gosto de aprender. De sentir que estou em constante evolução.
Gosto de experts. Daqueles que já sabem tanto que a forma como o transmitem é imensamente simples.
Gosto de itens femininos. De cabelos compridos. E de unhas pintadas em tons muito claros.
Gosto de amores intemporais. De palavras únicas e nunca antes pronunciadas naquela ordem.
Gosto de relva. E de mar, de rios e de lagos. Gosto de nadar.
Gosto de andar de bicicleta. E de caminhos de terra batida.
Gosto de me inspirar nos outros.
Gosto de pessoas que se vestem de forma colorida.
Gosto das perguntas impertinentes das crianças.
Gosto de pessoas que distinguem sinceridade de rispidez e má-educação.
Gosto de pessoas de bem consigo mesmas.
Gosto de carros. Gosto ainda mais de jipes.
Gosto de manhãs ensolaradas. E de ouvir um galo ao longe quando acordo.
Gosto de ciência. De haver uma explicação para o que parece mágico.
Gosto de meditar. Do conceito de espiritualidade e da paz que isso me traz.
Gosto daqueles que estão na minha vida. Principalmente daqueles que ma deram. E dele.
Gosto da minha história. Mudava algumas coisas mas não as suficientes para querer começar de novo.


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

OLX



Ultimamente tenho-me dado conta da quantidade de livros que tenho em prateleiras, que não hão-de mais ser lidos. Em geral sou pouco dada a repetições: não gosto de rever filmes, reler livros e até os meus pratos favoritos passam rapidamente para segundo plano. A repetição não me estimula. É um fenómeno que tive de aceitar em mim mesma.

Então, pela primeira vez percebi o desperdício que é ter todos aqueles livros em estantes e resolvi libertar o espaço para novas aquisições. Coloquei-os no OLX para troca por outros livros ou venda por metade do valor a que foram adquiridos, apesar de serem livros novos: sem marcas, sem notas, lidos uma vez e fechados. No fundo senti necessidade que mais alguém os lesse, que não fossem fechados para sempre.

Rapidamente recebi contactos de interessados e foi aí que me apercebi que... eu não queria desfazer-me de parte dos meus livros. Mesmo daqueles nos quais não me revejo mais. Fez-me confusão pegar naqueles livros e ter noção que nunca mais os leria se quisesse. Que os meus filhos (quem sabe) não poderiam ver naquela parte da estante parte da sua adolescência, como eu agora vejo. 

Tenho certeza que se tivesse tido oportunidade de trocar os livros por outros que me façam sentido agora, não teria pensado nisto. Mas como toda a gente me oferecia dinheiro, não consegui fazê-lo. E a Inês Pedrosa, a Susanna Tamaro e o Nicholas Sparks voltaram às estantes. 

:)

Ouvi dizer que hoje é o meu aniversário. Não tinha o telemóvel comigo naquela altura, mas acredito nos meus pais. Sei que naquela madrugada a minha mãe dormiu em casa, mas pouco por ter dores. Sei que foi para a maternidade com contracções, ainda o Sol não tinha nascido. Sei que nasci meia-hora depois da minha mãe entrar no bloco de parto (De nada, Mamã, ora essa... Obrigada eu, pela estadia ).

Parabéns a todos que me aturam desde então; desde o primeiro dia ou desde há pouco tempo.
Esta viagem tem sido incrível e não a trocaria por nenhuma outra.



quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Dos dias em que não devia abrir o bico



Apesar de ser avessa à mentira, abro excepções para as mentirinhas piedosas. Mas não devia. Porque não me lembro de uma situação em que tenham acreditado em mim, e é muito pior a emenda do que o soneto.

A última vez que fiz uso dos meus (constestáveis) dotes de actriz, foi para dizer a uma amiga claramente arrependida da asneira que tinha feito, que não achava horrível o corte de cabelo que lhe levou os longos fios loiros e lhe deixou o couro cabeludo visível e uma franja ridícula. À pergunta "Que tal, gostas, ABT?" não me saiu som nenhum ainda que eu estivesse a acenar com sim com a cabeça. 
- Não gostaste nada... -- disse-me.
- Bem, eu preferia o teu corte de cabelo anterior, mas... está fresco, diferente e original! 
Lendo-me como se eu fosse um livro aberto, afirmou tristemente: 
- Achaste horrível!...

E do topo da minha estupidez respondi convictamente: "Ehh, então? Também não está horrível!" para logo me dar conta de que apesar de continuar a ser mentira (porque estava terrível, de facto) nem sequer foi uma boa e animadora mentira.

Enfim.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Medos irracionais




Ninguém merece acordar para um duche revitalizador e terminar a fazer equilibrismo nas laterais da banheira, porque uma aranha gigantesca achou por bem dar o ar da sua graça. Tentei afogá-la, sem dó nem piedade, e fazer com que se perdesse pelo ralo abaixo, mas era demasiado gorda para passar pelos furos (!), mesmo quando se transformou numa bolinha.

Felizmente percebi que tinha companhia apenas no final do duche, senão teria ido com bolinhas de sabão no cabelo para a reunião. 

Ela faleceu. Mas parece-me que vou ter de chamar os bombeiros para tirar o ser dos infernos da minha banheira de onde fugi. onde o deixei para não me atrasar.

domingo, 15 de setembro de 2013

Crónicas das férias #2


Das coisas extraordinárias que sou capaz de fazer é de perder o vestido que envergava em menos de vinte minutos na praia e de regressar a casa ao final do dia enrolada numa toalha sem causar qualquer espanto aos meus pais.

Adenda para quem estiver a usufruir do meu vestido: Que seja tão feliz nele quanto eu fui.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Realistas versus sonhadores



Realistas versus sonhadores. Eu, como todos nós acredito, tenho um pouco dos dois. Mas com uma particularidade: em dias diferentes. Em determinado dia sou consistentemente sonhadora ou coerentemente realista. E não há nada que me enerve mais num dia em que me sinto inspirada pelos sonhos mais mirabolantes, que me falem de assuntos terra-a-terra, que não consigam voar e viver uma aventura para lá das nuvens.

Se pudesses pedir tudo, o que gostarias de ter ou estar a fazer agora?, costuma ser a minha pergunta. E só me apetece atirar impropérios quando a resposta é desta família: Gostava de ter este trabalho terminado, porque já me anda a chatear há alguns dias...!

Eu sei: a minha paciência não abunda nas alturas em que, pelo menos na minha imaginação, posso ter TUDO :P 

E vocês, são mais sonhadores ou realistas?

sábado, 15 de junho de 2013

From Calvin and Hobbes



Cada vez que vou a um museu de história natural e passo por ossadas não consigo evitar pensar se aquele animal seria mesmo assim, ou fizemos alguma asneira que lhe desse aquele aspecto. Já disse que podia ser irmã do Calvin...

"What if my bones were in a museum,
Where aliens paid good money to see ‘em?
And suppose that they’d put me together all wrong,
Sticking bones on to bones where they didn’t belong!

Imagine phalanges, pelvis, and spine
Welded to mandibles that once had been mine!
With each misassemblage, the error compounded,
The aliens would draw back in terror, astounded!

Their textbooks would show me in grim illustration,
The most hideous thing ever seen in creation!
The museum would commission a model in plaster
Of ME, to be called, “Evolution’s Disaster”!

And paleontologists there would debate
Dozens of theories to help postulate
How man survived for those thousands of years
With teeth-covered arms growing out of his ears!

Oh, I hope that I’m never in such manner displayed,
No matter HOW much to see me the aliens paid."


terça-feira, 4 de junho de 2013

Porque não há duas sem três :)


alegre Suricate endereçou-me um divertido desafio, no contexto do Liebster Award. Aqui vão as regras e as respostas:


Regras do jogo: 
Responder a 11 perguntas feitas pela Suricate.
Escrever 11 coisas sobre mim.
Fazer 11 perguntas.
Passar a 11 blogs.

As 11 perguntas da Suri são:
1- Se pudesses viver noutro país, qual escolherias?
A Suíça, como sabem. Aquele país exerce um efeito mágico em mim, difícil de descrever. É a serenidade deles, é a neve nas montanhas em pleno Verão quente, são os lagos, os rios, a segurança, o azul do céu e o Sol sempre presente. É tudo isto e tão mais...!

2- O teu maior medo.
Morrer sem vencer os meus medos. E nem sequer estou a ser filosófica...

3- Qual o teu prato favorito?
Sou um bom garfo, pelo que escolher um prato é sempre complicado. Além dos assados no forno, talvez melancia. Hum? Como assim melancia não é uma refeição...?

4- Consideras-te uma pessoa feliz?
Sim :) A vida cuida bem de mim.

5- Mudavas alguma coisa em ti?
Sim, mudava alguns traços de personalidade (até aqui) resistentes às minhas investidas de correcção. Gostava de ser menos ansiosa, por exemplo. Essa característica impede-me de aproveitar completamente tudo o que de bom vive no meu dia-a-dia: o pensamento está demasiadas vezes no futuro.

6- O teu maior sonho.
Eu tenho tantos sonhos, e vou formando tantos outros à medida que caminho, que o mais seguro será sempre dizer que o meu maior sonho é realizar-me pessoal e profissionalmente, e ver aqueles que amo nesse mesmo nível de felicidade. É vago mas verdadeiro :P

7- O que mais detestas numa pessoa?
A incapacidade de distinguir certo de errado, e por causa disso afectar a vida dos outros. 

8- Qual o teu local de sonho para férias?
Não tenho um destino preferido, só pessoas preferidas para levar comigo. Neste momento, preferiria um destino quentinho, com águas calmas e tranquilas, um veleiro, paisagens encantadoras e comidinha deliciosa. Grécia seria giro :)

9- O que mais admiras no sexo oposto?
"A inteligência aliada ao bom humor entregues por um sorriso charmoso, sedutor e uns olhos leais!" A Suricate fez a descrição perfeita. 

10- O que mudarias se pudesses voltar atrás no tempo?
Faço-me esta questão inúmeras vezes, e acabo sempre por aceitar as opções que fui tomando. Talvez porque a minha vida continua completamente por escrever, não sinto que alguma opção me tenha privado de experiências enriquecedoras que não mais poderei viver. E essa sensação, de que o (meu) mundo ainda gira de acordo com os meus sonhos, faz-me aceitar o presente com serenidade.

11- O que pensas de mim?
Penso que és uma mulher de armas. Que se tornou forte nas adversidades, e doce quando encontrou o amor. Penso-te guerreira mas justa, equilibrada mas explosiva, terna mas decidida. Gosto de ti. Gosto mesmo de ti*

E agora 11 coisas sobre mim:
1. Acredito em impossíveis.
2. Acredito que todos temos um talento muito especial e que só nos realizamos verdadeiramente quando o encontramos.
3. Racionalizo demasiado.
4. As coincidências da minha vida tendem a ser tão intrincadas que fica complicado aceitar que são coincidências (I do believe in magic :P).
5. Venho trabalhando alguns defeitos e a minha paciência tem saído a ganhar bastante com esse exercício.
6. Conheço pessoas maravilhosas com alguma frequência. 
7. Quando era pequena e via a novela Malhação, em que os amigos se encontravam no ginásio, faziam aulas divertidíssimas, lanchavam em relvados esplendorosos e partilhavam férias juntos numa chácara encantadora onde aventuras incríveis aconteciam, achava que aquele era o real conceito de felicidade :)
8. Adoro gargalhadas. Espontâneas e altas.
9. Sou mais eficiente sob pressão. Tendo a perder-me em pormenores e a não acabar nunca, se me derem todo o tempo do mundo.
10. Ainda que goste do conforto da empatia, adoro perspectivas diferentes da minha. Gosto de redescobrir o mundo, pelos olhos de outras pessoas (desde que o estejam a partilhar e não a impingir).
11. Estou sempre em busca de alguma coisa. Como diria o Calvin, em Calvin & Hobbes: "A felicidade não me chega. Eu exijo euforia!"

As perguntas que passo aos 11 "cantinhos":
1- Qual a personagem de livro, filme ou série (real ou fictício) que te suscitou maior interesse e porquê?
2- Tens medo do escuro? 
3- Há alguém a quem recorras consistentemente sempre que precisas de um conselho? 
4- Que aspecto da tua vida poderia mudar para melhor?
5- Que música representa melhor a tua vida (ou parte dela)?
6- Figura pública (viva ou falecida) que gostasses de conhecer?
7- O que te arranca uma gargalhada?
8- Que convicção tinhas na infância, que só mais tarde descobriste não corresponder à verdade? (Para além dos bebés chegarem de air-cegonha)
9- Qual é o teu meio de transporte preferido? Porquê?
10- Se fosses uma árvore onde gostavas de estar plantado(a)?
11- Que música tem capacidade de te animar, infalivelmente?

Os 11 "cantinhos" a quem passo o desafio são os suspeitos do costume (até ao fim dos tempos) e interessantes descobertas blogosféricas:

Sérginho em Somente Eu
Suricate em Suricate 

e ainda:

Poppy em Apontamentos...
Little Star em Barulho das Palavrinhas
Nina em Nina...
Helena em Nove Cores
Margarida em Pedaços de Amor

Beijinho a todos*

domingo, 2 de junho de 2013

Do you?



O meu forte sempre foi acreditar em coisas impossíveis. Amores de contos de fadas, amizades extraordinárias, acontecimentos improváveis. Gosto da sensação que essas coisas conseguem provocar em mim. Gosto da forma como me fazem sonhar e pensar que vale a pena viver. Porque consigo senti-las, mesmo que ainda não façam parte da minha vida. Sinto-as tão perto que vivo na agradável sensação de estarem prestes a esbarrar-se em mim.  

E gosto de acreditar que é por isso que coisas absolutamente mágicas acontecem na minha vida. Hoje, um desses acontecimentos avassaladores, amorosos e indescritíveis, comemora quatro anos. 

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Sonhos e a mão da vida


Dois anos depois de tirar um curso superior percebi que não me sentia realizada. Formei-me com honras, mas não me prepararam para lidar com o sofrimento daqueles que precisavam da minha ajuda. E essa foi tarefa que não consegui completar com eficiência. 

Quis mudar de vida. Voltei a olhar para cursos superiores, solicitei reuniões com directores de curso. Mas o que nem toda a gente sabe é que nessa fase abri a página oficial de acesso a um sonho antigo. Consultei os requisitos. Em teoria cumpria todos. Na prática... estatelei-me ao fundo de algumas dezenas de escadas e parti o cotovelo esquerdo nessa mesma semana. Na altura achei que estava óptima. O senhor que assistiu à cena de filme, que eu vivi em câmara lenta, correu na minha direcção [enquanto lhe ouvia uns "Ai meu Deus, ai meu Deus"] e ficou muito aliviado por eu não ter o rosto desfeito. Aparentemente estava à espera de me ver coberta em sangue o que me fez soltar uma gargalhada -- claramente não tive noção do perigo em que me vi envolvida. Aproveitei o riso rasgado para lhe perguntar se tinha partido algum dente. Disse que não (na verdade lasquei um, mas ele não notou). No hospital uma enfermeira perguntou-me muito irritada se não tinha idade para saber que não devo andar de carro sem cinto. Naquele instante lembrei-me do cinto que não colocaria: o de piloto no cockpit de um aparelho voador. A minha integridade física era um pré-requisito que agora não cumpria. 

Às vezes penso se esse episódio que impediu a minha candidatura à Força Aérea terá acontecido por um motivo de força maior. Se a vida quis orientar-me no sentido certo e para isso teve dar-me um empurrãozinho [nas escadas]. Acabei por ir às reuniões com os directores de curso, e em vez de iniciar uma nova licenciatura fui convidada a iniciar doutoramento, e com ele uma aventura extraordinária pelo mundo científico.

Mas outras vezes olho para trás e penso: "Um dia ainda vou aprender a pilotar".


segunda-feira, 4 de março de 2013

Prémio liebster - parte II


O prémio Liebster, qual filho pródigo, voltou a casa. E desta feita devo agradecer à simpática Suricate.

11 coisas sobre mim:
- A minha família é grande e unida, mas sou filha única. 
- Não gosto de pessoas que falam de pessoas. Prefiro pessoas que falem de si.
- A manhã é a parte preferida do meu dia.
- Dispenso chocolates e doces de todas as espécies, mas sou incapaz de dizer não a um gelado.
- Quero aprender a pilotar (objectos voadores identificados).
- Quero um ouriço-cacheiro como animal de estimação.
- Não gosto de rever filmes, mesmo que os tenha adorado. 
- É um fenómeno estranho na minha vida ser cumprimentada pela minha serenidade, quando na verdade sou bastante impaciente.
- Gosto de gente simples, de sorriso fácil.
- Quando estou fisicamente cansada rio-me facilmente.
- O maior elogio que me fazem é achar que respondo "não sei" não porque não saiba, mas porque tenho preguiça em explicar.


11 perguntas que a Suricate me fez:
1. Há alguma coisa que te deixe envergonhada? O quê?
Várias. Por exemplo: esquecer-me do nome ou rosto de alguém que conheci recentemente e me cumprimenta efusivamente num local público. Incomoda-me muito que se sintam constrangidos, quando na verdade a culpa é minha.

2. O que não eras nunca capaz de fazer por ninguém?
Sou capaz de pensar em duas ou três coisas que não seria capaz de fazer em condições normais, mas em circunstâncias extremas... como ter certeza? Não sei.

3. Se pudesses, o que fazias pelo teu vizinho do lado, por aquela pessoa que passa por ti na rua, por um desconhecido que pudesses ajudar?
Quando posso ajudar ajudo, não fico à espera de um dia especial.

4. Que rotina diária não dispensas?
A de higiene pessoal.

5. O que te faz mais feliz durante um dia normalíssimo?
Tomar o pequeno-almoço tranquila, numa manhã de Sol. Nesses momentos, em que o dia se encontra completamente por revelar, acredito facilmente que coisas extraordinárias podem acontecer. E isso faz-me feliz.

6. O que mais ambicionas?
Realizar-me através das minhas conquistas pessoais e profissionais, e viver o sucesso dos que amo.

7. Se pudesses, onde irias já amanhã? E com quem?
Suíça. Com a minha família.

8. O que mais te magoa?
Magoar pessoas de quem gosto muito, mas não poder proceder de forma diferente.

9. Primavera/Verão ou Outono/Inverno?
Cada um na sua fase. Mas sou uma apaixonada pelo frio.

10. Falas outra língua além da tua materna? Qual?
Sim. Inglês fluentemente, francês e espanhol já conheceram melhores dias mas ainda me desenrasco.

11. Fecha os olhos um segundo: qual é a primeira palavra que te vem ao pensamento?
Amor.

Vou alargar a atribuição deste prémio a todos os que me lerem. Por favor deixem o link do vosso blogue nos comentários, vou gostar muito de ler as vossas respostas.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Piano



A querida Lia enviou-me uma música linda ao piano que me fez pensar em mil e uma coisas no curto período da melodia (que viria a conhecer o significado da expressão "auto-replay". Obrigada Lia*). Entre essas viagens recuei cerca de três anos no tempo. Até à residência de pós-graduados que primeiro me recebeu fora do meu país, e onde descansava imponente na sala de estar um piano cujas notas nunca ouvi. Até um dia...

O dia em que ele chegou, surpreendendo-me com os ingredientes para cozinhar para mim numa mão, e um sorriso do tamanho do mundo nos lábios. Na exploração do espaço que recebeu o nosso jantar vislumbrou o piano, perguntou-me se gosto, do que gosto. E ouvindo a resposta dirigiu-se ao banco sempre arrumado e tocou para mim. E eu permaneci ali, imóvel, por entre a surpresa e o encanto que me chegavam pelos dedos do homem com forte formação científica que enchia o ar de notas musicais. Um momento mais encantador do que qualquer cena cinematográfica.

Algumas portas ao longe entreabriram-se para deixar a música entrar nos quartos. Outros, curiosos, desceram e irromperam na sala tentando descobrir o pianista. Mas a audiência que chegava foi a deixa para que parasse...

Aquele momento era nosso e ele tocava apenas para mim 

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Perguntam e eu responto e volto a perguntar [reformulad0]



Regras:
1. Fazer uma lista com 11 factos sobre mim;
2. Responder às 11 perguntas que me atribuíram;
3. Nomear 11 blogs com número de seguidores igual ou inferior a 200, linkar os blogues neste post e avisá-los sobre o prémio;
4. Fazer 11 novas perguntas aos vencedores do prémio.

Factos sobre mim:
1. Gosto mais de ouvir do que de falar.
2. Adoro dias de neve e Sol brilhante.
3. Aprender é uma parte essencial do meu dia-a-dia.
4. Os meus alimentos preferidos são fruta e pão, e acredito que poderia alimentar-me apenas deles.
5. Não sou apreciadora de bebidas alcoólicas. A minha bebida preferida é água. (Vá, recomponham-se, não é assim tão invulgar.)
6. Gosto de participar de debates.
7. Sou carinhosa. Gosto de cobrir as pessoas importantes da minha vida de beijos e abraços.
8. Não dou segundas oportunidades a pessoas que perderam a minha confiança.
9. Sou competitiva. Já parti um dedo a jogar basketball e só disse aos amigos depois de terminarmos o jogo.
10. Não tenho medo algum de morrer mas sinto pavor de pensar em perder aqueles que amo.
11. Fui admitida em todas as entrevistas de emprego em que me apresentei.

11 perguntas que a Lia me fez:
1. Quente ou frio? Quente no Verão e frio no Outono/Inverno. Estações com clima trocado são enervantes.
2. Sozinho ou acompanhado? Depende do momento. Apesar da companhia daqueles que amo nunca ser demais, não raras vezes sinto necessidade de estar sozinha.
3. Longe ou perto? Mentira: longe. Gelados: perto.
4. Sexo ou amor? Amor.
5. Livros ou e-books? Livros (mas recebi os ebooks de braços abertos).
6. Praia ou campo? Campo.
7. Uma das anteriores ou cidade? Qualquer das anteriores ganha a cidade.
8. Música ou cinema? Cinema (com boa banda sonora).
9. Profissão? Cientista.
10. Irmãos? Não.
11. Quantos? Na minha imaginação tive um irmão mais velho. Na vida real sou filha única.

Blogues onde eu gostava de ler as respostas às perguntas que se seguirão:
(Brand New Start) (Responde só às perguntas novas, Lia*)
Escritora de cafeteria (O mesmo se aplica a ti, Aline :P :))
Elas vistas por ele
Lírio Selvagem
Somente eu

(Um, dois, três, quatro, onze.)

11 perguntas para vocês responderem:
1. Um hábito que gostavas de deixar?
2. Profissão de sonho?
3. Surpresa mais bonita que já te fizeram?
4. Característica que melhor te representa?
5. Gostas do teu nome? Se tivesses sido tu a escolher, como te chamarias?
6. Quanto tempo de existência tem a tua amizade mais preciosa?
7. Que idioma estrangeiro que gostavas de aprender e porquê?
8. Se não existissem impossíveis o que mudavas na tua vida já?
9. Qual a tua especialidade culinária?
10. Os teus melhores amigos conhecem-se entre si?
11. Em quantas cidades diferentes já viveste?


Let the games begin!

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Vamos falar de amor?




Vamos. Pode ser amor adolescente?

Um dia ligaram para o meu telemóvel. Nessa época a minha família materna tinha por hábito reunir-se para jantar às sextas-feiras e, portanto, estava toda a gente em minha casa. Primos, tios e tias.

O telefonema pedia que eu abrisse a janela do meu quarto, o que me deixou bastante hesitante. Percebi que já era tarde quando vi todos os meus familiares em divisões diferentes espreitando pelas janelas com a mesma orientação da do meu quarto, em risos descontrolados. Quando abri a janela vi quatro rapazes sentados na relva de guitarra em posição. Sem qualquer introdução começaram a serenata e por ali ficaram a tocar e a cantar em uníssono durante o que me pareceu uma pequena eternidade. 

Estava frio mas o meu rosto quente, as flores estavam lindas e os meus familiares substituíram os risos por aplausos. Que corajoso o menino que aprendeu a tocar para me fazer aquela surpresa. É que não só viu os carros estacionadados e decidiu enfrentar a plateia, como pediu autorização aos meus pais para entrar em nossa casa (tendo de explicar o motivo para tal pedido). 

Ah, o amor...!

domingo, 13 de janeiro de 2013

Caracóis



Hoje os meus pais lembraram-me que na infância eu tinha nos caracóis grandes amigos. Enchia os bolsos com famílias deles e passeava-me na sua companhia. Lembro-me que gostava da concha deles e esse era o critério de selecção. Raramente davam o ar da sua graça, quando eu pegava neles -- tinha de pousa-los no chão e não lhes tocar por algum tempo, para esticarem as antenas. Descobri que não têm audição entre os meus pedidos para se mostrarem e argumentos convincentes de que não lhes faria mal. Achei que era uma mentira fofinha do meu pai, para que eu não ficasse triste, até ter lido sobre o assunto anos mais tarde.

A minha mãe descobriu que eu os passeava pela casa toda -- interior da habitação incluída -- quando um deles me saiu pelo bolso e ela gritou surpreendida. Acho que teve medo que eu o esmagasse sem querer. Não sabia que eu mantinha vários outros, intactos, no interior dos bolsos, nem que eu tinha uma técnica apurada para os transportar sem quebrar (nem eu sei bem qual, agora que relembro estes episódios à distância).

Aposto que a minha mãe considerou ter um segundo filho naquele momento.