Todos os anos faço algumas sessões de "acompanha a amiga na escolha da roupa da nova estação". E uma vez que a Primavera está já a acenar com algum vigor, começo a preparar-me mentalmente para mais uma destas sessões de compras. Que trazem sempre associadas a mesma conversa. Uma conversa que me faz querer cortar os pulsos: os tamanhos escolhidos.
- Como é que é possível?! Eu nunca vesti um 40, eu sou um 38!
- Mas não assenta bem, está muito justo. Experimenta esta, acima.
- Nem pensar!
- Mas a peça é linda... experimenta só para vermos como fica.
- Recuso-me!
E acabo sempre meio enervada com as minhas amigas, porque desvirtua-se o propósito de encontrar roupa gira que as favoreça, para passar a ser uma caça ao número que elas querem vestir, o que, convenhamos, é muito mais chato. Who the f*** cares? Podiam dar-me um 48, que importava-me na mesma medida que me importo em vestir uma etiqueta 36. Levo o meu número apenas por referência, para ter por onde começar, mas se achar que a peça acima me vai cair melhor, não só a experimento como a compro, em detrimento do 36, em menos de 3 segundos. Calções são exemplos particularmente bons. Não consigo apreciar calções justos nas coxas, indepentemente da moda querer obrigar-me a tal. Não combina com o estilo que considero elegante. Pelo que sendo impossível fugir destas peças, que invadem todas as lojas, encontro nos tamanhos maiores grandes aliados. Fazer deles inimigos parece-me simplesmente absurdo.
Meninas (e meninos) que compreendem este fenómeno: expliquem-me o que interessa o número na etiqueta, por favor. Para eu conseguir ser uma amiga mais paciente nesta estação.


















